sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Boa ideia mandar o fisco "tomar no cu"



"Caro Paulo Núncio: queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar fiscalizar-me à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência". Francisco José Viegas.



Francisco José Viegas avisou que se alguém o fiscalizar, para saber se pediu factura, lhe dirá para ir “tomar no cu”. Num surpreendente post publicado no seu blogue "A Origem das Espécies ", o ex-secretário de Estado da Cultura leva aos limites a crítica ao actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais por causa da emissão de facturas.
Neste País de práticas manhosas e contraditório apreço pela liberdade, esta fiscalização em larga escala deverá dividir os portugueses: numa maioria de prevaricadores que tanto reclamam por muita acção fiscalizadora do Estado controleiro, e num grupo minoritário dos que já não suportam mais a intromissão da ineficaz e corrompida máquina eatatal em tudo aquilo que mexa.
Segundo informações do gabinete de Paulo Núncio: “como a lei é aplicável a todas as transacções é sempre obrigatório emitir/exigir factura”; “as novas regras criam condições necessárias para a fiscalização da AT”; “as acções de fiscalização podem ser realizadas à saída dos estabelecimentos”; “já existem processos de contra-ordenação instaurados a consumidores finais”; ”tudo para combater a economia paralela e a evasão fiscal”… Compreendido. 
Como multa a AT e como identifica o infractor na via pública? Para quem recusa a ordem, puxam da pistola, é à estalada, é ao pontapé, ou vão chamar a polícia? E qual a legislação que se aplica ou a regulamentação em vigor? Na qualidade de consumidor final, serei responsável pela eficácia das brigadas de inspecção? Em que espécie de agente me querem transformar?  
Assim mesmo, Francisco José Viegas. O teor “curto e grosso” é a forma mais adequada para responder aos exageros persecutórios sucessivamente instituidos pela autoridade fiscal. Bom exemplo para ser seguido por todos os que não estão dispostos a tolerar abusos intoleráveis. A oportunidade de cada um actuar pode acontecer a seguir. Nada melhor que aguardar pela sua vez e na hora reagir como se impõe.      


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Coisas do Cupido e da Sogra


No dia em que "um certo ridículo" sai para a rua ou entra em casa, um vulgar contributo, tão "brega" ou "cursi" (na falta de melhor termo no vernáculo lusitano) como tantos outros. 



                                                  Pobre velha música!
                                                  Não sei por que agrado,
                                                  Enche-se de lágrimas
                                                  Meu olhar parado.
                                                  Recordo outro ouvir-te,
                                                  Não sei se te ouvi
                                                  Nessa minha infância
                                                  Que me lembra em ti.
                                                  Com que ânsia tão raiva
                                                  Quero aquele outrora!
                                                  E eu era feliz? Não sei:
                                                  Fui-o outrora agora.

                                                  Fernando Pessoa


Então o arco e muitas flechas de amor


E o que terá a sogra a ver com isto? Muito por ter contribuído com o essencial da festa: a filha ou o filho que dão sentido a tudo... para além de qualquer Bimby.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

E Costa no castelo com Seguro


Para terminarem a beber


António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e mais uma vez putativo candidato à líderança dos socialistas, tanto se encontrou para trabalhar Seguro que acabou por desistir de se candidatar a líder do PS contra o Tó Zé. Ambos anunciaram uma solução de entendimento, por não fazer qualquer sentido, no actual contexto, uma candidatura alternativa a secretário-geral. Não estamos certos. Da parte de Seguro foi anunciado que sendo reconduzido na liderança, será por essa via o candidato do PS a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas. Quanto a Costa, ao mesmo tempo que deixou o caminho livre ao secretário-geral, deu os parabéns ao líder e manifestou disponibilidade para continuar a trabalhar para que o partido tenha o melhor resultado possível nas eleições autárquicas, europeias e legislativas.

Como tantas boas cabeças fizeram questão de salientar, António Costa não deixa repetir as suas investidas para liderar o Partido Socialista, com avanços e recuos que só lhe retiram espaço para futuras tentativas. Das vezes em que teve oportunidade de concretizar a candidatura, Costa reunia condições externas que lhe facilitariam o trabalho de mobilização interna das bases socialistas. Mesmo com bons sinais, repetiu desistências que mal se compreendem e não são habituais nas lideranças fortes. E de pouco servem justificações de procura da unidade, apenas em torno de estratégias supostamente fortalecidas.

