quinta-feira, 18 de abril de 2013

Barbaridades de inimputáveis


Mário Soares

FOSSE DITO NA AMÉRICA SOBRE KENNEDY...
OU POR CÁ SOBRE VULTO DE ESQUERDA... 

"O governo está morto e tem de se ir embora antes de uma fatalidade. O Presidente Cavaco Silva devia lembrar-se da história do século XX. Por muito menos que isto foi morto D. Carlos, o que chamava ao seu país a “piolheira”...

"Quando não há dinheiro não se paga. É uma evidência. Foi o que se passou com a Argentina e nem por isso o povo ficou pior. As dívidas que temos são tantas que não poderemos pagar."
"Se soubermos dizer que não pagamos, os portugueses darão um suspiro de alívio. A pobreza e o desemprego começarão a desaparecer. É preciso é não termos medo de o dizer, com coragem e altivez."
"A troika é o maior inimigo do País. É dirigida melos mercados usurários. Funciona como se fosse dona de Portugal e nos quisesse arruinar como estado-nação. Algo inadmissível para o estado mais velho da Europa."
"Temos um governo sem ideias nem convicções, que faz só o que a troika lhe manda. É um governo moribundo, que paralisa o país e ainda não compreendeu que é odiado pela esmagadora maioria dos portugueses."
"É verdade que não defendo a realização de eleições. No estado actual só virão complicar e não resolverão nada. E também não me parece que o Presidente da Repúblico esteja disposto a demitir o Governo. Mas vai ser obrigado a tomar posição."
"Agora é tarde para juntar o PS a PSD e CDS no governo. O Presidente devia ter pensado nisso quando o governo injuriou e humilhou o PS, de todas as maneiras." 
"O essencial para salvar a União Europeia e o euro é repor os mercados usurários a obedecer aos estados, e não o contrário. Se assim for não corremos o risco de sair da moeda única."
"Não há duas europas, há uma. E sempre vi a Europa como um conjunto de estados solidários entre si e em igualdade. Por isso, nem a Grécia está à beira do caos."
"Os estados não se avaliam pelo dinheiro que têm, mas sim pela sua história e pela sua gente. Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um país pobre, bem pelo contrário."
"Na França, Hollande está com grandes dificuldades. A Europa tem muitos lideres incapazes que não compreendem que é preciso acabar com a austeridade. Mas chegará o dia de perceberem o abismo onde estão a cair."
"Thatcher e o seu correligionário Reagan, foram quem lançou o neoliberalismo e o conceito imbecil do valor do dinheiro. Foi o que nos levou à crise actual e ao tremendo desastre que está realmente em curso."
"O ultraconservadorismo que alastrou a partir da Grã-Bretanha, acabou por destruir os partidos europeus que fundaram a Europa comunitária: os sociais-democratas e os democratas-cristãos."
"Em Angola a guerra civil passou. O governo está a evoluir e precisa de ajuda. Como anticolonialista sempre lutei pela paz."
"O papa Francisco é uma figura extraordinária que não gosta da austeridade e para quem o capitalismo é selvagem."
"Critiquei o regresso de Sócrates. Depois compreendi a oportunidade da sua volta. Aprendeu muito com a estadia em Paris. É hoje um outro homem, muito mais culto do que era." 
"O Presidente Cavaco Silva parece que não acredita que há crise. Por isso se permite passar uma semana na Colômbia e no Peru."
"No colégio chamavam-me o lingrinhas. Mas depois, nas prisões e nos exílios, tornei-me mais saudável. Com a doença de agora estive à morte."

Apologia do Buíça Vasco Graça Moura

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Da memória e do presente



O TRIUMFO DA DEMOCRACIA OCIDENTAL 

As cerimónias fúnebres em honra desta grande senhora da política mundial do séc. XX acabam de terminar. Numa altura em que tanto se repete não serem tempos de grandes líderes, é oportuno realçar o papel desempenhado por figuras da dimensão política de Margaret Thatcher. Esta mulher de enorme determinação e firmes convicções conduziu a Grâ-Bretanha segundo o que foi considerada a "revolução conservadora". Iniciou um combate aberto e frontal ao modelo estatizante social-democrata, começando por enfrentar a decadente estrutura dos trabalhistas ingleses e outros destacados líderes da social democracia europeia. Foi o caso do líder socialista francês, com quem nunca teve um relacionamento fácil e franco. Thatcher não confiava em François Miterrand como parceiro para a política internacional da época: por ser acérrimo defensor duma orientação política hostil ao seu projecto conservador liberal; pela excessiva interferência com que influenciava o trajecto comunitário europeu. Uma cruzada dos mais influentes socialistas europeus que acabaria condenada ao insucesso. Fracasso que a decomposição da Europa dos nossos dias se farta de comprovar. Para a líder britânica, era nos EUA que se encontrava o seu modelo de líder, Ronald Reagan, o grande parceiro do ideal político de Margaret Thatcher



