Logo agora, com todos os autarcas a prometerem ciclovias... O que terá crescido? O território tem aumentado, tudo se encontra mais distante, a água é o novo combustível, ou é maior o cansaço?
terça-feira, 17 de setembro de 2013
A pior altura do ano

Voltar à escola é uma coisa séria, chata, responsável e
muito pouco lúdica. E toda a gente sabe. Por isso não entendo as caras
sorridentes dos meninos dos anúncios a comprarem mochilas e a felicidade dos
pais a pagarem a conta. Até esses anúncios me irritam. Detesto. O regresso às
aulas cheira a Inverno apesar do sol radiante. É neurótico. Amanhã vou à praia
esquecer que os meus filhos regressaram às aulas e esquecer as centenas de
euros que já gastei nesta triste viagem... Inês Teotónio Pereira
Hora da Rússia de Putin

A RÚSSIA GANHA
A intervenção "cirúrgica" que Obama prometeu foi
felizmente comprometida pela inabilidade dele e por causa de uma coisa de que
já ninguém se lembrava, excepto para a desprezar: a opinião pública. A data
estava marcada e o plano pronto, quando Cameron e Obama descobriram, para sua
surpresa, que a Inglaterra e a América não queriam qualquer espécie de guerra.
O Parlamento paralisou Cameron; e Obama, isolado doméstica e diplomaticamente,
resolveu adquirir alguma legitimidade e pedir ao Congresso que o apoiasse, mas
logo se viu que esse apoio era duvidoso, mesmo entre os representantes do seu
próprio partido. De fora, só ficou a França, que sempre viveu entre o
autoritarismo e as revoluções. Bastou a Hollande uma discussão sem votos na
Assembleia Nacional para reafirmar uma aventura que mais de 60 por cento do
eleitorado rejeita.
A incerteza e as demoras que estas peripécias provocaram
deram à Rússia uma grande oportunidade: a oportunidade de aparecer como
intermediária entre a Síria e Obama numa situação em que o Ocidente se tinha
metido num beco sem saída. Que vantagens tira a Rússia disso? Fora o prestígio
de Estado "normal" (que anda longe de ser), mete a América, se ela
por acaso aceitar, num sarilho sem fim. A proposta de retirar ou destruir o
arsenal químico de Assad (que se calcula entre 1000 e 10.000 toneladas de gás)
é manifestamente absurda. Para começar, exige que Assad confesse onde o
escondeu, ou seja, por outras palavras, concede a Assad uma grotesca confiança.
Em segundo lugar, exige à volta de 1000 peritos, que, para se moverem em
segurança, precisam de tropas da América, da Europa e da Rússia. Em terceiro
lugar, exige dinheiro: muito dinheiro. Em quarto lugar, exige um armistício
entre as várias partes da guerra civil, que pode durar, com optimismo, quatro
ou cinco anos. Finalmente, exige o fortalecimento de Assad - como se
compreenderá, indispensável a tudo isto.
A situação agora é esta. Se as negociações entre a América e
a Rússia falharem, a Rússia acusará, como de costume, a América de imperialismo
e má-fé; e Obama ficará praticamente impedido de avançar com a sua
"intervenção cirúrgica". Se as negociações não falharem, a América
entregará sem um gesto a Síria ao sr. Putin. Mas, pior do que isso, a
incapacidade da esquerda (americana ou não) para perceber as realidades do
poder será arrasadoramente provada e a América voltará tarde ou cedo a uma
forma atenuada de isolacionismo. O que de certeza não fará bem nenhum ao mundo.
Vasco Pulido Valente - Público
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Obama e a América no Mundo
Putin acaba de se afirmar como o verdadeiro mestre no
complexo xadrez do Médio Oriente. Ou como um autocrata que fez da nascente
democracia russa uma caricatura grotesca se permite dar lições de moral e de
bons costumes. Os que não gostavam de um Mundo onde a América intervinha com
frequência, vão ver agora se gostam de um mundo de onde ela está ausente... José Manuel Fernandes
Democracia à portuguesa
Destes já estamos aliviados. Quanto à informação livre para saciar a populaça, faz todo o sentido. Mas ter de conviver com malabarismos de artistas manhosos em doses industriais, é penoso. Paulo Pinto Mascarenhas
Fragilidade da política