Decorrendo as movimentações como decorreram, uma coisa é a “indolência tropical” que sempre tem afectado as apostas políticas de António Costa, outra coisa é o “fantasma de Sócrates”. A ninguém tem passado despercebida a recente agitação da “tralha socrática” no quartel general socialista. Pelo que se tem observado, pode fazer todo o sentido para os fiéis do "Zé de Paris", ver Costa com outro compromisso político, para além da presidência da autarquia lisboeta. Na liderança do PS, arriscaria ser primeiro-ministro nas próximas eleições. Livre do comando dos socialistas, teria todas as condições para ser candidato à Presidência da República. A questão é saber o que convém ao nativo africano e aos seus adversários. Na perspectiva dos socráticos, onde será melhor ter ancorado o "Cargueiro Costa", quando o "Afrancesado Zé" resolver voltar? Se calhar nem eles sabem.   

e pra tudo se acabar na quarta-feira



Mas hoje é o Dia Mundial da Rádio 
(ah esse fraquinho de que poucos sabem) 


Porque continua a ser importante ainda merece a comemoração


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Outros Carnavais









Há quem renuncie por falta de forças...



...e quem sonhe chegar ao Vaticano.



Macário Correia diz que se vai manter em funções na Câmara de FaroIsaltino Morais apresentou última reclmação antes da pena transitar em julgado

Macário Correia recusa abandonar funções invocando nulidade do processo. Isaltino Morais procura travar a pena com recurso atrás de recurso.






55ª edição dos prémios Grammy
  
Os britânicos Mumford & Sons conquistaram o prémio de melhor álbum do ano com 'Babel'. A melhor gravação de 2012 distinguiu Gotye com o tema 'Somebody That I Used To Know'. A banda nova-iorquina Fun conquistou o galardão para melhor novo artista. Foram estes os grandes vencedores nas três categorias principais de mais uma edição dos prémios norte-americanos da música.




Ben Affleck, realizador de 'Argo', vencedor de prémio para Melhor Filme


Ben Affleck, realizador de "Argo", premiado  pela melhor realização e pelo melhor filme. 

O filme 'Argo' venceu mais uma etapa na caminhada para os Óscares, ao arrecadar o galardão atribuído pela Academia Britânica de Cinema e Televisão para o Melhor Filme, e ainda ofereceu a Ben Affleck o prémio de Melhor Realizador, tendo também arrecadado a distinção para Melhor Montagem.
Nos últimos quatro anos seguidos, e em cinco dos últimos dez, o filme galardoado com o Bafta recebeu também o Óscar, o mais importante galardão da indústria cinematográfica, o que coloca o drama passado em 1980 e que conta a história do resgate de seis diplomatas norte-americanos do Irão numa posição privilegiada para lutar pelo Óscar.
Produzido pelo actor George Clooney e Gran Heslov, "Argo" deixou para trás o filme "Lincoln", que se ficou pelo prémio Bafta para melhor actor, graças ao desempenho do britânico Daniel Day-Lewis. O filme realizado por Steven Spielberg era o mais nomeado nos prémios da academia britânica.
A actriz francesa Emmanuelle Riva, de 85 anos, arrecadou o prémio Bafta para melhor atriz, pelo seu desempenho no filme da autoria de Michael Haneke, "Amour", que também levou para casa a distinção de melhor filme estrangeiro.

Lista completa dos premiados da 66.ª edição dos Bafta, prémios da Academia Britânica para as Artes do Cinema e da Televisão (BAFTA) entregues na cerimónia realizada em Londres: 

Melhor Filme: "Argo"
Melhor Filme Britânico: "Skyfall"
Melhor Realizador: Ben Affleck ("Argo")
Melhor Argumento Original: Quentin Tarantino ("Django Libertado")
Melhor Argumento Adaptado: David O. Russell ("Silver Linings Playbook")





Depois de longa ausência no encerramento de competições desportivas, o Rei de Espanha aparece na final da Liga de Basquetebol realizada na cidade basca de Vitória, para na sua entrada e quando soou o hino espanhol, ouvir disto.




Ativista do Femen protesta na nave da catedral de Notre-Dame de Paris


"Feministas celebram saída do Papa em Notre-Dame"
Acabam de obter licença para vestir calças e já tiram a camisa 




Tempestade "Nemo" já fez sete mortos nos EUA


"Tempestade de neve provoca caos nos EUA"
Há alguns anos a isto chamava-se Inverno







segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Regresso da TV Rural


TV RURAL, TV CRISTAS, TV RELVAS...


