O Presidente da República surpreendeu e procurou forçar um acordo. E fez
bem ao exigir um entendimento entre os três partidos subscritores do memorando. Mas é
porventura demasiado tarde. Dentro de alguns dias perceberemos melhor se jogou
póquer ou xadrez. José Manuel Fernandes
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Jamais causas perdidas

DESCULPE, PRESIDENTE EVO MORALES
Esperei uma semana que o Governo do meu país lhe pedisse
formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que
cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a
escala técnica do seu avião no regresso à Bolívia depois de uma reunião em
Moscovo, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua
própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário
da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos países
vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o
refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas
praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu
desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um
continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune,
já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os
mandantes deste crime internacional. O meu pedido de desculpas não tem qualquer
valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que,
longe de ser um acto individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito
mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os
dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus
representantes…
Boaventura de Sousa Santos - Público
Caro cidadão comum
Em nome do nosso país e também envergonhado, nem sabe como lhe agradeço. Nem consigo sair à rua, quanto mais do país.
domingo, 14 de julho de 2013
Cavaquês prático em poucos dias
Da súbita imprevisibilidade do Chefe do Estado Paulo Pinto Mascarenhas
Nem semi cavaquismo nem semi coisa nenhuma. Luciano Amaral
À espera do acordo rápido que Cavaco pretende.João Pereira Coutinho
O mérito de travar ruído demagógico dos habilidosos. Henrique Monteiro
Haverá um regime presidencialista até à saída da troika. Luís Rosa
Como um notário da Constituição passou a líder do País. João Marcelino
O povo sabe que são os partidos que têm de se entender. Paulo Baldaia
O Presidente não confia no Governo e entalou o PS. Alfredo Leite
Nem semi cavaquismo nem semi coisa nenhuma. Luciano Amaral
À espera do acordo rápido que Cavaco pretende.João Pereira Coutinho
O mérito de travar ruído demagógico dos habilidosos. Henrique Monteiro
Haverá um regime presidencialista até à saída da troika. Luís Rosa
Como um notário da Constituição passou a líder do País. João Marcelino
O povo sabe que são os partidos que têm de se entender. Paulo Baldaia
O Presidente não confia no Governo e entalou o PS. Alfredo Leite
De 1989 até agora...

Do "Flashback" da TSF à "Quadratura do Círculo" da SIC-N, é o mais antigo espaço de análise política na rádio e televisão portuguesas. Reportagem Jornal i
sábado, 13 de julho de 2013
Dignidade do problema

Esteve na origem do problema, desenvolveu e transformou o problema, tornou-se no autêntico problema, continuará a ser o maior problema. Bem difícil solucionar problema desta envergadura. Manuel Tavares
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Fantasmas é que não são