“Estão a acontecer mais mudanças do que aquelas que
conseguimos compreender. Ninguém sabe ao certo para onde vai. Por isso é errada
a tendência muito na moda de dizer que sabemos o que devia ser feito. E devemos
ser sinceros e reconhecer que também não sabemos o que deve ser feito. Por vezes
estamos a criticar o que é feito pelos políticos com base na ideia de que os
cidadãos saberiam perfeitamente o que deveria ser feito, mas que infelizmente
tivemos o azar de nos ter caído em cima uma classe política que não sabe o que
fazer”.
“As pessoas que conseguem mudar o mundo são os moderados e não os radicais. São os
moderados dos diferentes partidos que mudam as coisas. Como por exemplos, os
negociadores da paz na Irlanda do Norte ou Nelson Mandela. Foram Gandhi e
muitos outros que alteraram para sempre a forma de ver as relações de poder,
sem ser no sentido caótico, bárbaro e assassino que foram os de Hitler,
Estaline ou Mao”.
“A política, na sua essência, é a arte do possível e da
escolha do mal menor. A decepção fará sempre parte dela, porque a política é
sempre a escolha entre uma coisa mal e uma muito pior. Na verdade, a ideia de
podermos criar uma espécie de paraíso na terra tem-nos custado muito caro.
Seria bom que percebêssemos que ninguém, nenhum de nós, sabe sair deste
atoleiro. Mas que há uma forma simples de descobrir quem sabe ainda menos: os
que fazem de conta que sabem”.
Ideias a reter que ajudarão a compreender melhor o momento actual. Henrique Monteiro
domingo, 15 de setembro de 2013
Mundos com lados estranhos

Que mundo será este, que realidade será esta, que criaturas serão estas, que sentido fará tudo isto?... Como o problema não deve ser o Cristiano Ronaldo nem o Real Madrid, o que será, então?... Ou não será problema?
Fora da toca


Nas televisões, já se esticou por quase todas e até foi burro numa delas. Quanto a mocinhas, não é novidade que dê para ficar grilado. Notícia seria se o Grillo fosse outro.
Ninguém é o que já foi

A existência humana implica que compreendamos que não fomos
criados para qualquer espécie de imutabilidade. Os sucessos e fracassos de cada
dia pertencem mais a esse dia do que a quem os protagonizou. Aprender com o
ontem não significa ter de ficar por lá. O passado não existe. Passou. O Homem
existe enquanto lançado no tempo, segue a uma velocidade constante em direcção
a todos os horizontes possíveis, ao futuro aberto… José Luís Nunes Martins
sábado, 14 de setembro de 2013
Levados pela melodia
Dar música ao alfacinha. Afinal de contas com o que se deve preocupar um presidente com vitória assegurada? Quem canta seus males espanta.
Carro do Papa e de muitos

A propósito de carros milagrosos, não faltam desconcertantes experiências a bordo da Renault 4L e branquinha.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Retoma no Rato
Aos empurrões da precipitada campanha, Seguro treme, Costa sorri, Sócrates conspira. Com as (in)convenientes autárquicas a mexer, as incógnitas são outras. Luciano Amaral
Campanha invisivel

É lamentável, mas é cada vez mais o retrato do país que
temos. Um país de formalidades cheio de legislação inútil… Henrique Monteiro
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
A venerada Constituição

É oficial: a Constituição não permite que o Estado encolha.
Escusado tentar cortar aqui ou ali. Não se consegue reduzir a quantidade de
funcionários públicos nem os respectivos ganhos a ponto de transformar uma
máquina imensa e inviável numa estrutura funcional e suportável. É assim. É proibido.
Podia ser pior. A Constituição podia afirmar explicitamente, ou sugerir à
leitura dos senhores juízes do TC, a obrigatoriedade de cada repartição
municipal empregar um mínimo de seis mil criaturas. Ou a necessidade de cada
conservatória do registo possuir cinco girafas nas traseiras. Por sorte, os
iluminados que nos gloriosos tempos posteriores à revolução de 1974 redigiram o
documento, foram suficientemente vagos para que o pessoal das câmaras municipais
ainda caiba dentro delas. E dispensaram as girafas. Em suma, eis a Constituição
que nos calhou e a qual, conforme avisam centenas de comentadores orgulhosos,
temos de respeitar… Alberto Gonçalves
Já não há guerras convencionais