"O parlamento perdeu um dia a aprovar a "sugestão" da maioria ao governo para impor à RTP um programa como o defunto "TV Rural". O parlamento propõe, portanto, uma ilegalidade, dado que o governo não pode intervir às claras na programação da RTP (só às escuras). A bronquice é total, quando o parlamento é a única entidade pública que tem um canalzinho de TV só para si: bem que podia lá meter a sua "TV Rural". Propor um programa previsivelmente "TV Cristas" é do arco-da-velha: de hoje para amanhã, todos os ministros querem o seu programinha. Foi por causa desta sofreguidão política de estar na TV que eu propus que o governo tivesse o seu próprio canal. Os outros canais folgavam as costas, a começar pela RTP. " Eduardo Cintra Torres



Os nossos parlamentares, quando resolvem propor, surpreendem mais que as galinhas. Do que se haviam de lembrar. Voltamos aos mercados e regressamos aos campos. De volta à vida rural, mais a lavoura, mais o esterco, mais quem tudo isso faz. É da cultura do amanho da terra que se trata, com arados e enxadas. Depois a poda para fazer, o oídio para combater, a pinga para bober. Oxalá também haja abrigos, com moçoilas trigueiras, para satisfação completa dos rústicos.
E outras coisas para regressar, não haverá? a Cornélia ou o Topo Gigio, por exemplo. Começar pela TV Rural, nada mau.


VERSÃO  ORIGINAL



VERSÃO  ACTUALIZADA

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"La France en culottes"



Conquistas que só podiam ser francesas

Dois séculos depois, as francesas conquistaram esta semana o direito a usar calças compridas, sem quaisquer restrições. Foi abolida a lei instaurada em 1800, logo após a Revolução Francesa, que exigia a mulheres que se quisessem vestir como homens que pedissem autorização à polícia. Para a ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, essa legislação não era compatível com os valores actuais do país. As mulheres da França lutavam por este direito desde a Revolução Francesa e na viragem do séc.XX, a arcaica norma sofreu uma emenda, permitindo que as mulheres pudessem, finalmente, usar calças. Mas com uma condição: "Se estiverem a segurar o guiador de uma bicicleta ou as rédeas de um cavalo". Recorde-se que em maio do ano passado, a ministra da Habitação, Cécile Duflot, foi criticada por usar calças de ganga durante a primeira reunião do gabinete do Presidente François Hollande. Meses depois, antes de iniciar um discurso na Assembleia Nacional, Duflot foi alvo de assobios e 'bocas' por parte de políticos, por estar a trazer um vestido floral... “Vive la France, toujours”.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Dos cortes às poupanças é muito longe?



Governo prepara programa de poupanças

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro reafirmou, este sábado, que o Governo espera apresentar na sétima avaliação da 'troika', ainda em fevereiro, um programa de "poupanças" de quatro mil milhões de euros. "Temos de conseguir preparar, para a sétima avaliação, um número de medidas e de opções que nos permitam poupar e é nesse sentido que estamos e vamos continuar a trabalhar para conseguir chegar com empenho ao que todos sabemos que está no memorando de entendimento, que é uma poupança de quatro mil milhões de euros". Carlos Moedas respondia a perguntas dos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros, que terminou ao fim de seis horas e meia e na qual foi discutida, "como em outros conselhos de ministros", a "reforma do Estado" e as medidas de "poupança estrutural na despesa" que serão apresentadas na sétima avaliação do programa de assistência financeira, no final do mês. O secretário de Estado recusou adiantar "detalhes" sobre as medidas a tomar ou fazer "comentários específicos" sobre qualquer "especulação" e destacou o "trabalho extraordinário" de todos os ministros e de todas as equipas.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Muito menos Estado


Se o futuro de Portugal tanto depende da ruptura com o Estado, com quem poderemos contar para remover esta paralisante dependência? Se somos um País viável não temos mais tempo.


Martim Avillez Figueiredo in Expresso


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ambições à medida





O Álvaro (Santos Pereira, ministro da Economia) também é um sujeito capaz de surpreender. Persistente e paciente, pouco dado a formalismos, não deixa de aproveitar as boas ocasiões para cultivar a piada, mesmo quando se trata de coisas sérias. Apesar de, com esse seu jeito descuidado, muito irritar o indígena pacóvio com gosto pelas solenidades.
Talvez inquieto com o inconformismo que ainda medra no seio da “tralha socrática” e de muitos outros com a mania das grandezas, resolveu recuperar esse grande desígnio nacional que é o TGV. Quando menos se esperava, anunciou ser uma preocupação do Governo reactivar a ligação em alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Um projecto a retomar com a renegociação dos fundos estruturais da CE. Mesmo que pouco se saiba sobre o projecto a concretizar e com que fundos contar, parece cheirar a dinheiro.
Com esta sensação de que afinal há túneis e há luzes ao fundo, porque não, desde já, imaginar muita gente a ver comboios a 200, 300, 400 km/h… Vai daí, foi ver televisões, rádios e jornais, cada um a palpitar sobre variados projectos de obra, de emprego, de progresso, de interesses, menos de juízo. Mas como ainda agora começa o carnaval, não faltará matéria para discutir e gracejar, sobre planos, compromissos, contratos, até à solução final. De mais esclarecimentos sobre o tema não vale a pena ficar à espera. Basta que sosseguem e sonhem todos os saudosos desta grande ideia.  Apesar de ainda vir longe a fase de estender os carris, haja esperança. Do resto, trata o Álvaro, nem que precise de voltar pro Canadá.         

