"Henrique Raposo, com a bravura conhecida, arregaça as mangas
e mete as mãos no baixo mundo da política. Para tentar desmontar cinco mitos
sobre a nossa história recente: Salazar como lacaio da Igreja; Soares como
precursor do europeísmo português; o Estado Novo como "longa noite"
de pobreza económica; a esquerda como ferozmente anticolonialista; e a
presuntiva derrota de Álvaro Cunhal no PREC.
Subscrevo cada um dos capítulos do Henrique. E para quem
pensa que a sua "história alternativa" é um "branqueamento"
da ditadura, sobretudo ao mostrar o espantoso crescimento económico entre 1950
e1973, de duas, uma: ou não leu o livro; ou leu e não percebeu (ou não quis
perceber). A ditadura não tem defesa possível porque, como o autor refere, um
regime que usa a censura, a polícia política, a tortura e a fraude eleitoral é
geneticamente ilegítimo." (João Pereira Coutinho)
Finalmente chegaram ao Vaticano todos os Cardeais que escolherão o novo Papa. Só que os 115 ainda não resolveram em que data começa o trabalho eleitoral. Todos os dias a imprensa mundial vai palpitando nomes diferentes e noticiando movimentações de alguns grupos de pressão. O mais activo tem sido o lóbi americano.
MÁRIO SOARES: "Hugo Chávez nunca foi um ditador (...) Era um homem bom, inteligente, com as suas posições sobre a Venezuela, mas que sempre funcionou pela via das eleições (...) Sempre gostei muito dele, estou muito triste pela morte de um amigo (...) Fui eu que o fez vir pela primeira vez a Portugal (...) Vai deixar uma grande saudade em toda a América Latina."
O velho "animal político" sempre se insurgiu contra todos os que denunciassem os abusos cometidos por Chávez, contra a liberdade e a democracia. Das suas declarações, o que mais choca é a indiferença com que observa todos os atropelos constitucionais preticados pelo comandante bolivariano, quer para preparar a continuidade do seu poder, quer para perpetuar o modelo político do Chavismo. Não houvesse algum respeito pelas fragilidades da avançada idade e tudo se cassificaria de insensatos disparates. Haja paciência!
Conforme foi anunciado, Daniel Oliveira, o militante histórico do Bloco de Esquerda, abandonou o partido. Numa carta enviada à Comissão Política, este membro fundador diz que o Bloco é actualmente «um factor de bloqueio, alimentando-se e alimentando o sectarismo». Também afirma que Francisco Louçã, «o coordenador anterior, não desistiu de continuar a coordenar o Bloco, mesmo sem ocupar o cargo». Na última Convenção, não apoiou a direcção escolhida, quando foi eleita a liderança bicéfala de João Semedo e Catarina Martins, nem aprovou a a moção política vencedora. Agora, decidiu sair do partido por não terem sido dados «sinais no combate ao sectarismo que, nos últimos anos, foi tomando conta do Bloco». Depois da Convenção, os sinais dados foram «exactamente os opostos» e critica a criação da nova corrente, que junta, entre outros, Loucã, Semedo e José Manuel Pureza. Segundo Daniel Oliveira, esta corrente pode transformar-se num «partido dentro do partido, que terá capacidade de definir sozinho as principais opções políticas e a 'distribuição de cargos' na estrutura» e impedirá a «democratização da vida interna do Bloco de Esquerda». Seja como for, a passagem seguinte pode ser o que de mais significativo consta da carta de despedida:
"Se a oposição continuar a não conseguir corporizar uma alternativa credível e o principal partido da direita portuguesa entrar em desagregação, os primeiros a aproveitar este momento, sejam sérios ou populistas, comediantes ou estadistas, poderão causar um terramoto político. Porque o terramoto social, esse, já está a acontecer. Sem que, aparentemente, as instituições e os partidos reajam a isso." (Daniel Oliveira)
Este abandono de Daniel Oliveira podia apenas ser o resultado da sua oposição ao funcionamento interno ou de discordâncias na orientação política. É verdade que muitos dos activistas do Bloco procurarão continuar num alinhamento de “esquerda fracturante” menos ortodoxa, que pouco tem a ver com a escola que formou os elementos que acusa de controlarem o partido. Mas não passou despercebida a referência ao momento político e a eventualidade de novas forças ou organizações políticas à esquerda. Logo as más línguas foram dizendo que o Daniel Oliveira adoraria “corporizar” uma alternativa qualquer. Companheiros da “luta moderna” não faltariam: Tem o Rui Tavares no parlamento europeu, a Isabel Moreira e o João Galamba, no parlamento nacional, outros disponíveis como a Joana Amaral Dias, fora os descontentes que se recrutariam no Bloco e no PS. Se tudo continuar apenas a “grandolar”, se o Coelho não for vítima de emboscada nem houver eleições em breve, se não der e a coisa estiver demorada, resta sempre a alternativa da quota dos dissidentes que habitalmente têm abrigo na tenda do PS.