Degenerescência irreversível

TEMOS ESPERANÇA NO NOVO PATRIARCA?
No último domingo, realizou-se a primeira missa de D. Manuel Clemente, actual patriarca, no Mosteiro dos Jerónimos. Havia a esperança de ser um novo impulso para a Igreja portuguesa, muito mais aberta do que a espanhola e mais próxima do pensamento do novo Papa Francisco.
Mas não foi. A missa, instrumentalizada pelo Governo
moribundo que temos, tornou-se uma vergonha inaceitável. A presença do
Presidente da República, nada discreta, de Passos Coelho e de Paulo Portas e
mais a claque dos capangas que lá puseram para bater palmas aos políticos
presentes resultou num escândalo. Nenhum católico verdadeiro pode aceitar uma
tal humilhação a que sujeitaram o patriarca, que, julgo, não a merecia. Mas a
verdade é que não reagiu e pelo contrário parecia satisfeito, como se viu na
televisão.
Se a Igreja não deve intrometer-se na política, a verdade é
que os políticos também não devem aproveitar-se da Igreja para fazerem
propaganda. Teremos voltado ao tempo triste do fascismo?
Foi o que aconteceu, sem que o senhor patriarca tivesse
reagido minimamente. Começou muito mal com a sua primeira missa. Direi mesmo
que foi uma vergonha que infelizmente o vai marcar negativamente perante os
católicos sinceros e progressistas, sem falar dos leigos, como eu, que se
lembram bem dos tempos em que o fascismo utilizava a religião...
Não sei agora como é que o senhor patriarca vai falar dos
desempregados e dos pobres, quando deixou que os responsáveis por essa desgraça
nacional fossem aplaudidos nessa primeira missa, obviamente organizada pelos
políticos, como está à vista, quando são vaiados sempre que se atrevem a
aparecer na rua.
É óbvio que uma Igreja como o Mosteiro dos Jerónimos é um
local sagrado. Não se compreende assim que o novo patriarca, que é uma pessoa
culta e experiente, deixasse que os políticos presentes fossem aplaudidos sem
que ele, patriarca, lhes lembrasse que a Igreja onde estavam é um lugar
sagrado, não é um lugar próprio para esse tipo de manifestações políticas.
Começou mal, muito mal, as suas novas funções, como o povo católico mais
humilde vai compreender.
MÁRIO SOARES
Bastou Passos Coelho ouvir alguns aplausos em vez dos apupos habituais para Mário Soares saltar para a rua enfurecido com o Cardeal Patriarca e a berrar que Portugal pode estar de regresso ao fascismo. E ninguém interna o velho no hospício.
Indefectíveis dizem presente
TEMOS PRESIDENTE
É interessante constatarmos a surpresa e a perplexidade que
o discurso de quarta-feira de Cavaco Silva está a provocar. De facto, o
Presidente abandonou a chamada leitura minimalista dos poderes que a
Constituição lhe confere e "descolou" da maioria que nos governa e
que tão triste "espectáculo" proporcionou na passada semana.
Depois de uma exaustiva e clara justificação para a recusa
de eleições nesta conjuntura de curto prazo, o Presidente apontou os caminhos
que preconiza para a solução que entende consentânea com a defesa dos
interesses nacionais na situação crítica que Portugal atravessa. E é aqui que
as propostas de Cavaco Silva não são ainda suficientemente esclarecedoras. Só
após os contactos que entendeu desenvolver desde já com os partidos
subscritores do memorando de entendimento com a troika poderemos ter uma melhor
compreensão sobre os desígnios presidenciais.
Será que o Presidente recusou, como parece, a remodelação do
Governo que Passos Coelho anunciou e pretende que o executivo permaneça como
está? Se recusou, estamos perante um agravo (merecido) aos partidos e aos
líderes da coligação! Por alguma razão ainda não comentaram a proposta do
Presidente...
Confirma-se que a intenção do Presidente, no caso de
fracasso das negociações que propõe, é a de avançar com um Governo de sua
responsabilidade? Um Governo que integre personalidades independentes de
reconhecida competência e capacidade política, até ao termo do período de
intervenção externa? Espero bem que seja essa a intenção!
Em suma, os propósitos do Presidente parecem-me de aplaudir,
sem embargo de carecerem de clarificação. Temos Presidente!
É tempo de os partidos perceberem e assumirem que o
interesse nacional exige a todos uma postura de Estado e que só uma
convergência alargada entre eles permitirá afrontar com sucesso as dificuldades
e assim ultrapassar a gravíssima crise que atravessamos.
Se não perceberem isto, os partidos serão, a justo título,
brutalmente penalizados pelos eleitores.
António Capucho - Público
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Ainda ontem

Ou muda o papel dos jogadores ou isto deixa de ser um jogo colectivo... e o árbitro e o resultado se confundem. Paulo Pinto Mascarenhas
Padroeiro da Europa