A propósito de frivolidades. Alberto Gonçalves

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

E as trapalhadas não terminam




O primeiro  ministro ou o ministro da Economia deviam ter evitado esta situação embaraçosa, criada com a escolha do novo membro do Governo. A nomeação de Franquelim Alves para secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação não deixaria de levantar problemas, pelo simples facto de ter sido administrador da SLN/BPN, domínio onde se concretizou a maior fraude financeira do País. Independentemente do perfil pessoal que possa ter, da moral irrepreensível e da competência demonstrada, é uma pessoa ligada a um crime que a todos os portugueses diz respeito. Do seu curriculum sempre fará parte essa mancha, mesmo que nunca venha a ser responsabilizado criminalmente. Bem pode agora o ministro Santos Pereira atestar a sua dedicação à causa pública e protestar contra a perseguição a que tem sido sujeito, uma vez que não deixou de informar sobre o que verificou na passagem pelo banco desaparecido. Tal como de pouco vale reiterar que não houve intenção de esconder informação e que tudo se fez com transparência no processo da sua nomeação. Agora, a saída possível é não ceder aos excessos inquiridores dos parlamentares, mesmo que seja impossível evitar as persistentes e repetidas suspeições  O que não devia ter acontecido era o convite para fazer parte do Governo. Ou seja: não havia necessidade. Paulo Pinto Mascarenhas


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Política que tresanda



Em maré de regressos, é a volta ao "mercado dos caciques" mais a norte, para os lados de Leixões.
Desde o malfadado dia em que sucumbiu um destacado político (de boa memória) em plena refrega eleitoral, jamais Matosinhos deixou de nos surpreender, nas lutas políticas para eleições. Quando toca a entusiasmos e exaltações, continua a ser o grande estandarte do PS, o ex-libris dos socialistas em ombros. Em matéria de intriga, deslealdade, traição, sacanagem, sempre capricham. No que toca à parvoíce e à estupidez é privilégio apenas de alguns pacóvios.
Por falar em disparates: porque não o regresso ao mercado de frescos com o visto do senhor de matosinhos?


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O Estado da asfixia


Em que tipo de reforma do Estado se acredita verdadeiramente? Em nenhuma reforma. Apenas permanece a crença no esquecimento dessa ideia extravagante de reformar. Para que nos reste o Estado vigente, ocupado pelo colectivo que o domina. 
Como nos satisfaz enganar e viver enganados. 


Rui Ramos in Expresso

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Domingo de tanta maçada



No Rato quem é que pariu alguma coisa? Paulo Baldaia

Marinho Pinto ameaça demitir-se da Ordem

Estertor encarniçado ou vou ali e já volto? João Marcelino 


E não somos um país de sem-abrigo? Nuno Saraiva


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Porque hoje é sábado



E UM ELOGIO À MATERNIDADE:

A barriguinha da Assunção

Cara Assunção Cristas, quero muito dizer-lhe uma coisa: estou que nem posso com a sua barriguinha. Confesso que não era um grande fã seu, mesmo depois daquele aperto de mão firme na Capela do Rato, mas agora V. Exa. até me deixa as pernas bambas. Porquê? Neste momento lunar da nossa história, a face solar da pátria está na sua menina (espero que seja menina). Se calhar, a minha cara amiga não terá consciência disso, mas a sua gravidez é um símbolo de coragem para milhares de portuguesas e um sinal de esperança para todos os portugueses, mesmo para aqueles que tiveram a infelicidade de nascer com o cromossoma Y banhado em testosterona. “Símbolo de coragem?”, pergunta V. Exa. um pouco espantada. Sim, coragem. Já perdi a conta ao número de amigas que me dizem “Henrique, no meu trabalho sou pressionada para não engravidar”. No sector público e no sector privado, as nossas jovens recebem ameaças implícitas ou explícitas neste sentido. Parece que a gravidez é lepra laboral. Pior: num país com metade do PIB mundial da indignação, ninguém parece muito interessado neste pormenor. Ante este bullying antibarriguinha, já percebeu porque é que a sua gravidez é um símbolo de coragem? (...)

Henrique Raposo - EXPRESSO

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Corrupção instituida



Nos períodos de dificuldades financeiras, surgem renovadas preocupações com a corrupção, sobretudo nos países mais afectados pelas crises. No último relatório internacional do final do ano, sobre a percepção da corrupção mundial, Portugal e Espanha repetem habitual presença entre os últimos países da zona euro. Esta classificação tão pouco abonatória dos países ibéricos, coincide também com particulares movimentações pela transparência que agitam os dois países, mas com significativas diferenças na forma de combate adoptada.   