Morto o Comandante Hugo Chávez (há horas ou há dias, em Havana ou em Caracas, depois se saberá, do que já se sabe é que houve intervenção dos americanos) enquanto decorrem as exéquias fúnebres do Caudillo bolivariano, prosseguem os atropelos à Constituição do País. O Presidente eleito não chegou a tomar posse por incapacidade, devia ter assumido o Presidente da Assembleia Nacional, tal como agora devia acontecer confirmada a sua morte. Só que o abençoado líder parece ter ordenado que o substituto fosse o Vice-Presidente em funções... A seguir, haverá mesmo eleições dentro de trinta dias? e quem se apresentará como candidato do Chavismo? Maduro ou Cabello? Por agora aparecem abraçados no drama nacional para o mundo observar. A luta pelo poder prossegue mais tarde.
O NOSSO “DELEGADO DE PROPAGANDA MÉDICA” ELOGIA CHÁVEZ
O ex-primeiro ministro José Sócrates já se
pronunciou sobre as virtudes do camarada e amigo. Hoje recordou o excepcional Hugo Chávez como um "presidente carismático no seu país" e que
"deixou sempre as provas mais evidentes de grande amizade por Portugal e
pelos portugueses". E de que nos serviu essa amizade? Há um barco ancorado para cruzar o Atlântico à espera da guia de marcha, faltando saber se já foi cobrada a
factura dos “Magalhães”.
Em declaração escrita enviada à LUSA, José Sócrates lembra a "vida
plena, enérgica e generosa" do líder venezuelano. "Uma vida de
vontade, consagrada à acção e ao que esta tem de início, de surpreendente, de
inatendido” o que tanto entusiasmava o comandante. “Uma vida com os outros, ao
lado dos outros, com a ambição da justiça própria de quem sempre teve uma visão
optimista da natureza humana". O antigo chefe do governo português
referiu-se também a "uma vida cheia de incertezas, de desafios e de
riscos, própria de quem nunca temeu a responsabilidade da sua liberdade e da
sua vontade". Parece não lhe faltar qualquer virtude.
Para Sócrates, Hugo Chávez assumiu-se como “autor da sua
própria biografia, levando uma vida intensa, sempre confiante”. É ao recordar
esta forma de viver, que o socialista português acredita que o povo venezuelano
encontrará aí "alívio e conforto para o seu sofrimento". Um Socrates incansável, desta vez na pesquisa e escolha dos adjectivos que melhor definem o populista-ditador.
Como se conheceram e entenderam tão bem. Compreende-se a saudade.