Passos Coelho que aprenda com os exemplos de Thatcher e ReaganJosé Manuel Fernandes

terça-feira, 16 de abril de 2013

Decadência de velhos e novos socialismos



SOCIALISMO INDIGNADO - UMA AMEAÇA  

Em Espanha, o governo regional da Andaluzia aprovou nova legislação que prevê a possibilidade de embargar, por um máximo de três anos, os processos de despejo iniciados pelos bancos na sequência de incumprimento hipotecário. Ao embargo corresponderá uma expropriação por igual período de três anos. Só não se sabe por que valores. A lei prevê pesadas multas para bancos e imobiliárias que tenham casas desocupadas por mais de seis meses. Numa região onde um milhão de casas estão vazias, as autoridades esperam resolver desta forma os problemas dos despejos e dinamizar o mercado de arrendamento nesta região espanhola. 
Esta medida implantada na única região espanhola onde a esquerda ainda governa, numa coligação de socialistas e comunistas, não passa de uma arbitrariedade do poder legislativo em completo desrespeito pela propriedade privada e pelas regras de mercado. Não se ignoram os graves problemas sociais de muitas famílias, tal como se conhecem os múltiplos subsidiados que vivem do Estado na Andaluzia. Por outro lado, existe um mercado imobiliário saturado que se deve ao patrocínio dos poderes regionais suspeitos de corrupção, articulados com as instituições bancárias locais, as Caixas de Poupança. Uma promiscuidade que sempre silenciou a expansão da bolha imobiliária e que agora utiliza os meios da expropriação para iludir o problema de forma popular. 
Para a esquerda, a única solução encontrada foi subverter o sistema. Sem relutância, apoiam acções de protesto dos profissionais anti-sistema. Actualmente, é prática comum acossar e agredir políticos do PP no poder (pelas ruas e em suas casas). São assédios e perseguições que suavemente afrancesaram de "escrachez" (escrachar=humilhar/ridicularizar). Com tantas pressões na rua e desvario na esquerda, o Partido Socialista já equaciona promover o alargamento das condições impostas na Andaluzia a outras regiões autonómicas de Estado espanhol. Um colectivismo de comuna à PSOE que promete. É melhor avisar Mário Soares.






SOCIALISMO POPULISTA - UM FRACASSO

Das eleições presidenciais de domingo resta uma Venezuela dividida ao meio. Uns quantos milhares de votos permitiram ao herdeiro de Chávez e do "socialismo séc. XXI" vencer o candidato da oposição liberal. Apesar dos habituais observadores internacionais, da presença imprescindível e do rasgado elogio ao sistema de escrutínio, com que Sócrates brindou esses seus amigos, pairam suspeitas fundadas de fraude eleitoral. Conhecidos os resultados, Capriles exigiu de imediato a recontagem dos votos, através da verificação dos comprovativos físicos do voto electrónico. Enquanto isso, Maduro precipitou a proclamação da sua vitória e começaram a surgir notícias da destruição acelerada de provas documentais, por muitas assembleias eleitorais do país. Tanta sofisticação ao serviço de corruptos serve apenas para refinar a trafulhice. Resta saber, até onde vai a contestação da aliança de direita, e quanto vai durar a espera do líder da esquerda para tomar posse. Sobra também o fim anunciado do populismo chavista traduzido num fracasso eleitoral sem retorno. Algo preocupante, na medida em que contribuirá para endurecer a repressão sobre o descontentamento crescente dos venezuelanos com o moribundo chavismo. Para bem da Venezuela e também dos seus parceiros latino-americana. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Segunda a seguir a domingo



AJUSTAMENTO NA EQUIPA

O governo acaba de realizar mais um acerto no seu elenco. Quase todos os críticos do executivo português defendiam uma remodelação alargada com afastamentos há muito antecipados. Uma parte importante achava ainda que tinha chegado a hora do CDS reforçar o seu peso na coligação. Passos Coelho assim não entendeu. E bem, para algumas cabeças. Salvo excepções habituais, os novos membros do governo foram considerados excelentes escolhas com perfis e competências adequadas às funções. A posse foi no fim de semana e também houve lugar para a descompressão. Como já nos habituaram, Passos e Portas espreguiçam de maneira peculiar.