Em Espanha, não há comunidade autónoma onde não decorram acções judiciais contra numerosos acusados de corrupção. Políticos nacionais e de província; governantes regionais e municipais; empresários e profissionais de todos os ramos; artistas de dotes vários no desporto ou no espectáculo; familiares ou amigos e protegidos pelo poder; figurantes da realeza soberana e terratenente; de tudo sem escapar classe impoluta. Há centenas de envolvidos e detidos em quantidade, de todas as regiões e castas políticas. Com várias línguas e tradições, da Catalunha à Andaluzia, medraram na abundância e com todos os meios, as melhores condições para a expansão dos corruptos. Agora, é a influente e agressiva imprensa que se dedica à desmontagem da teia de interesses que contaminou todos os sectores apetecíveis. Louvável o trabalho de investigação e denúncia desenvolvido pelos principais jornais da capital espanhola. 

Em Portugal, ninguém se dedica à coisa com entusiasmo ou dedicação. Ou por estarem convencidos ser tarefa condenada ao fracasso, ou por recusarem perder as suas oportunidades de beneficiar, ou simplesmente por ser uma maçada. Só se repetem acusações do tipo: são todos uns corruptos ...os outros. Depois não falta quem se admire de vivermos no manhoso sítio da impunidade, com tantos dispostos a pactuar com corruptos. Veja-se o que decorre da promiscuidade entre os negócios e a política: um desrespeito absoluto pelo Estado de direito, com violação de leis e desobediência aos tribunais, nas poucas irregularidades detectadas. Com exemplos destes, é possível convencer o cidadão incrédulo da eficácia da luta contra a fraude e do interesse do poder no combate da corrupção? É melhor perder a esperança de alguma vez ver punido qualquer corrupto que pudesse servir de exemplo. Apesar de tão perto e tantas coisas em comum, como  estamos distantes de Espanha no combate destes crimes. 

A corrupção que se estabeleceu e enraizou em países como Portugal, com um modelo de Estado interventor e protector, pesado no funcionalismo e na burocracia, jamais será combatida com eficácia pela máquina estatal onde se desenvolve a calamidade. Não se esqueça da forma como a política se financia e como tantos organismos dependem em exclusivo do Estado. Apesar de sempre se remeter para o Estado a obrigação de fiscalizar casos de fraude em todos os domínios onde interfere, os agentes dessa fiscalização são os que dão vida ao principal organismo corrupto. Todos à espera de um absurdo: do êxito no combate à corrupção patrocinado por corruptos. Uma velha e fracassada tese que acções de tantos países contrariam. Exemplos: os tradicionais casos de muita transparência e pouca fraude dos países nórdicos estão associados a práticas cívicas de raiz cultural; a Nova Zelândia é outra experiência de boa organização territorial prestigiada pela transparência; o Estado asiático melhor cotado é Singapura com uma economia dirigida pelo mercado; nos países sulamericanos o melhor exemplo é o Chile onde o Estado nem apoia nem dificulta e a administração funciona. A maioria dos restantes são exemplos pouco recomendáveis. Se houver interesse em combater a corrupção é inútil deixar essa luta nas mãos do Estado.

 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O PS de Seguro tem alternativas?


Com entrevistas conduzidas por Gomes Ferreira não há espaço para ideias vagas sem conteúdo. 


António José Seguro diz que António Costa é um político experiente e um excelente presidente da Câmara Municipal de Lisboa.Também diz que é a pessoa indicada para liderar o Partido Socialista e a oposição ao Governo. (Passos Coelho e o Governo também devem achar o mesmo). Assegurou tudo isto ontem, no programa da SIC Notícias "Negócios da Semana".

O que realmente interessa são as propostas do Partido Socialista para essa coisa do "crescimento". Eis as ditas com a segurança de Seguro:  



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Do bluff ao tabu



A Comissão Política do PS reuniu em ambiente de contestação e confronto directo, entre membros da direcção de António José Seguro e notáveis socialistas da liderança socrática representados por António Costa. Previamente anunciada como "noite de facas longas", a reunião do Largo do Rato não passou do "golpe de teatro" do mais astuto. Começou com inflamadas declarações dos rebeldes mas terminou num clima de aparentes tréguas e de concórdia de conveniência. 

Com a intervenção inicial, Seguro entrou ao ataque reagindo às movimentações dos seus opositores com acusações de deslealdade política. Enquanto a reserva socrática se empenhava em manifestar discordância com o imobilismo do partido, os indefectíveis de Seguro dirigiam acusações de traição aos contestatários de ocasião. A guerra interna prometia, até à entrada em cena do "rosto da golpada", para frustrar as expectativas dos que mais desejavam o ajuste de contas.   