NÃO LHES TOQUEM
Não há diferença entre uma expedição punitiva, como a que
Obama planeia contra a Síria, e uma guerra. Para ganhar uma guerra, são
necessárias três condições. Primeira, que os objectivos estejam bem definidos.
Segunda, que uma vez cumpridos, retirem radicalmente ao inimigo as
possibilidades de retaliação. E, terceira, que o agressor tenha um plano para
substituir o regime que liquidou ou caiu por efeito da sua ingerência. Na
Síria, a América não pode contar com nenhuma destas condições. Não existe
maneira de avaliar ao certo a que objectivos (muitos deles dispersos, depois do
anúncio oficial de Obama) os mísseis da América conseguirão chegar. A queda
imediata de Assad não parece fatal. E, pior do que tudo isso, não existe um
partido ou uma aliança política capaz de sustentar em relativa ordem um novo
regime.
As fronteiras da Síria com o Líbano, a Jordânia, o Iraque, a
Turquia e principalmente Israel permitem a Assad criar o caos na região e
alargar a guerra, hoje propagandeada como uma espécie de "operação cirúrgica",
a uma guerra regional em que, tarde ou cedo, o Irão também se envolverá. Diga
Obama o que disser, o que a América agora começar não acabará tão facilmente
como começou. Não surpreenderia ninguém que durasse tanto ou mais do que a
campanha do Iraque e a do Afeganistão, que continua sem fim à vista, excepto o
de uma retirada vexatória. O "castigo", porque Obama e, por exemplo,
Hollande, falam esta linguagem "moralizadora", corre o perigo de se
transformar num corpo-a-corpo universal para a recomposição
"nacional" e religiosa do Médio Oriente, que a Inglaterra e a França
talharam e retalharam em 1918 para os seus próprios interesses.
Sobre isto, a oposição na Síria (como, em parte, o partido
do Governo) é um aglomerado de grupos, que se detestam por razões religiosas,
políticas, tribais, linguísticas, geográficas, mas fundamentalmente étnicas.
Basta dizer que, quando era uma colónia da França, a Síria foi dividida em
quatro províncias, que entre si viviam isoladas e só comunicavam com Damasco.
Os famosos "liberais", de que a propaganda ocidental não pára de
falar, não passam de uma pequena "clique", sem força ou influência,
perdida na turbulência da guerra interna, para que, aliás, não contam. Obama
devia perceber, mas provavelmente os seus serviçais não o ajudam, que a
América, como a Europa, a China, a Índia e o Brasil - gente de outros mundos,
de outras culturas, de outras tradições -, não se pode imiscuir nos problemas
dos islamismos, sem grave risco para o Islão e para si mesmos.
Vasco Pulido Valente - Público
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Catalunha e independência no horizonte