BURRICES

Do canto da sua insignificância, uma criatura que é ninguém, mocinha que transitou duma reserva de actrizes para a tralha bloquista, concluiu com desembaraço que os novos membros do governo empossados no fim de semana, são a prova que não há ninguém que queira participar no executivo de Passos Coelho. Importa-se de repetir? Credenciais de sobraHaja bom senso.




Bem, melhores ou piores destinos, do mundo que nos falta. Alberto Gonçalves

domingo, 14 de abril de 2013

Receber o dia e o sol



O FUTURO JÁ FOI 

A ideia de viver a vida um dia de cada vez dá importância de mais ao dia. O problema não está nem no dia, nem na manhã ou na noite, mas no hábito de dividir o tempo em unidades fáceis de entender. Para mim, a vida é o que estou agora a viver mais o desejo - mas não a expectativa - que dure mais uns momentos, dias, meses, anos, décadas. O desejo do futuro, na versão mais alegre, da continuação do presente, ocupa sempre uma porção valiosa do presente vivido sem pensar em mais nada. Mas a estupidez é uma espécie de vida suspensa, pior do que a morte. Tanto o optimismo como o pessimismo são doenças da razão.
Ter uma atitude e gastar tempo com ela é capaz de ser a pior maneira de desperdiçar o tempo. Virão momentos em que nada se conseguirá fazer senão lembrar ou ter medo do que vai acontecer. Agora não é a altura para nos pormos a adivinhar quando e como serão, com maior ou menor precipitação.
Quando volta o sol da Primavera e o dia começa a correr bem, a nossa tarefa principal deve ser reunirmo-nos a nós mesmos (collect ourselves) e estarmos todos lá, na nossa única pessoa, para recebê-los. A preparação rouba muito tempo. O vaticínio é mais rápido mas predispõe-nos e ocupa-nos enquanto não for posto à prova.
O melhor é sempre o que está mais perto de nós no tempo, no espaço e na sucessão de acontecimentos: o futuro é hoje; já passou.

Miguel Esteves Cardoso - Público

sábado, 13 de abril de 2013

É sábado e calha bem



FELICITAÇÕES

Do Pedro Lomba, é importante destacar, o seu trajecto e as suas intervenções nos media portugueses. Suficiente para perceber como pode contribuir, com a sua juventude e preparação, para ajudar na mudança de rumo que se exige ao País, neste momento. A partir de agora, vamos seguir o seu percurso como membro do governo de Passos Coelho e ajuizar sobre a sua competência. Votos de felicidades. Talvez sejam demasiadas expectativas. Os entusiasmos são assim. E agora que o trabalho vai ser outro, aqui fica o seu último artigo na imprensa.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

País às avessas



DESPACHO DO GASPAR NÃO SUSPENDEU A BALBÚRDIA 

Em tempos de imensa confusão, o despacho do ministro das Finanças a suspender os gastos do Estado, foi mais um pretexto para a algazarra dos últimos dias. Muito disparate à mistura com alguma sensatez, da autoria de mais ou menos insuspeitas e excitadas criaturas. 
À direita, vozes de contestatários do PSD e do CDS, figurantes habituais ou de última hora, como é o caso de António Capucho, consideram que o despacho do ministro Gaspar que proíbe novas despesas, "não tem ponta por onde se lhe pegue" e "é sintoma de um governo que já está sem norte e só faz disparates desta natureza". 
À esquerda, pessoas que costumam distinguir-se pela ponderação, como seja o socialista Guilherme Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas, consideram o despacho do Ministro das Finanças "perfeitamente compreensível" para limitar a despesa pública em “período transitório de constrangimentos orçamentais". 
Temos o mundo de pernas para o ar, mais perigoso do que já era... com Vital Moreira a ser elogiado pela direita e Manuela Ferreira Leite enaltecida pela esquerda. Se alguém ouvisse esta gente há meia dúzia de anos atrás, e agora outra vez, só poderia achar que Portugal endoideceu mesmo.  

SE TIVESSE DITO TUDO ISTO QUANDO DISPUTOU ELEIÇÕES COM SÓCRATES É QUE NOS TERIA POUPADO METADE DO DESASTRE. OU NÃO? 


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Margaret Thatcher




Margaret Thatcher, depois de vencer um concurso de poesia, ouviu a professora dizer-lhe que ela "era uma sortuda". Com dez anos, "Maggy" respondeu-lhe: "Não foi sorte, mereci ganhá-lo." Este episódio serve para recordar a personalidade de uma grande líder política, obstinada em fazer da liberdade individual um fim da própria política. Como candidata a primeira-ministra, alcançou três maiorias absolutas e nunca perdeu uma eleição popular. 