Face a tanta disponibilidade para derrubar a actual liderança do partido, António Costa serviu-se dos camaradas mais próximos para preparar o seu terreno. Chegou à reunião socialista com pré-aviso antecipado pelos seus fiéis: seria candidato à liderança do PS e à Câmara de Lisboa (só lhe faltou anunciar o que faria para as Presidenciais). Tratava-se de condicionar Seguro, de avisar a oposição camarária, de mostrar ambição e coragem, sem dar qualquer importância ao calendário (é assim que se animam as hostes para a luta). No entanto, não deixava de ser uma opção de bastante risco (Elisa Ferreira fez idêntica aposta no Porto e perdeu nas duas frentes).

Depois das hostilidades iniciais, confirmada a determinação de Seguro com o anúncio do congresso e das eleições internas para breve, António Costa mudou de rumo: rejeitava a via da confrontação, invocava a necessidade de paz, apelava à unidade do partido... e só confirmava a candidatura à câmara da capital. Mas fez questão de avisar: "Se quem dirige não conseguir unir o PS contem comigo para concorrer à liderança". Um estratega exercendo de juiz de paz que ambiguamente recua apoiado num ultimato indeterminado. Não passa de uma táctica tão vaga quanto hábil.  
         
Por mais que digam ter sido Seguro a precipitar o PS para esta correria, a urgência do líder socialista não esconde outras impaciências. Claro que é resultado das boas previsões para as autárquicas e (por uma aposta errada no tempo) da ilusória fraqueza do Governo em hora de boas notícias. Só que, a ideia de sucesso eleitoral no fim do Verão despertou a já chamada "tralha socrática", para a pressa de apear Seguro, só possível antes de qualquer êxito. Daí ter feito sentido a pergunta do secretário geral socialista: "Para quê a pressa?" Depois desta encenação, fica António Costa (quem sabe se um novo António Vitorino que avança não avança) a partir de agora, o sujeito-objecto de todas as questões, "com as costas largas mas também no seguro". Para além do PS de tantos camaradas apressados, voltado para dentro (mais ou menos esquecido das tropelias de Passos Coelho) num debate interno entre a reflexão e a intriga, pouco preocupado com o desafio da unidade. Senhores, são rosas, apenas.  

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Entre "cenouras e nabos"


Um regresso à política, como quem volta ao concerto, para ouvir dos mesmos instrumentistas outro repertório musical. 
Podemos contar com outra música? Temos músicos ensaiados e instrumentos afinados para a função? Se a obra for inspirada no concerto chileno oferece garantias; desde que a orquestra tenha executantes com fôlego para tal partitura. Mais as dúvidas sobre a competência artística do maestro. Neste festival, todos somos melómanos. Oxalá surja depressa o nosso Piñera.   


Martim Avillez Figueiredo in Expresso

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"Querida televisão"


Na RTP, tudo na mesma. Principais interessados satisfeitos. Nada de privatizações, avança uma reestruturação, a toque de uns milhões. Clientelas satisfeitas, Governo mantém domínio, aplaude a oposição. Pelo caminho, considera-se Passos Coelho o único derrotado, ganhando todos os restantes, com a vitória de Paulo Portas. Mas a coisa não é bem assim. O Governo manteve tudo como quis porque ainda não concebe a sua área de influência desligada da comunicação social. A coberto de um pretenso serviço público à "Prós e Contras", a tutela controlará o que for útil na agenda informativa, enquanto empacota umas estopadas recreativas. Haverá assim tanta gente surpreendida? Desenganem-se os que pensavam que esta seria a última grande tarefa de Miguel Relvas.

Pela relva da TV: Cristiano Ronaldo contribui com 3 golos em 10 minutos para a vitória do Real Madrid; Messi responde à altura e marca 4 golos na vitória do Barcelona. Ao melhor nível.



domingo, 27 de janeiro de 2013

Tréguas urgentes



BOAS FESTAS, BOM NATAL, FELIZ ANO NOVO...

Quando começa e acaba a temporada destas felicitações? São costumes próprios das semanas de Natal e Ano Novo? São práticas com início em Novembro e fim em Janeiro? Talvez disparates de todo o ano, com intervalo no Verão? Ou gentilezas de agora e sempre? Estou mesmo confundido. 
Acerca da passagem de ano, até quando se devem expressar desejos de Bom Ano? Ainda faltará muito tempo para receber votos de Bom 2013?... e também para agradecer tanta delicadeza com qualquer "obrigado aborrecido"?... Informo que deixei de acrescentar o "igualmente da praxe", a partir do segundo dia de Janeiro. Isto porque, não me parecia bem continuar com o toma lá dá cá de agradecimentos inconvenientes. Além do mais, quero fazer sentir aos inoportunos insistentes que acho descabido arrastar o Pai Natal até ao Carnaval.   
Os desejos de "óptimo trajecto anual pelas peripécias da vida", chegam de todo o lado. Por missiva, da gestão bancária, da associação humanitária, da autoridade tributária, de tudo o que é área. Em pessoa, da recepcionista, da balconista, de quem quer que seja arranjista ou especialista. Ao que parece, dizer o que se quiser, quando se quiser, sobre o que se quiser, faz bem a muita gente, não a todos... E nem deve contrariar a Constituição. 