CAVACO DIZ QUE TRABALHA 10 OU 12 HORAS POR DIA
Senhor Presidente, não tem de que se queixar. Sempre nos
exigiu que o deixássemos trabalhar. E mesmo assim, é duvidoso que o povo ache
que merece o que ganha. Habitue-se sem gemer muito ou terá direito ao "momento grândola". Este
país está na fase de protestar por qualquer coisa. Como se encontra de bolsos vazios, não aceita que se gaste dinheiro para pagar
aos políticos com decência. Pior, até critica quando vão ganhar a vida
para longe do Estado. Senão repare no que está acontecer ao seu bem conhecido
Zé de Paris. Ganhava pouco, não lhe permitiam receber gratificações e agora
ainda se queixam por andar a ganhar muito a vender comprimidos e supositórios. Esta gente repara em tudo e nada tolera. Muito esquisitos e pouco reconhecidos, não acha?
O País devia perceber o quanto trabalha em Belém, porque é a
partir da Presidência da República que se influenciam mais as decisões
políticas. Para os mais modestos, o "mediatismo público" nada ajuda e é uma maçada. Para além de se estar sujeito no meio da confusão à chuva de coisas estranhas mais próprias para gemadas e saladas. Por isso, não
está bem que o critiquem por ter falado pouco em público sobre a crise no País.
Sempre esquecem que esteve dez anos como primeiro-ministro e os sete que já
leva em Belém, o bastante para saber mais do que qualquer outro e não fazer mais porque a idade não permite.
Se quem mais protesta reparasse, notava que o Senhor
Presidente até fala como aquele rapaz que agora manda na casa do PS. Quando
insiste que Portugal vive uma "espiral recessiva", com quebra da produção, do investimento, do consumo e uma "subida acentuada" do
desemprego, diz o mesmo que o moço socialista. Se ambos estão aborrecidos com a "rapazada do governo" e afirmam que só é possível inverter a tendência negativa dando prioridade ao crescimento económico, que mais faltará dizer? A única coisa que agradou aos mais descontentes foi saber que vão distribuir incentivos à economia em forma de dinheiro barato para investir.
Por falar em gostar, do que todos gostaram mesmo foi de ouvir o Professor Cavaco Silva dizer que
é preciso respeitar as manifestações que decorram dentro da ordem constitucional.
Não se sabia muito bem o que isso era mas ninguém ficou muito preocupado. É que o nosso Presidente, mesmo depois de mais um dia de intenso trabalho, após a manifestação do passado 2 de Março, não deixou de fazer uma comunicação ao País para nos demonstrar que estava descansado.
Ronaldo recebido com grande ovação no regresso a Old Trafford. Mais uma prova de fogo para Mourinho e para o Real Madrid.
Em 5 de Março de 1953 - Há 60 anos morria Estaline - E as desgraças eram outras
O PERIGO ESPREITA. O CANCRO DE CHÁVEZ PODE TER SIDO UMA MALDADE.
O vice-presidente da Venezuela acusa "inimigos" da
revolução de terem provocado cancro de Chávez. Numa intervenção em directo na
televisão pública, Nicolás Maduro anunciou a expulsão de um diplomata dos
Estados Unidos da América acusado de conspiração para propagar rumores sobre a
morte do Presidente Hugo Chávez e de ter tentado contactar antigos militares,
afectos ao regime anterior à revolução chavista. Num discurso longo, falou em
intriga internacional contra a revolução venezuelana e atribuiu-a aos
"inimigos históricos da pátria". Mas o que todos querem ouvir é como
está Hugo Chávez e essa parte do discurso não chegou - falou, sim, de
envenenamento, comparando Chávez ao antigo líder palestiniano Yasser Arafat,
cujo corpo foi recentemente exumado por suspeita de ter sido envenenado com o
elemento radioactivo polónio. Maduro disse que o Governo tem pistas sobre a
origem do cancro de Hugo Chávez que estas serão "analisadas cientificamente".