Poucos políticos em tempo de paz podem dizer que mudaram o mundo. Margaret Thatcher pertence a este grupo. Ela transformou não apenas o seu Partido Conservador, mas toda a política da Grã Bretanha. Hoje, é por muitos considerada a maior líder política britânica do século XX, depois de Winston Churchill. Juntamente com Ronald Reagan e o Papa João Paulo II, foram os grandes impulsionadores duma revolução global e da luta contra a tirania que ajudou a derrubar o Muro de Berlim e a pôr fim à União Soviética. 

Thatcher pega num país em bancarrota, resgatado por greves de sindicatos fortíssimos, paralisia dos serviços públicos, impostos altos sobre o trabalho e pouca criação de riqueza. Depois de evitar a hecatombe e com a popularidade a descer e o desemprego a subir tem a sociedade virada contra si. Aguentou-se, esperou pelos resultados e disparou. Foi às Falkland defender-se da invasão pela ditadura argentina, venceu-a e veio para casa levada em ombros. No ano seguinte, já com melhorias na economia e a segunda maioria, iniciava o plano generalizado de privatizações reforçando o Tesouro nacional. Foi incentivada a desregulação da bolsa londrina emergindo o protagonismo da banca e o fim do Estado como motor económico. Por esta altura, Mitterrand conduzia a França pelo caminho oposto das nacionalizações e da reforma das esquerdas europeias que pouco vingaram. Entretanto, Thatcher chega à terceira maioria e o seu modelo, articulado com o de Reagan, mostraria à Europa de Leste e à América Latina que havia uma alternativa ao centralismo político estatal. 

A essência do Thatcherismo era a oposição à paralisia a que os estados condenavam os países e uma aposta na liberdade. Ela achava que as nações se podiam tornar grandes, apenas se as pessoas fossem livres, A sua luta tinha um lema: o direito dos indivíduos em gerir as suas próprias vidas, tão livres quanto possível da interferência do estado. 

O sucesso de Thatcher  Pedro Lomba 

O que ela fez  Miguel Esteves Cardoso 



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Apanhar os cacos



NA HORA DO RECATO

O juiz conselheiro Sousa Ribeiro, presidente do Tribunal Constitucional, declarava ontem que agora era altura de se resguardarem (no sossego do Palácio Ratton, certamente). Como não se distinguiram, nem pela obra produzida nem pelas explicações dadas, podem fazer o favor de mais essa maçada. As eminências, depressa esqueceremos; o inestimável trabalho é que não vai ser fácil.

Todos perderam com a decisão do TC.  I - II - III - IV  (Vital Moreira) 

A Constituição e os Juízes, privilégios e violações. (Henrique Raposo)

O nobre colégio que nos tutela... no escuro. (Vasco Pulido Valente)  

terça-feira, 9 de abril de 2013

Estatuto sem vergonha



OBSCENIDADES  E  ESCRÚPULOS  

Com Sócrates e Relvas repete-se a história de licenciaturas habilidosas à portuguesa. E porque não fizeram como em tempos fez o primeiro-ministro inglês John Major, que se assumia não licenciado? Porque lhes faltou coragem para dizer que a sua experiência já não lhes exigia a licenciatura? Por não estarem na Inglaterra e serem portugueses. 

Antes de mais, Miguel Relvas e José Sócrates não foram minimamente escrupulosos. Depois, não se esqueça que estamos num país de doutores e de manha servil. Acabaram enxovalhados por terem sido favorecidos com trapaças no curso. E se assumissem não terem título? Acabariam atingidos pela humilhação e vexados pelo descrédito. 

A snobeira indígena é assim: reage com revolta a qualquer tramóia tal como despreza vulgaridades dos humildes. E quando resvala para o lado mesquinho da coisa, aí, reconhece depressa a esperteza mas não consegue distinguir o mérito.

Mas a bem da verdade e para mal da nação, há licenciados (chamados) com licenciaturas, e licenciados (escolhidos) com sub-licenciaturas.    

Do ingénuo trata o Vasco Pulido Valente
Do inocente cuida o João César das Neves

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ainda a tempo


NA MELHOR DAS HIPÓTESES...