Que maçada enfadonha... e parece não ter fim. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Anomalias de circunstância


Para vítima, o diligente Secretário de Estado Paulo Júlio.
Enquanto à sorrelfa, tutela o hábil Ministro Miguel Relvas


Não há dúvida que "à melhor nódoa cai o pano". Chega um esforçado "rapaz de província", aplicado a resolver o que os sabichões nunca quiseram arranjar, eis senão quando, também encontra empecilhos. Aparecer com a escrita suja vale pouco. Para herói borrada que se veja.    


Despiste de camião espalha porcos na A1
Milhares de professores retidos na A1


Então? Havia poucos professores na manifestação porque estavam misturados com os suínos?
Fitas por fitas, melhor mesmo, ir ao cinema

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A bizarria das petições




Nos últimos tempos, ganhou força a costumeira de lançar uma Petição Pública por qualquer coisa que se afigure relevante nas cabecinhas mais ingénuas da nossa praça. São variadas as causas que originam movimentações deste tipo: de reivindicações das mais legítimas e razoáveis, a solicitações caprichosas das mais insólitas e absurdas. Aparecem petições para quase tudo, dirigidas ao gosto e à militância de qualquer subscritor compulsivo.

Considerada uma espécie de democracia à lista, a "petição" não parece muito distante do tradicional "meter a cunha" dos velhos hábitos da parvónia. O que antes era o pedido duma criatura necessitada feito a uma eminência influente, agora é tudo ao molho a exigir qualquer disparate. Se antes o suborno era prática fortuita e módica, agora a corrupção via voto é destino quase certo. Com um sistema político destes, aperfeiçoado e adaptado às massas, quem sabe se não poderíamos banir o Estado duma vez e refundar a "coisa pública" de forma original. Talvez com a simples nomeação vitalícia de um  "Capataz-Solicitador", cuja missão seria aceitar e aplicar as encomendas legislativas do povo requerente. Seria um regresso ao Portugal imaginado por algumas luminárias em momentos de supremo delírio. O País da genuína "democracia directa" acomodada aos tempos modernos. 

Esta coisa da "Democracia da Petição", reproduziu-se pelo mundo dos simplórios apoiando-se no uso massivo da internet. Por cá, foi criado o sítio da Petição Pública online, idêntico ao portal desenvolvido para o mesmo fim pela administração americana. À escala imensa dos USA ou do burgo nacional, são as extravagâncias o que mais entusiasma os nativos. Mesmo que a natureza das petições não varie muito, quer se trate de propósitos sérios ou de situações caricatas. Quem sabe, se por razões de ordem cívica, pelo menos os americanos ainda se empenham na luta por proibições como a dos tacos de basebol. Enquanto isso, a indigência nacional sai em defesa dos cães perigosos que partilham residência com os animais dos donos.

... com honrosas excepções:


Jornal de Notícias

(...) Haja esperança: mais de 32 mil pessoas tinham assinado nos últimos dias uma petição contra o abate do pitbull "Zico", que matou (repito: matou) uma criança de 18 meses em Beja. E porquê, perguntarão? Porque os animais, como as pessoas, "também merecem uma segunda oportunidade!". Como deseja docemente uma das signatárias dirigindo-se ao pitbull assassino, "que encontres uma família que te ame muito". Outra, com enorme bom senso, afirma: "se o cão há 8 anos nunca fez mal, não é motivo nenhum para ser abatido só porque atacou uma criança". Outro, lapidar, acrescenta: "quem defende este tipo de solução de abate é que deveria ser encostado a um poste e ser-lhe feito o mesmo". Outro, finalmente, conclui: "Tenham vergonha!" Eu ter vergonha, tenho. Creio é que não será pelas mesmas razões.

Mas ainda decorre a cruzada pelo cãozinho

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Instabilidades intestinas


Portugal regressou aos mercados com êxito. Foi um sucesso com que todos os responsáveis se podem congratular. Um momento importante para o País e para a percepção que o mundo tem de nós. Não é mais do que o início da possível viragem, cujos efeitos demorarão a ser sentidos por cada português. Por isso, convém não entrar em euforias e evitar precipitações indesejáveis, sobretudo da parte das forças políticas envolvidas, tanto nas tarefas governativas como nas actividades parlamentares. São preocupações que fazem todo o sentido, porque ainda há muitas reformas para serem concluídas e já é grande a excitação com as eleições autárquicas.