Ou seja, deixou no ar que o cancro lhe foi provocado pelos seus inimigos. O
Governo venezuelano esteve reunido de emergência com o Alto Comando Militar
Revolucionário e com os 20 governadores para acertar formas de lidar com o
futuro. Este encontro realizou-se na manhã seguinte ao anúncio, oficial, de que
o estado de saúde do Presidente Hugo Chávez se agravara, sofrendo agora de uma
nova infecção respiratória "difícil de controlar".
O POVO QUE MAIS ORDENHA
Manifestantes bloqueiam comboios. Algumas centenas de pessoas
estão a ocupar desde as 16,00 h. as principais linhas ferroviárias na estação
do Entroncamento, num protesto que já fez imobilizar quatro comboios de
passageiros. A CGTP-Intersindical e a comissão central dos trabalhadores
ferroviários são as responsáveis por esta acção de protesto que visa a defesa
do passe para os trabalhadores ferroviários e para as suas famílias. O protesto
realiza-se ainda "contra a perda dos direitos e a destruição da componente
social dos caminhos-de-ferro", segundo o coordenador da União de Sindicatos
de Santarém.
NA DESPEDIDA DA TROIKA
Da próxima visita, venham já lixados (para evitar a maçada do pagode se reunir para ordenar) Até outra avaliação, se ainda tivermos que avaliar e se ainda estiver aqui alguém para abrir a porta. Os agradecimentos do "Orfeão Grandolense".
«Nos seus últimos dias de Papa, Bento XVI apresentou-se
diante de audiências globais como algo de muito diferente do comum, como uma
"estranheza", ou um "mistério" que nos interpela. Desse
ponto de vista, foi um sucesso "mediático".
O "espectáculo" papal dos dias de hoje não
converte os incréus, porque a sua incredulidade é mais forte e mais funda, por
boas e más razões, mas abre-os a uma certa perplexidade, nalguns casos mesmo
sedução, da e pela fé. Ver alguém que acredita, como o Papa Bento XVI, agora
Papa Emérito, de uma forma tão gentil, sem aí ser frágil e "sem
forças", faz muito para restaurar um respeito pela espiritualidade, uma
atenção ao "mistério" ao sentimento do outro, mesmo que não restaure
a fé, que é um "dom" e não depende dele.
É por isso que este Papa fez muito mais pela Igreja do que
muitos cristãos pensam que fez, resultado de terem ficado órfãos em Bento XVI
da religiosidade afectiva de João Paulo II, daquela bondade de pater que
beijava a terra e peregrinava pelo mundo todo. Bento XVI é uma outra espécie
diferente de "peregrino", autoclassificação que deu a si próprio na
sua última declaração ainda Papa no seu belo italiano de adopção: "Voi
sapete che io non sono più Pontefice, sono semplicemente un pellegrino che
inizia l"ultima tappa del suo pellegrinaggio in questa terra."
Usou o "espectáculo" para sair dele para uma
dimensão muito alheia ao nosso quotidiano vulgar, retomando o sentido do seu
nome de Papa, como o disse na sua última audiência do dia 27 de Fevereiro:
"O "sempre" é também um "para sempre": não haverá mais
um regresso à vida privada. E a minha decisão de renunciar ao exercício activo
do ministério não revoga isto; não volto à vida privada, a uma vida de viagens,
encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de
forma nova junto do Senhor Crucificado. Deixo de trazer a potestade do ofício
em prol do governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim
dizer, no recinto de São Pedro. Nisto, ser-me-á de grande exemplo São Bento,
cujo nome adoptei como Papa. Ele mostrou-nos o caminho para uma vida, que,
activa ou passiva, está votada totalmente à obra de Deus." Boa viagem, peregrino.» José Pacheco Pereira - PÚBLICO
Muita resiliência dos que por aí grandolaram pela "renda estatal". E o silêncio dos outros?
O grau zero do delírio num manicómio onde tudo se manda lixar... menos uma santinha. Não me lixem.