O mais caricato da vida política, no Portugal democrático, é a forma como as forças partidárias perspectivam acordos e pactos de governação. As coligações que habitualmente viabilizam governos de certos países europeus, nunca servem de modelo governativo para os grandes partidos portugueses aplicarem, nem nas circunstâncias  tão excepcionais como as desta fase de falência e resgate nacional. As experiências de projecto comum de governo como o actual têm sido aplicadas, mais pelos partidos da direita que da esquerda, desde que satisfaçam a condição primordial de haver partilha do poder. De compromissos para viabilizar governos ou reformas políticas de fundo, só a partir do parlamento e sem assento no governo, não temos memória. Quando todos sabemos das vantagens de haver um pacto de governação e da estranheza sentida pela Europa por esse acordo essencial não ser preocupação dos nossos políticos. Para qualquer parceiro europeu, só a enorme insensatez dos portugueses justificará a inexistência de um amplo contrato, a partir dos iniciais subscritores do memorando de entendimento, capaz de desbloquear os maiores entraves à tão ansiada reforma do Estado e ao cumprimento das condições impostas pela troika. É lamentável que os principais intervenientes no processo que a bancarrota desencadeou, não sintam a responsabilidade de se dedicarem a esta difícil tarefa, com mais empenho e menos exigências, com outro sentido de Estado.    

O Tribunal Constitucional decidiu, está decidido e cabe aceitar. Mas tal como antes do desfecho muito se praguejou sobre pressões, com a mesma legitimidade se pode agora fustigar o veredicto. Para leigo na matéria: a sentença é resultado de uma interpretação que podia ir noutra direcção como foi no passado ano; a decisão assenta em critérios de igualdade que como pressuposto não se verifica; o problema da apreciação política não desaparece submetendo as normas orçamentais ao texto constitucional; a Constituição é um documento ideológico que condiciona e desrespeita a realidade.

Tanto o Presidente da República como os partidos políticos que solicitaram apreciações de constitucionalidade, acabaram por remeter para os magistrados as decisões políticas. Enquanto isso, os partidos da esquerda parlamentar não deixaram de demonstrar o seu agrado pelo contributo dado pelos juízes para a preservação de direitos sociais adquiridos. Talvez só não valesse a pena esperar que Seguro se dirigisse ao TC para recordar o que disse ao Governo, "quem criou o problema que o resolva". O que de nada serviria. Nem os juízes compensariam o rombo no OE, nem declarariam inconstitucional outro resgate. No final, parece que os chumbos que atingiram o orçamento não serão suficientes para derrubar o Governo. Podem é correr com a troika e fazer voar o dinheiro que ainda nos sustenta.  

O Governo não apresentou sinais de ter ficado muito abalado com o choque e reagiu com o dramatismo que o desenlace justificou. Se o primeiro-ministro decidiu continuar e prosseguir com a orientação política traçada, só podia aparecer com a determinação demonstrada. E não colocando a hipótese da demissão também será dispensável uma eventual remodelação do Governo. Se não é por causa do feitio de Gaspar que há derrapagens nas finanças públicas, se não é a informalidade do Álvaro que dificulta o crescimento económico, que seja dada a importância devida à coordenação política e à estratégia de comunicação, principais fragilidades do executivo.   

Salientar com insistência que foi o chumbo do TC que veio estragar tudo, porque o ajustamento iniciado estava a ser um êxito, é um disparate com pouco sentido. Por agora, o Governo recusa aumentar a carga fiscal e vai minorar o impacto nas contas públicas com cortes nas prestações sociais, na educação e na saúde. São diminuições nos gastos públicos que poderão decorrer da tão adiada reforma do Estado social. Um caminho inevitável e doloroso que é preciso percorrer, para evitar a ruptura anunciada de um sistema de protecção inviável. Não terá outra alternativa para tentar fugir à derradeira saída de um novo resgate.

Nesta fase em que já não sobra espaço para mais falhas, os partidos políticos do arco governativo não podem faltar ao compromisso que dizem ter assumido com os portugueses. Demonstrem com as cedências exigidas pelo projecto de salvação que merecem essa confiança. Recuperar da bancarrota nacional e do impacto da crise europeia na vida económica e social do país ainda é meta distante. Talvez seja esta a última oportunidade para reformar Portugal definitivamente. Essa espécie de desígnio nacional que nunca mais passa das intenções e assim se vai decompondo e definhando. Nós estamos cansados de histórias e do eco dos lamentos. Aquilo que continua a faltar fazer é muito. Mas também é muito aquilo que ainda se pode fazer. Como quem insiste, porque tem a mania de "reiniciar", porque se recusa a "encerrar".

domingo, 7 de abril de 2013

E hoje... é o quê?