Da parte do Governo, muito se tem falado da eventual remodelação da equipa governamental. É provável que aconteça quando menos se espere e não nas próximas semanas; salvo se for urgente acudir a qualquer escândalo inesperado. Enquanto isso, mesmo que por conveniência mútua, as coisas na coligação governativa parecem apaziguadas, o que não tem acontecido nas hostes do PSD. Depois de Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio, opositores internos de Passos Coelho desde que é primeiro-ministro, surgiram António Capucho, Carlos Carreiras, Paulo Rangel, últimos contestatários das suas políticas a coberto de interesses autárquicos. Como sempre, um PSD "saco de gatos", quando chega a hora de acomodar clientelas.

Quanto ao PS, parece ter terminado o tempo para a suave caminhada de António José Seguro. De repente os socialistas da reserva socrática perderam a paciência, porque já lhes cheira a hipotéticas legislativas e receiam haver pouca mobilização para as autárquicas. A proximidade do poder motiva de mais. O recurso encontrado para se desenvencilharem de Seguro foi forçarem a realização de um congresso urgente. E sob a vigilância apertada de António Costa,  soltaram a voz a favor do congresso extraordinário, Sousa Pereira, José Lello, Vieira da Silva, faltando ainda os que costumam apanhar o comboio em andamento. É bem possível que se trate do regresso do Partido Socialista à alternativa da "peixeirada", à falta de melhor. Só para destronar o Tó Zé das futilidades, acomodar o Costa, pronto para tudo, quem sabe com Sócrates no comando à distância. 


Cuidado com os fantasmas e nada de lutas fratricidas. Chega de instabilidades. Alberto Gonçalves

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Enquanto os cães ladram a caravana passa"


Procura já supera os oito mil milhões de euros

PORTUGAL REGRESSA AOS MERCADOS

Depois do pedido de resgate financeiro em Abril de 2011, Portugal volta aos mercados de dívida a longo prazo, muito antes do prazo limite, fixado para Setembro deste ano. Esta antecipação resulta da conjunção de factores relevantes com desenvolvimentos nos últimos dias. São de destacar, a forte procura de dívida dos países periféricos da UE a taxas de juro bastante inferiores ao período crítico, e internamente, a confirmação do cumprimento das metas do défice de 2012. Boas razões para o Governo português não desperdiçar esta oportunidade. 
Antes de mais, sublinhar que esta volta aos mercados é algo de muito positivo para Portugal, pela recuperação de condições mais favoráveis para o financiamento e pela reconquista da confiança dos mercados e dos investidores, querendo ser um País que de novo se pretende afirmar na comunidade internacional. No curto prazo, para além de um crédito mais favorável que possa revitalizar as empresas, não são de esperar mudanças na carga que cada português vai sentindo com o fardo da austeridade. Ainda levará o seu tempo até chegarem sinais de recuperação efectiva.  
Mesmo sendo um primeiro passo e faltando bastante caminho para percorrer, foi dado um sinal muito significativo: Portugal está em condições de caminhar pelo seu próprio pé, ao recuperar autonomia financeira. Mas com este arranque, nada se deve considerar assegurado. Convém não esquecer que apenas estabilizamos depois de assistidos, e não podemos deitar tudo a perder. É aconselhável cautela e determinação, mesmo que já se façam ouvir os opositores de Passos Coelho que em coro desvalorizam sem reconhecerem qualquer mérito. Não é coisa estranha, vindo dos suspeitos do costume, peritos da argumentação manhosa e agora despeitados. Afirmar que sempre clamaram por isto, que não passa de um falhanço do Governo, é falta de vergonha e cobardia política duma oposição incapaz. Quando todos sabem que se trata dos aventureiros que sempre foram, grandes responsáveis pela repetição de mais uma tragédia.     
E o leilão de hoje ainda decorre, enquanto se aguarda a chegada das ordens de investidores do mercado dos USA. Continua a forte procura de títulos da dívida a cinco anos e a diminuição da taxa de juro a pagar pelo empréstimo. De momento, a procura já ultrapassa os 10 mil milhões, para uma emissão prevista de 2 mil milhões. Ainda é possível que o Governo resolva aumentar o montante da emissão face ao interesse manifestado. 
Portugal regressou aos mercados no momento certo. É a hora da viragem. Que tal reconhecer o mérito de Victor Gaspar? 

Senhor ministro: continue a cuidar das finanças mas não se esqueça de pensar no resto. Paulo Pinto Mascarenhas