MÁRIO SOARES DE VOLTA PELO LADO DA TRAPAÇA
O ex-Presidente da República Mário Soares pede contenção: “O PGR de Angola deve merecer acrescido respeito. O investimento
angolano, para Portugal, é útil e bem-vindo. Os nossos povos, português e
angolano, são povos irmãos, pelo que é nossa obrigação tudo fazermos para
aprofundar as relações entre ambos.” Soares relembra a sua história pessoal
relativamente à independência de Angola e dos outros países africanos. “Como é
público, fui e sou anticolonialista. Dei a minha solidária contribuição ao povo
angolano e aos demais povos em defesa da independência. Nunca fui anti-MPLA ou
anti-Savimbi. Limitei-me a querer a paz entre ambos.”
Tarde demais, senhor descolonizador. É melhor renunciar a mais essa missão, por falta de forças e não valer a pena. Onde todos o aguardam é na "Viela da Indignação" a exigir a demissão dos governantes e o domínio dos governados, a defender e a contestar alternadamente as mesmas coisas, a bolçar disparates. Já se sentia a falta de vossa senhoria.
?
ONDE PORTUGAL AINDA GANHA QUALQUER COISA
A atleta portuguesa Sara Moreira venceu a medalha de ouro nos 3000 metros e sagrou-se campeã europeia na prova em pista coberta. Em frente e depressa, rapariga.
"Que se lixe a troika", é o que se canta, por esse(s) sítio(s) resgatado(s)...
E com o dinheiro de que malfeitores?
O MOURINHO QUE NÃO DESISTE DE GANHAR
Mudou a tendência e mudaram os medos. O Real Madrid de C. Ronaldo vai repetindo vitórias sobre o Barcelona de L. Messi, com a omnisciência de Mourinho. Como a competência lhe permitirá sair vingado...
DO SEGURO SOCIALISTA
Parar com a austeridade
Rejeitar corte de 4.000.000.000 €
Consolidar as contas públicas
Apostar no crescimento económico
Captar investimento estrangeiro
Quem souber como se faz, apareça e diga.
DO CONTRA-MILITANTE
“Passos Coelho tinha dito que anunciava as medidas para a reforma do Estado durante o mês de Fevereiro. Já acabou (…) Está a pensar na manifestação de sábado, com medo de anunciar medidas antes dela (…) E por isso quando dizem que as manifestações não contam para nada, é mentira. Contam e este é um exemplo.” (Pacheco Pereira)
DO ADEUS TRISTEZA
Lili Caneças vai viver para os EUA. Diz-se "farta"
da crise e decidiu sair do país para viver uma aventura além-fronteiras.
"Propuseram-me ficar à frente de galerias de arte", revela a socialite que vai morar em Los Angeles. Mostra assim que nunca é tarde para mudar de vida.
Por isso, está prestes a concretizar um sonho de adolescência e emigrar para os
Estados Unidos. "Estou um bocadinho farta desta pobreza, desta desgraça,
de tanta miséria. Vou durante um tempo. Sempre gostei muito de Los Angeles, o
ambiente é maravilhoso, tem um vida saudável e um óptimo clima. Sei lá… A idade
não tem problema nenhum; desde que eu esteja com saúde, nunca é tarde para começar
de novo." (está mesmo entusiasmada a madame). "Porque é que uma pessoa há-de estar com saúde maravilhosa e fantástica
num país onde tudo lhe é vedado; pessoas sem trabalho, um horror. Sei lá..." A
um passo de realizar o seu sonho americano, acescenta: "Acho que a
Europa está decadente e Portugal nos próximos dez anos vai estar muito pouco
interessante. As pessoas mais inteligentes, mais cultas, mais preparadas vão-se
embora, só ficam cá... não sei." (Se me der licença, quem saberá?… e se alguém souber que levante o… braço).