Pedro Passos Coelho (novinha)

SIM SR. PRIMEIRO-MINISTRO

No rescaldo da decisão do Tribunal Constitucional, ontem o Presidente da República lembrava que o Governo continua a ter condições para cumprir o seu mandato, enquanto toda a oposição alertava para a necessidade de realizar eleições antecipadas, por não haver outra alternativa com "legitimidade democrática". É bem possível que a todos assista a razão. Quanto ao Governo, não falta muito para que Passos Coelho faça uma declaração ao país.

Para anunciar o quê? Não sabemos. 
Que só continua com um compromisso assinado pelos subscritores do memorando? Tarde demais.
Que exige acordo para avançar com a imprescindível revisão constitucional? Faz todo o sentido.
Que vai remodelar o Governo na procura de revigorada dinâmica? Nada resolve.
Que recusa remodelação governamental para além de substituir demissões? É o mais razoável.
Que respeita o TC mas se demite por não haver condições? Talvez a melhor solução.        

Nesta dura realidade e perante tanta insensatez quiçá a mais responsável saída. Ou não é assim: "Quem criou o problema que o resolva" (e resta Cavaco, não?) Estaríamos entendidos... quanto ao Seguro de Sócrates ou à hipótese do nadador-salvador. Fátima Bonifácio

FIQUEM BEM


sábado, 6 de abril de 2013

Barulho e fantasmas



PRESIDENTE OUVE PASSOS

Quem será... o que será...?


O que faz falta. Helena Matos


Calma, antes de mais.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Efeito Sócrates


IRRESISTÍVEL TELEVISÃO

O Tribunal Constitucional disse de sua justiça, à boa maneira destes tempos. Aparecer para anunciar decisões, à hora dos telejornais, como agora fazem todos os badamecos que presumem ter alguma coisa parta dizer.
Arranjadinhos a preceito, aí estavam as luminárias de toga que decidiram sobre tão transcendente matéria. Portadores do acordão, extenso e trabalhoso, como fizeram questão de lembrar, suspiraram aliviados... que fadiga!
Vão descansar. Até amanhã. Voltaremos ao assunto para não ficarmos a meio desta coisa. Nem uma decisão constitucional nem uma decisão política mascarada de fraseologia jurídica.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O país dos pequeninos



LEGITIMIDADE DE PROGRAMA

Da lengalenga anti-governo fazem parte alarvidades sonantes de tipo variado e habilidosos disparates escolhidos a preceito. Opositor que se preze, seja encartado partidário ou avençado comentarista, não dispensa as fórmulas da praxe, cujas frequentes repetições transformaram em pretensos argumentos válidos. A questão da legitimidade política de quem governa é um desses casos. Ou seja: ninguém discute a legitimidade dos governantes para solicitar um resgate financeiro sem plebiscito eleitoral, todos se indignam e protestam contra a aplicação do acordo feito com os credores por não ter sido consultado o povo. Haverá sempre legitimidade para endividar e resgatar o país, nunca será legítima a austeridade exigida por quem financia essa insolvência. O indígena nada tem a dizer quando se pede dinheiro, só quer discutir como paga a dívida. Esperteza manhosa é o forte dos nativos.     


DESCARTÁVEL MAIS PARA MENOS

Quando se fala de remodelação no Governo a grande dificuldade é o vai-não-vai de Vitor Gaspar. Aqui-d'el-rei que deve ir ou que deve ficar, não faltam sentenças assanhadas. Uma das mais curiosas conclusões sobre o prodigioso Gaspar: é preciso manter o crânio das finanças no governo, tão detestado cá dentro mas bastante respeitado la fora; é inconcebível manter o rosto da tragédia nacional, o ministro que só subscreve desastres para o desgraçado tuga. Sempre os interesses do país, como convém.


A CARTA E A DILIGÊNCIA

Tó Zé Seguro deve utilizar serviços de correio demasiado anacrónicos. Só isso pode explicar tanta lentidão e demora na entrega das suas missívas. Depois diz-se vítima das acusações de que anda desorientado e perdeu o contacto com a realidade. No passado mês resolveu escrever uma carta à troika e, ao que consta, só ontem a franquia recebeu carimbo e guia de marcha. Ainda não foi apurado se o problema foi com a diligência ou do burro que a puxava.


FALTA DE TUDO E DE TEMPO

O Tribunal Constitucional nem se descose nem se queixa das pressões. Vai andando devagarinho no encaixe das peças para um arranjo acertadinho. O certo é que se não tivéssemos uma "casa da democracia" onde é só algazarra de uns quantos atontados, bem como um "guardião da constituição" canguinhas e tremeliques em demasia, a coisa seria outra. Se o Cavaco tivesse pedido a fiscalização preventiva, o Tribunal Constitucional só teria 20 dias para se pronunciar sobre eventuais inconstitucionalidades. Como pediu a fiscalização sucessiva, já passaram três meses, tantos juízes estafadinhos e nada de fumaça. Só nos falta acabarmos todos doidos amontoados no albergue nacional.