Os independentistas catalães celebram a 11 de Setembro o Dia
Nacional da Catalunha. Ao longo do dia de hoje, as estradas da Catalunha têm-se
vindo a encher com cidadãos que participam na "Via Catalã", uma
corrente humana organizada para atravessar aquela região espanhola de ponta a ponta.
A cadeia completar-se-á pelas 17h14, para recordar o ano de 1714, no qual teve
lugar a Guerra da Sucessão espanhola. A cadeia, que passa por locais
emblemáticos como o Parlamento regional ou uma bancada do estádio do Futebol
Clube Barcelona, é a forma escolhida pelos separatistas para assinalar a
"Diada". O trajecto de 400 quilómetros começa fora da Catalunha, na
Comunidade Valenciana, e termina já em França. Em 2014, o governo regional deseja
realizar um referendo sobre a independência da Catalunha. No entanto o Governo
espanhol não está disposto a aceitar uma consulta que a Constituição não permite. Caso a consulta não seja consentida por Madrid, os
nacionalistas catalães ameaçam tornar as eleições regionais de 2016 num
plebiscito à independência.
Depois da excessiva condescendência dos governos socialistas nos
últimos anos e da exagerada delegação de poderes do governo central, em áreas fulcrais e demasiado sensíveis como a
educação, tem crescido o antagonismo contra Madrid. Sistematicamente, tem sido
levada a cabo uma cuidada manipulação da história espanhola com o consequente reflexo dessa deturpação
no ensino escolar. Decorrido o tempo e perante os factos, a realidade na Catalunha alterou-se bastante. Na actualidade, é grande a incerteza quanto à real dimensão do sentimento anti-espanhol.
Incertezas à esquerda e à direita
São as sondagens que surpreendem, com recuperação do PSD e declínio do PS, é a dúvida dos socialistas acerca do resultado mais conveniente nas autárquicas, é o dilema de mais ou menos Seguro, entre a espada de Passos Coelho e a parede de António Costa. Paulo Pinto Mascarenhas
Não está fácil ser Prof.
Na mobilidade especial para completar horário. Como os sindicatos para nada servem, é preciso fazer pela vida, mesmo sem roupa.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O Papa padrinho
Sobre as grandes hipocrisias dos católicos penteadinhos que
se julgam donos da fé e da Igreja... Henrique Raposo
Espanha e duas realidades distintas
Espanha, com se vê a si própria e como é vista pelos outros. Que diferente, quando descrita pelos espanhóis ou observada pelos outros países. O comité olímpico internacional rejeitou a modesta candidatura "low cost", Madrid 2020, quando os espanhóis já se tinham convencido que eram os grandes favoritos.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Assim não vamos lá

A frase "partir é morrer um pouco" parece ter em
português a variante "mudar é morrer um pouco". Fica a ideia que
estamos fartos de diagnosticar: em Portugal nada pode mudar, mesmo quando todo
o mundo muda a uma velocidade que nos deixa zonzos... Henrique Monteiro
Cinismo e hipocrisia dos juízes do TC
Deve ser culpa de Agosto. Muitos dos que comentaram a decisão do TC sobre os despedimentos na função pública, não devem ter achado necessário ler o acordão. Só assim se compreende a quantidade de gente que tem vindo a pedir "respeito pelos juízes". E basta ler o acordão para perceber que foram os juízes que não se deram ao respeito. Embrulhados em fraseologia jurídica e constitucional, os argumentos do TC são de notório activismo corporativo. Não faltou quem ficasse abespinhado por o primeiro-ministro ter defendido que nestas alturas devia haver bom senso. Só pecou por defeito, na sua crítica à decisão do TC... José Manuel Fernandes
Ataques punitivos
A ILUSÃO DE OBAMA
Obama vai levar a América para uma guerra que ele julga
rápida e localizada. Ou seja, partilha uma ilusão histórica que invariavelmente
acabou mal. Em 1914, a Alemanha apoiou a Áustria, o famoso "cheque em
branco", porque em parte (e só em parte) julgava que as coisas ficariam
por uma invasão da Sérvia. Em 1939, o próprio Hitler, já em guerra com a
Inglaterra e a França, pensava que uma e outra acabariam por não intervir
militarmente. Da Antiguidade até hoje esta espécie de optimismo cego e surdo
matou, como se sabe, dezenas de milhões de pessoas. Obama anunciou um ataque
punitivo contra a Síria, prometendo que ele não iria durar muito, que não poria
tropas no terreno e que nem sequer era dirigido a liquidar o regime de Assad. O
uso de gás contra civis (427 crianças) clamava por castigo. Sem mais.
Sucede que depressa se viu que Obama e o seu irresponsável
aliado, David Cameron, estavam isolados. Primeiro, estavam isolados
diplomaticamente. Excepto a França, nenhuma potência ocidental, grande ou
pequena, se queria envolver numa aventura tão ambígua e perigosa. Segundo,
tanto na América como em Inglaterra o grosso da opinião pública (60 por cento)
condenava um exercício de força, que, em princípio, deixaria Assad em Damasco
e, se a situação se complicasse, talvez degenerasse numa guerra, que tarde ou
cedo acabaria por se alargar ao Médio Oriente inteiro. Para não falar nos
bandos de milícias, nomeadamente no Hezbollah, que não tardariam a intensificar
o terrorismo no Ocidente.
Por isso, Cameron foi obrigado a pedir a confiança do
Parlamento, que a recusou; e Obama a do Congresso, que, pelos debates, não
parece muito entusiasmado. A maioria da Comissão de Estrangeiros do Senado
votou pelo Presidente por uma pequena margem (10-7) e depois de ter garantido
ao senador McCain um reforço substancial da ajuda aos rebeldes (que incluem a
Al-Qaeda). Na Câmara dos Representantes, mais próxima do cidadão comum, a
percentagem de "hesitantes" é altíssima (acima dos 70 por cento),
porque a populaça não esqueceu o Iraque, continua a suportar o Afeganistão e
não ignora que uma nova ingerência da América no Médio Oriente aumentará o ódio
universal ao autoproclamado "polícia do mundo", desta vez arvorado em
director de consciência. Por aqui, o Governo ainda não abriu a boca sobre o
assunto. É o melhor.
Vasco Pulido Valente - Público
domingo, 8 de setembro de 2013
Tempos de impreparados