Portugal conhece bem o que constitui a realidade angolana do presente: uma minoria que se apoderou da riqueza do país - a elite dos negócios e da impunidade - uma nação depauperada e um povo que sobrevive carregando a sua indigência. O que não tem impedido nem devia ser obstáculo ao relacionamento alargado entre os dois países. Tal como tem decorrido as coisas, não é isso que tem acontecido. Com a chegada de investimentos angolanos ao universo empresarial português, surgiram dificuldades com que muito mal lidamos. Definitivamente, o indigenato não convive bem com o seu passado de colonizador, sempre às voltas com a nostalgia de tantas aventuras que lhe deixaram demasiados complexos. Talvez mais uma marca da incurável mediocridade e insignificância que tantas vezes coloca este país de cócoras. Mas o indígena é assim, ora manhoso e subserviente, ora gabarola e paternalista, despeja lições de moral como se não fosse igual aos piores. Afinal quem somos nós e que autoridade teremos para questionar a seriedade dos outros, se não combatemos as nossas fraudes nem prendemos os nossos trafulhas? O bom senso, pelo menos, aconselharia a calar a boca ou falar mais baixo... e a deixar Angola ao cuidado de quem tiver outra autoridade moral para os acusar.
Ou toda esta celeuma é apenas um sinal bem pior. Ou seja: daquilo que ainda temos para vender, já nada interessa aos angolanos.
INUTILIDADES
Agora se percebe melhor a agitação dos "comentadores-tudólogos" a saltitarem de televisão, da TVI para a SIC e vice-versa. Quando pouco mais haverá para dizer sobre "economês" a coisa vira conversa de "totós"-"especialistas".
Do impedimento do “Carlinhos” já todos sabem. Bispo, muito inteligente, etc... não chega. Lastimável é não termos a “Fatinha” a moderar o Conclave (Pro
africano, pra cá… Contra americano, pra lá…) Que pena. Como nos deixaria
orgulhosos. Mas foi um gosto vê-la como enviada da RTP à despedida do
Papa. Que competência a desta “reserva das televisões desligadas”. Há poucos jornalistas
tão eficazes a impedir que se acompanhe uma qualquer transmissão com apartes; a
interromper qualquer interlocutor a despropósito; a antecipar as conclusões
mais óbvias quando alguém fala; a despejar banalidades e graçolas misturadas
com “pensamentos profundos”. Que privilégio usufruir de tanto prazer. Para quando
o supremo gozo de ver esta anomalia da natureza (melhor mais) a poder falar de
tudo e sem limite, num horário nobre, imediatamente antes da TV-Shop? Já merecíamos
desfrutar plenamente desta anacrónica relíquia. Haja alguém que se lembre da criatura.
Por ser diferente o que se passa com os nossos vizinhos ibéricos, quando toca a portugueses de sucesso enfrentarem a sobranceria espanhola, é ainda mais aliciante assistir aos confrontos que envolvam Mourinho e espanhóis, sobretudo quando o Zé exagera as situações ou fomenta os conflitos com aqueles que ousem desafiá-lo. Sempre para desespero dos que se movem no "mundo do futebol", em permanente estado de alerta com o "português", que tanto consegue inquietá-los como surpreendê-los, quando menos esperam.
Desde que chegou a Madrid, foram várias as situações que puseram a imprensa espanhola em alvoroço excessivo. O caso que levou os espanhóis a acreditar que tinha chegado a hora de vergar Mourinho, foi quando o técnico se confrontou com o "grande capitão Iker Casillas". O guarda-redes instrumentalizou o balneário, tentou fazer ultimato ao presidente e passou informações confidenciais à namorada, a mediática jornalista que se apressou a divulgar notícias inconvenientes sobre conflitos no clube. Não tardou que Sara Carbonero viesse dizer que era melhor abandonar o jornalismo por causa do namorado e que Cassillas se lesionasse para uns meses deixando de exercer influência. Tanta pressão que se esfumou e mais uma vez Mourinho a sair em grande e sem dizer que abandona o Real, enquanto faz constar notícias de que volta para Inglaterra no fim da época. Assim vai calando todas as bocas que o afrontam e gerindo a imagem como muito poucos. A última, depois da retumbante vitória de ontem em Barcelona, numa jogada de mestre (que deixou boquiabertos todos os detractores mesmo sem o admitirem) chamou o lesionado Casillas para o substituir na conferência de imprensa depois do êxito. Genial (e é possível que por cegueira nem todos o entendam). Por estas e por outras, não faltam razões.