A derradeira pressão sobre o Tribunal Constitucional nos muros do manicómio. Paulo Pinto Mascarenhas 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Irracionalidade em narrativa



NÃO VAI SER POSSÍVEL LEVAR ESTE BARCO A BOM PORTO

E o sujeito pensa que pode ter opinião, mesmo sendo o principal protagonista do desastre, mesmo que tenha regressado como partiu: sem aprender nada, sem esquecer nada. José Manuel Fernandes

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pode estar na hora de ir embora



SE NÃO HÁ CONDIÇÕES PARA CONTINUAR É MELHOR RENUNCIAR

Portugal tem um Governo em funções ainda a meio da legislatura, a quem os portugueses confiaram a governação do país, num momento difícil e decisivo, com condições excepcionais impostas, demasiado exigentes para cada português. Em menos de dois anos, após a bancarrota e o resgate nacional, com mais ou menos competência, melhor ou pior do que se esperava, todos os membros do governo fizeram o possível e o impossível pela recuperação do país, até esta fase tão crucial. Percorrido o trajecto inicial, não é difícil reconhecer tudo o que tem dificultado ou impossibilitado a acção do Governo, obstáculos demais para impedir uma inversão do rumo depressivo. Hoje, o sentimento da maioria dos portugueses é de muito desânimo e grande impotência, perante uma realidade tão dura e persistente.

Aqui chegados, especialistas mais ou menos comprometidos, opiniões da generalidade dos quadrantes políticos, muitos sujeitos dos que engrossam tanta unanimidade, todos apontam numa mesma direcção: temos um Governo maioritário que se encontra paralisado e sem espaço, que vem perdendo a iniciativa e a credibilidade, a quem será impossível corrigir percursos falhados, retomar tarefas suspensas, imprimir dinâmicas renovadas. Se é um país saturado e descrente que assim percebe o seu Governo, tão esgotado e sem vigor, num beco sem saída, dificilmente acreditará em quem governa.

Dos partidos políticos que subscreveram o memorando de entendimento detalhando as condições do resgate impostas pela troika, o Partido Socialista jamais equacionou a possibilidade de viabilizar um pacto de regime capaz de sustentar as verdadeiras reformas do Estado. Apenas se empenha, desde que está na oposição, na confrontação política, à espreita da possibilidade de voltar ao poder. E foi com essa leviandade que avançou agora com uma moção de censura, apenas reflexo de oportunismo político sem quaisquer consequências práticas. Para os socialistas e restante oposição, o único discurso vigente é a defesa do investimento público para fomentar crescimento económico, mais a recusa da austeridade que não consideram consequência do passado mas opção do presente. Os habituais disparates dos incorrigíveis que mais contribuíram para o atoleiro em que Portugal caiu.    

Do Presidente da República não vale a pena esperar muito mais. Compete-lhe como supremo magistrado da nação, cumprir e fazer cumprir a Constituição. Isso não significa que alguma vez esteja disponível para medidas que considere extremas. Mesmo que o Tribunal Constitucional se pronuncie pela inconstitucionalidade das normas orçamentais e caso o executivo PSD/CDS se recuse a apresentar um plano de alternativas, é pouco provável, em qualquer circunstância, que o Chefe do Estado actue demitindo o Governo em funções. Nesta fase da sua magistratura, Cavaco Silva é já considerado politicamente moribundo, muito empenhado em não se comprometer com qualquer medida fundamental de ruptura, cada vez mais preocupado em preservar o que lhe reste de prestígio, apenas para terminar a carreira política com alguma dignidade, bem longe da criatura etérea que aspirava ser.     

O actual momento político poderá ser de viragem, se surgirem condições que permitam ao Governo recomeçar a caminhada com outra vitalidade. Algo pouco expectável. Mas poderá ser de ruptura, quando for conhecida a decisão do Tribunal Constitucional, se o Governo for forçado a reconhecer o que parece óbvio: pelas inconstitucionalidades no orçamento de 2013 desapareceram as condições mínimas de governabilidade. Note-se que a maioria dos constitucionalistas tem antecipado, não ser apenas a “contribuição extraordinária de solidariedade sobre as pensões”, aquilo que os juízes considerarão inconstitucional (e a única verba que seria viável recuperar sem medidas suplementares de austeridade). Sendo dados como certos os chumbos de outras normas fiscalizadas, quando toda a gente reclama que deixe de se falar de austeridade porque é capricho apenas de quem governa, ao Governo, aqueles a quem todos os fracassos se atribuem, só restará uma saída: renunciar. 