Lamentavelmente, para o criador e para a criatura... bem como para os que acreditaram na redenção. Há coisas que tanto tempo levam a perceber, para perdição de tantas almas.
Decepção olímpica







Como tantas vezes, os excessos apaixonados dos espanhóis ofuscaram a realidade e retiraram sensatez a este povo de arrebatamentos. Com muita emoção e pouca razão, achavam impossível não lhes serem atribuídas as olimpíadas. E pela terceira vez consecutiva, Madrid voltou a não ser escolhida para organizar os Jogos Olímpicos. Tanto entusiasmo, tanto convencimento, tanta ilusão, só podia levar a um desapontamento total. Istambul tinha um aliciante arriscado dos primeiros jogos num país de cultura islâmica. Tóquio protagonizava a candidatura da modernidade tecnológica do continente asiático. Madrid até esqueceu que ainda há duas décadas houve olimpíadas em Barcelona. Para agravar, não resistiram e desvalorizaram as outras candidaturas: a dos turcos com a instabilidade sócio-política, a dos japoneses com as sequelas do último desastre nuclear. Os comités olímpicos que escolheram foram sensíveis a tudo isso e optaram por Tóquio. A escolha mais óbvia para organizar os Jogos Olímpicos de 2020. Como pesa a pujança económica. E nesta fase, a Espanha não se recomenda.
sábado, 7 de setembro de 2013
Quem é a França?

E sobre Hollande, que dizer? A esquerda portuguesa guarda
respeitoso silêncio, prerrogativa que não concede a ninguém. Esta
crítica não se aplica ao histórico Alfredo Barroso. Até agora o único que
criticou a decisão de Hollande. Mais: anunciou que deixa o PS se os socialistas
portugueses apoiarem uma intervenção contra Damasco (...quando o ridículo é a
única coisa que comove). Por ironia, Hollande bem pode ser a vingança de George
W. Bush sobre todos os que o acusaram de coisas que nem vale a pena repetir... Henrique Monteiro
Combater a intolerância

Como para tantos outros disparates e palermices, a sociedade tem condições para, com aceitáveis custos, proporcionar uma vida de convivência pacífica sem segregações. A perseguição ao tabagismo é uma paranóia da irracionalidade dos nossos tempos. Sensatez mínima, é o que se exige. Saragoça da Mata
Deixem as crianças em paz!

Escolher os amigos das criancinhas, obrigar os petizes a suportar os filhos daquelas enfadonhas amizades do tempo da escola... Pobre miudagem. E os direitos da criançada, não chegam aqui? Boa razão tinha um pediatra que eu cá sei: não desperdiçava uma oportunidade para incitar os filhos (dos outros) a desobedecerem às regras mais comuns do quotidiano familiar. Inês Teotónio Pereira
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O País do PS é outro

Os socialistas a zorrinhar. Quando aumenta o número de criaturas que questionam as razões para haver tantas vítimas entre os bombeiros voluntários, aparecem uns saudosos da parasitagem a lamentar a falta dos governadores civis, tão úteis nestas logísticas. Do que se haviam de lembrar. O fogo ajuda a pensar.
Ilusões para todos os gostos