Depois das eleições para o Parlamento, os italianos voltam de novo à situação de impasse governativo com que tradicionalmente convivem. Pela complexidade do sistema eleitoral e pela tendência habitual para prolongar a escolha de soluções governativas viáveis, estão agora na contingência de serem forçados a repetir eleições.
Feita a contagem dos votos, tanto a coligação de esquerda de Bersani como a coligação de direita de Berlusconi, somaram uma votação próxima dos 30%, sem qualquer maioria no Congresso ou no Senado que lhes permita formar governo. O tecnocrata Mário Monti, que até agora governara com amplo apoio da direita e da esquerda, depois do êxito como técnico, o fracasso como político, e acabou ridicularizado com uns insignificantes 10%. A surpresa anunciada destas eleições foi Beppe Grillo que na liderança do Movimento 5 Estrelas atingiu um resultado próximo dos 25% de votantes.
E para que servem estes resultados? Os votos de Monti são recusados por Bersani e Berlusconi uma vez que ambos contestam e querem romper com a austeridade que o ex-chefe do governo representa. Os votos atribuídos a Grillo jamais apoiarão qualquer hipótese de maioria parlamentar capaz de formar governo. Resta a possibilidade de uma grande coligação entre os blocos de direita e de esquerda para evitar o recurso a novas eleições.
O fenómeno Grillo que surpreendeu a Itália e a Europa, faz parte dos diferentes movimentos antissistema que se têm multiplicado, um pouco por toda o Ocidente. Este movimento antipolítico italiano é liderado por um artista/comediante, filho de milionários, que começou por se dedicar à comédia humorística e depois se tornou um populista provocador. Para lá dos espectáculos, cresceu na blogosfera e continuou nas grandes concentrações de contestação do poder instituído realizadas por toda a Itália. Até que elegeu um surpreendente grupo de deputados, apesar de estar inibido de ser eleito.
Para além desta falta de condições para formar um governo estável, o que de mais relevante se pode concluir das eleições italianas é a completa recusa das medidas de austeridade que a ampla maioria de Mário Monti implantou por ordem da Europa. Até esta altura, a sociedade italiana não deixou de se sentir responsável e se assumir solidária com o projecto comum europeu. A partir de agora foi dado um claro sinal de rejeição das políticas de contracção numa das mais fortes economias da Europa. Mesmo que não seja de imediato, aguardam-se consequências deste "basta italiano" nos restantes países resgatados ou intervencionados da UE. Entretanto, “um
rendimento de cidadania de mil euros, a diminuição dos salários dos políticos e
a redução da semana de trabalho para 20 horas, a saída do euro" tal como defende
Grillo, ao estilo stand up comedy.