Se tantas vozes autorizadas chegaram à derradeira conclusão que o Governo nada mais pode fazer, se não há remodelação que possa pôr o executivo a funcionar, se aqueles que estão destinados para salvar o país são os que de fora só exigem que se demitam ministro a ministro... e se o Governo de Portugal ainda é constituído por pessoas responsáveis que primeiro pensam no país, só resta ao primeiro-ministro apresentar a demissão, sem mais perda de tempo. Para grandes males, grandes remédios. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um dia não são dias


SENADORES SEM SURPRESAS

Ângelo Correia: "Sócrates não mudou. Perdão, mudou num detalhe, a utilização permanente da expressão "narrativa". Percebe-se assim o fim último do curso de filosofia em Paris. O eng. Pinto de Sousa aprendeu pelo menos uma palavra e gosta dela. Já é bom. Pena é que a sua "narrativa" actual não seja completa. O que lhe falta mede a dimensão moral de quem a usa."
Mário Soares: "A entrevista de Sócrates foi o que me fez dar “a mão à palmatória”, acabando por ficar a favor da sua volta, já que tinha sido absolutamente contra o regresso do ex-líder socialista à cena política. A forma como Sócrates encarou os jornalistas e respondeu com “inteligência e muita paciência” fez com que mudasse de ideias. Telefonei-lhe mal acabou a entrevista e disse-lhe isso mesmo. Ele é um político nato. Quanto às consequências futuras deste regresso inesperado, acho que vai ser contra o Governo e nunca contra Seguro.”




As férias de Merkel em Itália (Reuters)

A PÁSCOA DE MERKEL TAMBÉM FOI MOLHADA

Ângela Merkel descansou alguns dias em termas italianas na companhia do marido. Não faltaram “paparazzi” a seguir os passos dos ilustres visitantes e “media” a dedicar espaço circunstanciado à estadia. Curiosos os relatos das nossas televisões:  
"Se a Alemanha se assume como motor económico da Europa, os países do sul vivem mergulhados numa profunda crise que tanto sacrificam as sua populações. Apesar disso, também vivemos um tempo de férias da Páscoa e isso é transversal a todos os países europeus. Mas enquanto muitos portugueses lamentam não ter dinheiro para passar uns dias fora de casa, a Chanceler alemã cumpre o ritual de viajar até à ilha de Ischia, junto a Nápoles, em Itália, aproveitando para gozar algum tempo de repouso. Rapidamente surgiram fotografias nas agências noticiosas, mostrando Merkel em trajes de turista, sem cerimónias, mas com os seguranças sempre por perto.
Isto sem falar da alegada foto da Chanceler Merkel a fazer nudismo na companhia de outras duas mulheres que está a agitar as redes sociais.





BERLUSCONI PRESTES A VOLTAR A PÔR A MÃO NA MASSA

Sílvio Berlusconi está disponível para apoiar a formação de uma grande coligação liderada pelo candidato de centro-esquerda Luigi Bersani. O líder de centro-direita só não aceita a hipótese de um governo tecnocrata ao estilo de Monti em Itália. Para evitar o impasse e facilitar o consenso entre os partidos que saíram vitoriosos das eleições legislativas manifestou esta abertura ao Presidente italiano Giorgio Napolitano.




Cordeiro sem "foda" a caminho da certificação

CORDEIRO SEM "FODA" A CAMINHO DA CERTIFICAÇÃO

O presidente da Câmara de Monção quis, à viva força, que o prato típico da terra, a foda, fosse certificada tal e qual é conhecido o cabrito assado no forno da terra. Foi difícil convencer o autarca de que a lei não é suscetível a tradições e que, como tal, a "foda" teria de cair.
Venceu o braço mais forte da lei. O nome do prato pode manter-se nas ementas dos restaurantes e continuar a ser conhecido localmente desse modo, mas a Lei não permite nomes obscenos. Assim, foi necessário encontrar um termo que não ferisse susceptibilidades. E porque não se trata de anho e nem é muito bem cabrito, tomou o nome de cordeiro, até pela sua ligação à Páscoa.
A origem do nome não é consensual. Há quem conte que alguns criadores cobriam a forragem de sal para os animais encherem a barriga de água e, no dia de feira, parecerem gordos. Quem não conhecia a tramoia e comprava os bichos dizia dias depois: "Mais uma foda!". Outra corrente diz que, empanturrados de cabrito, alguns maridos diriam à mulher que o prato seria melhor que a dita.