O CHEFE DA OPOSIÇÃO
O dr. Mário Soares, numa das suas declarações proféticas,
disse que Passos Coelho tinha dado um "presente envenenado" a Paulo
Portas. Por um lado, acertou; por outro, errou. Antes de mais nada, os novos
poderes de Paulo Portas, como qualquer político sabe ou devia saber, não foram
um "presente". Mas que são um "veneno" não há dúvida
nenhuma. O que me espanta é que o dr. Soares não perceba que esse mesmo
"veneno" numa dose muito mais tóxica vai ser passado em 2014 ou 2015
para as mãos de António José Seguro ou, pelo menos, para as do PS: e que depois
voltará o PSD (com ou sem o CDS), que imperceptivelmente empurrará o país para
a consumação da sua desgraça e acabará por cair, sem o PS, como hoje, precisar
de mexer um dedo. Este equívoco de Soares, e de quase toda a gente, assenta em
ilusões quase incompreensíveis.
Primeiro, há a ilusão de que o Governo adoptou uma política
assente na maléfica "teoria da austeridade", uma ideia americana (e
falsa) de que a "austeridade" é compatível com o crescimento e até o
favorece. Vítor Gaspar e Passos Coelho seriam uma nova espécie de fanáticos,
incapazes de "ver" a realidade e as consequências do que faziam. Para
a esquerda e para Soares, bastaria portanto que uma dúzia de cabeças
socialistas, com a sua notória racionalidade e lucidez, substituísse essa
enlouquecida trupe para que o país começasse a arrebitar. A segunda ilusão é a
ilusão de que a Europa irá necessariamente abrir a bolsa para nos tirar de
sarilhos, quando a Europa com dinheiro não só não quer abrir a bolsa, mas não
quer abrir um precedente perigoso ou, pior ainda, inaugurar a
irresponsabilidade geral.
A terceira ilusão inverte limpamente a aberração que se
atribui ao Governo e sustenta que o crescimento é compatível com a
"austeridade". E a última ilusão, a mais grave, de Seguro e da
esquerda, está em que ganharão alguma coisa em "negociar" com os
credores: um exercício que exige a confiança dos credores, que, se por acaso
existisse, dispensaria negociações. Um velho ministro da Monarquia escreveu uma
vez que não valia a pena discutir ininterruptamente no Parlamento e nos
jornais, porque o chefe da oposição era o défice e o défice não se deixava
convencer. A azáfama dos partidos por causa de uns votos para as câmaras roça o
obsceno. Na penúria, e com a perspectiva de mais miséria, o único objectivo
sério que lhes sobra é a sua própria sobrevivência. Só que o défice não lhes
fará o favor. Nem à direita, nem à esquerda.
Vasco Pulido Valente - Público
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Dinossauros reanimados
Sobre a limitação de mandatos autárquicos, foram os partidos os responsáveis pelo instrumento legal em vigor. Acharam que não suscitaria dúvidas e optaram
por não clarificar a Lei. Decidiram esgrimir os argumentos que lhes soavam mais
convenientes no espaço mediático, mas não lhes chegou a coragem para esclarecer
o assunto no local próprio, o Parlamento. Quiseram fingir limitar mandatos,
quando no fundo o seu objectivo era prolongá-los. O Tribunal Constitucional fez
a vontade aos principais dominadores nas autarquias do País... Paulo Morais
O pior das autarquias

Com o tempo surgiram vícios de toda a espécie, proporcionais ao crescimento das receitas. Só com menos dinheiro à disposição dos caciques será viável a necessária limpeza. Paulo Pinto Mascarenhas
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Arrogâncias sem emenda

Há uma superioridade na moral da esquerda, evidenciada pelos postulados que fundamentam o comunismo. Na perspectiva de quem não o contesta, o bem está do lado deles. Até quando tanta condescendência?... Maria Fátima Bonifácio
Uma lição de democracia