EM DIA DE SÃO BENTO
Precisamente hoje, ainda não refeitos da surpresa e
incerteza dos últimos dias, são adequadas as palavras de Bento XVI. Neste mundo,
nesta Europa e neste país, talvez a tarefa prioritária seja a de uma educação
dos mais novos que contribua para aquela renovação ética e espiritual de que
falava o Papa Emérito.
"Hoje a Europa que acabou de sair de um século
profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois do desmoronamento das
grandes ideologias que se revelaram como trágicas utopias está em busca da
própria identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são sem dúvida
importantes os instrumentos políticos, económicos e jurídicos, mas é preciso
também suscitar uma renovação ética e espiritual que se inspire nas raízes
cristãs do Continente, porque de outra forma não se pode reconstruir a Europa.
Sem esta linfa vital, o homem permanece exposto ao perigo de sucumbir à antiga
tentação de se querer remir sozinho utopia que, de formas diferentes, na Europa
do século XX causou, como revelou o Papa João Paulo II, "um regresso sem
precedentes ao tormento histórico da humanidade"
A via Cavaco

Decorrida uma semana inimaginável, ponto alto da actual crise que a memória recordará, chegou a hora do Presidente da República se pronunciar e agir institucionalmente. Recolheu informações, opiniões e decidiu. Apontou um caminho inesperado que surpreendeu o País. Uma orientação que é também um desafio para os partidos políticos convocados. Foi mais longe: anunciou que ainda restam à Presidência outras alternativas para a superação de impasses na crise política. Saída arriscada.
As reacções dos partidos políticos tardaram e não foram conclusivas, o que não surpreendeu pelo abalo causado com o discurso. Face à conjuntura actual e às perspectivas de possível inversão nos indicadores da crise, poderá ser esta uma boa oportunidade para ser explorada pelos partidos da coligação e pela oposição socialista. Seguindo os compromissos patrocinados por Cavaco Silva, será possível a qualquer das alternativas de governação, aproveitar ou desperdiçar o momento para retomar caminhos de reforma e para reforçar influência eleitoral. Os subscritores do plano de ajuda da troika tem essa possibilidade; não falte a convicção e o empenhamento. Manobra política só a pensar no voto é que se dispensa.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
A culpa é do anticiclone

Alerta laranja por todo o País. A coisa aqueceu de norte a sul. Só falta começar arder. Mau tempo político no laranjal. Faltam capacetes, pouca mangueira, mais água por favor. Os bombeiros já não são o que eram. Serão más coincidências ou castigos merecidos? Tudo começou quando se lembraram de avisar que o verão ia ser frio e o tempo perigoso.
Criaturas idiotas

Cansado de bolçar disparates embrulhados em presunção de especialista, o parvinho resolveu dizer basta. Duma vez por todas, ataca com ímpeto um perverso inimigo que pressente à espreita por todo o lado, pronto assustar e tolher destinos esperançosos. Assim se dedica a compilar alucinações, enquanto nos faz o favor de respirar. Deste género, o indigenato tem produzido bastante. Agora são delírios para nos chatearem a paciência. O que nos faltava.
O País percebeu: as crises tem custos