Perante as nomeações para os Óscares de 2013 apenas me convenci que ARGO seria premiado como melhor filme. Assim aconteceu. Dos especialistas que anteciparam escolhas recolhi o vaticínio em jeito de "homenagem
de um espectador sempre fascinado pela energia do cinema made in USA" (sic) do crítico João Lopes:
Melhor Filme: "Lincoln"
Melhor Realizador: Steven Spielberg ("Lincoln")
Melhor Actor: Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Melhor Actriz: Jessica Chastain ("00:30, A Hora
Negra")
Melhor Actor Secundário: Philip Seymour Hoffman ("O
Mentor")
Melhor Actriz Secundária: Helen Hunt ("Seis
Sessões")
Melhor Argumento Original: Mark Boal ("00:30, A Hora
Negra")
Melhor Argumento Adaptado: Tony Kushner
("Lincoln")
Melhor Fotografia: Janusz Kaminski ("Lincoln")
Melhor Montagem: W. Goldenberg e D. Tichenor
("00:30, A Hora Negra")
CONJUNTO DOS ÓSCARES ATRIBUIDOS
Melhor Filme - "Argo", de Ben Affleck
Melhor Realizador - Ang Lee, em "A Vida de Pi"
Melhor Actor - Daniel Day Lewis, em "Lincoln"
Melhor Actriz - Jennifer Lawrence, em "Guia Para Um
Final Feliz"
Melhor Actor Secundário - Christoph Waltz, em "Django
Libertado"
Melhor Actriz Secundária - Anne Hathaway , em "Os
Miseráveis"
Melhor Argumento Original - Quentin Tarantino, em
"Django Libertado"
Melhor Argumento Adaptado - Chris Terrio, por
"Argo"
Melhor Fotografia - Claudio Miranda, por "A Vida de
Pi"
Melhor Montagem - William Goldenberg, por "Argo"
Melhores Efeitos Visuais - B. Westenhofer, G. Rocheron... por "A Vida de Pi"
Melhor Direção Artística - Rick Carter e Jim Erickson, por
"Lincoln"
Melhor Mistura de Som - A. Nelson, M. Paterson e S. Hayes, por "Os Miseráveis"
Melhor Montagem de Som - P.Ottosson, "00.30
Hora Negra"; K. Lander "007
Skyfall"
Melhor Guarda Roupa - Jacqueline Durran, em "Anna
Karenina"
Melhor Caracterização - Lisa Westcott e Julie Dartnell, por
"Os Miseráveis"
Melhor Canção Original - Adele Adkins e Paul Epworth, por
"007 Skyfall"
Melhor Banda Sonora - Michael Danna, por "A Vida de
Pi"
Melhor Filme em Língua Estrangeira - "Amour", de
Michael Haneke
Melhor Longa-Metragem de Animação - "Brave -
Indomável", de Mark Andrews
Melhor Curta-Metragem de Animação - "Paperman", de
John Kahrs
Melhor Curta-Metragem de Imagem Real - "Curfew",
de Shawn Christensen
Melhor Curta-metragem Documental - "Inocente", de
Sean Fine e Andrea Nix Fine
Melhor Longa-Metragem Documental - "Searching For Sugar
Man", de Simon Chinn
O Óscar de melhor filme para "ARGO", distingue uma boa história de acção, simples e sóbria, com o suspense e o climax próprios do cinema de academia. Ao contrário da abordagem política de "LINCON", um retrato pleno/profundo/patriota, de um líder marcante na história da América, com uma interpretação soberba (para muito boa gente, filme pesado/denso/pastoso/enfadonho, uma estopada). Para além dos clássicos, a intensidade e crueza de "Django Libertado" do genial Tarantino, sempre violento e impressionante; mais a fabulosa fantasia de "A vida de Pi", demasiado plástico. Mas para quem quiser mergulhar no universo do amor, do carinho, da ternura, em atmosfera de grande emotividade, é melhor recorrer ao filme "AMOR".
TIRO AO PARAQUEDISTA - o "da" e o "de" da lei, a falta de paciência para esta corja insaciável... e mais aquilo em que estão a pensar.
CARNE DE CAVALO - secos e molhados, corantes e conservantes, contrafacção e putrefacção, aqui para nós que ninguém nos ouve... o Carlinhos e a cabala.
Consultoria, farmacêutica, América Latina?... "kirchneradas" argentinas e "lulices" brasileiras. A genuina "filosofia-de-meter-a-mão" com equivalência.
O problema dos sítios "+TVI" (mais trampa) estâncias das tais celebridades. Tudo isso e mais as ficções inofensivas que se geram por aqui.