UMA GUERRA ABSURDA
Cameron foi proibido pela Câmara dos Comuns de intervir na
Síria por meios militares. Trinta deputados do Partido Conservador votaram
contra o Governo e também nove deputados do outro partido da coligação. Cameron
disse que tinha compreendido a ordem do povo e declarou que lhe obedeceria.
Nunca tinha acontecido antes que um primeiro-ministro perdesse uma votação
quando se tratava de decidir entre a guerra e a paz. Sucedeu agora. Apesar de
uma crescente dependência e disciplina, ainda apareceram nos grupos parlamentares
40 indivíduos que seguiram a sua opinião (e a sua consciência), em vez de
seguirem obedientemente a política do seu chefe e senhor. A lição que a Câmara
dos Comuns deu a Cameron não seria possível em Portugal. Em Portugal, a
Assembleia da República faz tudo o que lhe mandam.
E assim Obama ficou sozinho. E por culpa dele. Primeiro,
resolveu estabelecer perante o mundo a famigerada "red line" contra o
uso de gás. A seguir, ameaçou com uma intervenção, como se não precisasse de um
mandado da ONU ou sequer de esperar pelos peritos que foram à Síria. E, no fim,
acabou internacionalmente isolado, sem o apoio dos países do Médio Oriente
(tirando Israel), sem o apoio da "Europa" (tirando a França) e sem
apoio do próprio Canadá. Vai meter a América numa nova aventura (mais perigosa
do que a do Iraque e a do Afeganistão), acompanhado apenas pelo sr. Erdogan da
Turquia e pela Arábia Saudita, dois parceiros que não se recomendam. O
comportamento errático de Obama e as dezenas de erros que cometeu comprometem
um mandato estimável e provavelmente acabarão por inutilizar o segundo.
Pior do que isso, Obama não pretende liquidar o regime de
Assad (até porque não existe na Síria uma oposição capaz de o substituir) e
sabe muito bem que um "ataque cirúrgico" não mudará em nada a
situação estratégica. O que ele quer é castigar Assad pelo crime de matar com
gás 1400 pessoas (400 crianças) e, julga ele, impedir que o caso se repita. O
prestígio da América está em jogo, pensam loucamente os serviçais da Casa
Branca e Obama imagina que uma "pequena" intervenção da América não
trará consequências de maior. No que se engana: uma violenta retaliação de
Assad é susceptível de sublevar o Médio Oriente inteiro e, em última análise,
empurrar a América para uma longa, frívola e mortífera campanha. Que o sr.
Hollande, impotente e desarmado, se alivie de algumas cretinices que pesam no
seu doce coração não interessa muito. Mas que Obama o imite é com certeza
catastrófico.
Vasco Pulido Valente - Público
terça-feira, 3 de setembro de 2013
A inevitável consequência
Num sistema de manutenção de docentes sem ocupação por tantas escolas, mantido e tolerado manhosamente durante décadas, no conluio entre a tutela e os sindicatos, seria impossível poupar ao desemprego tantos licenciados que até agora se dedicavam à docência, quando chegasse a hora de iniciar verdadeiras alterações no recrutamento de professores. É a angústia de mais desempregados.
Sinais do fim da crise (?)

A recessão económica parece ter feito o seu caminho. Resta a irresponsabilidade política num Estado com quase todos os ajustamentos por fazer. João César das Neves
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Frontalidade - a mossa que faz
Quando a boçalidade se expande o povo não é culpado. Afinal
ele não faz mais do que macaquear as elites... José Manuel Fernandes
Frente anti-piropos

Chegou a hora de controlar os piropos - enquanto elogios deselegantes e grosseiros ou assédio verbal agressivo e insultuoso. Simplificando, mais luta contra a violência de género. Insaciável rebeldia. Ridículo desta espécie, não acaba com os figurões mas arrasa os galanteios. As "boas como o milho" deram lugar às "velhas com buço". Henrique Monteiro e Henrique Raposo.
domingo, 1 de setembro de 2013
Não deixar de sonhar
Só nos temos a nós próprios e ao nosso valor. É necessário
que os portugueses compreendam e sintam quanto valem. Chegou a altura de
voltarmos a ser responsáveis por Portugal, pelas nossas vidas e pelo nosso
futuro colectivo... Já não era sem tempo.