O País atendeu à realidade e percebeu que a política não é coisa dos políticos. Quando há crises, a política é matéria convertível em milhões de euros e prejuízo para ser pago do bolso dos portugueses. Helena Matos
Mesmo que a política seja "uma porca em que todos querem mamar", há quem nunca mais consiga que a teta se aproxime, apesar de muito se pôr a jeito. Paulo Morais
Mesmo que a política seja "uma porca em que todos querem mamar", há quem nunca mais consiga que a teta se aproxime, apesar de muito se pôr a jeito. Paulo Morais
terça-feira, 9 de julho de 2013
Dias antes e ainda actual
O INDIVÍDUO E O PODER
Não há maneira de explicar a Revolução Francesa sem
perceber, e perceber bem, quem era Luís XVI, como não há maneira de explicar a
I Guerra Mundial sem perceber, e perceber bem, quem eram Nicolau II da Rússia e
o Kaiser da Alemanha, Guilherme II. Isto ilustra a impotência das causas
materiais para interpretar a História. E, de resto, não é o que nós fazemos,
quando nos dá para compreender a crise ou a "Europa". No fim da
Monarquia, muita gente se queixava da falta de "homens" (por outras
palavras, de "homens de Estado"), e agora essa velha e muito justa
lamúria recomeçou com o desaparecimento de Delors e Kohl, dos fundadores desta
II República (Soares, Zenha, Sá Carneiro e de umas tantas personagens menores).
Com uma certa razão. Não se vê ninguém capaz de restaurar a desgraçada ordem
portuguesa.
Não vale a pena contar os pormenores, mas sem dúvida o que
levou Luís XVI, Nicolau II e o alucinado Guilherme a uma irredimível catástrofe
foi a incapacidade dos três de estabelecerem um poder homogéneo, forte e estável,
mesmo quando a origem de todo o poder residia neles. Pedro Passos Coelho
arruinou o seu, que, sendo democrático e legítimo, não tinha contestação de
princípio, com uma extraordinária rapidez. Em 2013, quando festeja (?) o seu
segundo aniversário, como quem vai a um velório, já não lhe resta o mais leve
vestígio de autoridade. Para começar, os portugueses não acreditam nele:
prometa o que prometer, garanta o que garantir, faça o que fizer, em última
análise, só aumenta o seu descrédito, o cepticismo do cidadão comum e a geral
ansiedade do país. "Que andará ele a preparar?", é sempre o que se
pergunta.
O Governo, para efeitos práticos, deixou de existir. Pedro
Passos Coelho criou primeiro um favorito (Vítor Gaspar), o erro mais destrutivo
de quem manda. Depois, pouco a pouco, permitiu que o CDS se distinguisse do PSD
na coligação. E, no fim, até nem evitou que se criassem grupos de oposição
dentro do próprio ministério e no seu partido. Esperar que ele um dia acabe com
esta macacada é uma fantasia. As falsas "remodelações" (por exemplo,
Relvas por Maduro) não levaram a nada e, entretanto, taparam o caminho a uma
verdadeira remodelação. O que se ouve do Governo não se distingue da cacofonia
dos comentadores. O que valia ontem, não vale amanhã. O que se jurou
solenemente no Parlamento, um pobre ministro ou secretário de Estado não hesita
em desmentir, sem consequências, na semana seguinte. O caos cresce, e com Pedro
Passos Coelho continuará a crescer.
Vasco Pulido Valente - Público
Ainda há Presidente
Na Presidência da República, Eanes, Soares, Sampaio, tiveram defeitos bastantes e cometeram erros enormes. Cavaco foi mais longe e chegou a estar perto de dar cabo da instituição. Como nunca teve tudo perdido, pode ter chegado a hora de alguma recuperação. Daí que também aproveite esta crise, para além de pensar no País, pensar como recompor o fim do seu mandato. Como o problema gerado pela louca crise destes dias é muito sério, não deixa de ser adequado para alguma regeneração do Presidente Cavaco. Por isso, "deixem-no trabalhar". Não poupará fadigas. Ouvirá todos, luminárias de tudo e mais alguma coisa, quiçá com reunião do Conselho de Estado. Desta vez, nada será feito à pressa. E como o mais complicado seria o cenário que menos desejava, não faltam ajudas para não se pensar em ir a votos. Parece haver mais consenso sobre o não a eleições antecipadas. Alexandre Homem Cristo - Paulo Baldaia - Henrique Monteiro
Fitas em cartaz

Depois da enorme irresponsabilidade dos últimos dias, protagonizada por Portas e Passos, só excessos de optimismo conseguem fazer crer num regresso à normalidade. Seja qual for a solução encontrada para o retomar da governação, será sempre uma saída de recurso com custos demasiado elevados. Pior não só é sempre possível; pior já está garantido. José Manuel Fernandes
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Um Pedro com razão

Ainda há muita gente que não esqueceu uma das maiores arbitrariedades da democracia portuguesa, protagonizada pelo Presidente da República Jorge Sampaio. Bom exemplo da superioridade moral de conveniência que só a esquerda se permite exibir sem qualquer pudor. Pedro Santana Lopes
Chafurdar no free pote
Como tantas vezes, podem parecer excessivos, ou ajustados à desordem vigente. António Marinho Pinto - Henrique Raposo
E o verdadeiro chefe do governo?

O filme começou com Portas a dizer que se achava dispensável no Governo. Agora é Passos Coelho que se deve interrogar sobre as tarefas de que se vai ocupar. Viriato Soromenho Marques - Henrique Monteiro
domingo, 7 de julho de 2013
Maneiras de estar na política

Estar na política e estar na
vida… Há dois anos, morria Maria José Nogueira Pinto. Na sua biografia editada
recentemente, sublinha: "O nosso problema não é o que fazemos, mas sim o
que não fazemos". Nem de propósito, nestes dias de má política.
Hoje entrevista no DN. Jaime Nogueira Pinto
Há um ano atrás. Paulo Rangel
Há dois anos. Vasco Graça Moura
O último texto no DN. Maria José Nogueira Pinto
Hoje entrevista no DN. Jaime Nogueira Pinto
Há um ano atrás. Paulo Rangel
Há dois anos. Vasco Graça Moura
O último texto no DN. Maria José Nogueira Pinto
Dissimulação irrevogável

De tanta irresponsabilidade junta em tão pouco tempo, sobra o medo indígena. Ficam os remendos e resta aguentar.
Era não era da balbúrdia nacional em forma de democracia de fugir. Alberto Gonçalves
sábado, 6 de julho de 2013
Ainda no recreio

Com líderes políticos desta dimensão já nem os votos são a base da democracia. João Marcelino
O que da balbúrdia resultar governo só terá condições para fazer de conta. Rafael Borbosa
Após a imbecilidade tudo será retrocesso e sacrifício mesmo com eleições. Eduardo Silva
Do caos político do momento surge de fora um elogio de paz a qualquer preço. António Costa
O mete medo
De repente, toda a gente notou que afinal ainda temos o homem ao leme. E se a saída passar por haver eleições legislativas brevemente? E se depois da mobilização do País para o voto, de tanto syrizar, tudo ficar parecido com os gregos? E se a cura até passar por uma qualquer vacina? Há perigo à espreita.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Mobilidade super-especial
Sócrates larga o que deve ser o mais antigo tacho ao fim de 33 anos. Aí vem complemento de aposentação... E já agora: quando apresentam o balanço do tráfico de influências, desde que partiu o bicho e ficou a peçonha? Atenção Covilhã.
Com tudo lixado
´
Uma vez que lixaram o que aparentemente restava, porque não se vão lixar os cabecilhas! Manuel Queiroz
Europa da diversidade em retalhos

Com as fragilidades observadas no projecto europeu, ainda existem alucinados com o sonho federalista duma comunidade em decomposição. José Manuel Fernandes
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Bem melhor sair de cena
Avanços e recuos. E a garantia do primeiro-ministro, após encontro de hoje com o Presidente da República, de poder ter sido encontrada uma qualquer fórmula para a coligação manter a estabilidade do Governo. Cavaco desconfiado, só receberá no início da semana os que de fora e à grega, só pensam em Syrizar aos votos. Como poderá o indígena manter a calma por mais tempo? Henrique Monteiro
Quem não tem rouba (?)

OS GÉNIOS QUE NOS GUIAM
Não tenho uma palavra a tirar do que escrevi na manhã do dia
da greve geral. A greve foi, para variar, uma greve de trabalhadores do Estado,
muito especialmente dos transportes, que pouco a pouco se tornaram uma espécie
de representantes do país. A interpretação que se deu depois ao que sucedera é que
me espantou. Um sábio comentarista declarou o "protesto" uma forma
democrática e pacífica de "canalizar" o descontentamento, mas não
pareceu perceber que esse "protesto", minuciosamente organizado, foi
um melancólico fracasso. Outro sábio comentador disse que o lúgubre espectáculo
de quinta-feira ajudara a salvar a pátria e também a alma do lusíada, coitado.
E ainda outro (um ministro) declarou com solenidade que respeitava os
grevistas, como se os grevistas precisassem para alguma coisa do respeito dele.
Como de costume a CGTP proclamou a chamada
"paralisação" nada menos do que "extraordinária". Não viu
com certeza as ruas vazias, nem as praias cheias. Nunca a realidade consegue
penetrar na colectiva cabeça de um verdadeiro comunista. A UGT, com o embaraço
de quem evita mentir muito, anunciou um grau de adesão de 50 por cento, segundo
o velho princípio português de não ofender ou irritar ninguém. Mas, no fim da
festa, Carlos Silva aliviou o seu sobrecarregado espírito com duas máximas
definitivas. Começou por explicar que a greve geral estava a ser
"banalizada", como se ele próprio não tivesse a menor
responsabilidade por essa "banalização". E, a seguir, ofereceu ao
"bom povo" de Portugal este infalível método de governo: "Primeiro
o combate à fome, à miséria, à desigualdade. Primeiro nós", claro. E as
"contas" que esperem.
Não sei se este sistema é alegremente aceite nas lojas em
que o sr. Carlos Silva se abastece. De qualquer maneira, distrai da ladainha
estabelecida: a política falhada do sr. Gaspar, a necessidade de correr com
Passos Coelho, a fantasia do "crescimento económico" e a urgência de
uma baixa perceptível de impostos. Para não falar na miséria dos portugueses,
que deviam prender, julgar e condenar os respeitáveis malandros que nos meteram
neste sarilho. O sr. Carlos Silva da UGT, ao menos, conseguiu propor uma
solução expeditiva e simples. Nós, por gentileza, agradecemos. Carlos Silva
chegou finalmente ao nó do problema: quem não tem rouba. É finalmente o ovo de
Colombo.
Vasco Pulido Valente - Público
Fado do Desgraçadinho

O que justificará os sacrifícios a que Portugal tem estado sujeito? Manuel Tavares
Quando a realidade supera tudo aquilo que se possa imaginar. João Marcelino
Jogar com vida dos portugueses à conta de birras e vaidades. Helena Cristina Coelho
Após dois anos de austeridade resta a descida ao inferno. António Ribeiro Ferreira
Depois de hipotecar tudo Portugal de vez na mão dos credores. André Macedo
A direita portuguesa vai sair da barafunda em frangalhos. Henrique Raposo
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Caramelos do Gaspar na despedida

Nunca faltaram grandes esperanças no PSD. Há quem já tenha terminado muitas missões e continue a ser uma promessa da República. E a laranjinha esteve, tem estado e estará, pronta para os grandes serviços. Oportunidades as do laranjal.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Não-efeitos das greves gerais

A GREVE GERAL
Escrevo no próprio dia da greve, esta coluna que só depois vai
ser lida. De qualquer maneira, arrisco uma previsão: mesmo correndo o melhor
possível para a CGTP e a UGT, a greve não irá mudar nada: nem a permanência ou
as políticas do Governo, nem a atmosfera da vida pública portuguesa, excepto se
provocar uma explosão de violência em Portugal inteiro (caso pouco provável,
pelo menos para a polícia). Por que razão, ou razões, não acredito na eficácia
deste protesto, teoricamente ameaçador e forte? Em primeiro lugar, porque
nenhuma greve geral na velha Europa como na Europa de Bruxelas jamais conseguiu
mudar fosse o que fosse, até no tempo em que a militância ideológica e
partidária era muito mais corrosiva e extensa. De resto, Passos Coelho já suportou
três greves gerais, com incómodo, com certeza, mas tranquilamente.
A segunda razão é a de que a greve, por natureza dispersa,
talvez junte algumas dezenas de milhares de pessoas no centro de Lisboa e do
Porto, mas não juntará mais de umas centenas no resto do país. Desde 2011 que o
português vulgar se habituou a este espectáculo e não parece que se comova
especialmente agora: os precedentes não encorajam a pensar que de repente as
grandes manifestações tenham as consequências que até hoje não tiveram. Depois, os trabalhadores de empresas privadas não querem
contribuir para lhes criar dificuldades, que põem em perigo o seu próprio
emprego; e uma parte talvez considerável de funcionários públicos, que o
Governo maltratou e espremeu, não tenciona dispensar outro dia de salário, sem
utilidade garantida.
Ao contrário da greve geral, com a sua ressonância
dramática, as greves que levam a efeitos práticos são sempre as de
trabalhadores do Estado, que dominam e conseguem rapidamente paralisar sectores
fundamentais da economia ou da sociedade: transportes, medicina, ensino e por
aí fora. Como toda a gente sabe, Nuno Crato acabou por se render, assegurando à
Fenprof (e ao Partido Comunista) a sua velha ditadura sobre a
"educação". Uma campanha hipócrita e piegas sobre as criancinhas,
que, segundo consta, sofrem uma insuportável ansiedade se um exame é avançado
ou adiado, bastou para dobrar o Governo e lhe raspar toda a sua arrogância. Os
paizinhos, claro, pretendiam principalmente que não lhes perturbassem os planos
de férias. Esta foi uma greve inteligente, conduzida com inteligência e com um
fim favorável aos grevistas. A greve geral não passa de uma homenagem obsoleta
a uma tradição morta.
Vasco Pulido Valente - Público
Tiro ao Gaspar para durar

De Vitor Gaspar fica a impressão que é um homem de boas contas. Como a seu tempo nos lembrou, estava no Governo porque sentia o dever de compensar o Estado português pelo que gastou dos dinheiros públicos nos vários anos da sua formação. Ontem deve ter verificado que as contas estavam acertadas. Se deixou de haver dívida, fica a gratidão. Estamos quites.
Mas não esperem mais do sujeito nem exijam mais da criatura. O homem chega à triste conclusão que só ele pensava a sério na reforma do Estado, que todos desconfiavam e ninguém acreditava nele, que esta espécie de País não tem saída, que estavam à espera? Adeus.
Com todo o respeito pelo Tribunal Constitucional virou costas e foi. Henrique Raposo
Se o problema fosse corrigir as falhas do ministro a solução surgiria a seguir. Económico
O relaxado inseguro não sabe que fazer e quer ajuda de Belém. (JN)
Do que Portugal menos precisava era da saída de Gaspar. (CM)
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Gaspar um estilo único

Maria Luís Albuquerque é a nova ministra das Finanças após a
demissão de Vitor Gaspar. Só que não é mudança que se faça. Isto não é trabalho para ser concluído por uma senhora.
Brasil o planeta futebol


Como quase sempre, mais uma Copa para o Brasil. Desta vez no Maracanã, "A Canarinha" voltou a ser melhor e vulgarizou "La Roja". É o regresso da ordem ao mundo do futebol: os brasileiros ao seu lugar natural e os espanhóis ao sítio do costume. Que bem fará a quem já não conseguia acomodar tanto "orgulho" um bom banho de "humildade" anti-prosápia. Para uma selecção que dá pontapés na bola e também pratica o desporto de assobiar o seu hino e o seu monarca, só merecia um início de pesadelo assim:
Entradas ao almoço
Chegou o calor e o Governo resolveu atender às necessidades de hidratação. Nos briefings diários da época estival, o "Maduro Poiares" vai ser substituído pelo "Verde Lomba". Fresquinho, estreia dentro de momentos.







