terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A crise dos "pentelhos" constitucionais



ORÇAMENTO E CALCULISMO 

O Presidente da República resolveu fazer coincidir a promulgação do Orçamento do Estado para 2013 com a passagem de ano, dia em que aproveitou a mensagem de Ano Novo para se pronunciar sobre o documento. Decidiu requerer ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva mas não achou conveniente usar o veto político. Suspeitou existirem inconstitucionalidades mas achou demais pedir a fiscalização preventiva. Nada detalhou sobre as dúvidas colocadas ao TC mas criticou o "ciclo vicioso da austeridade" e a "espiral recessiva da economia", caminho por onde este orçamento conduzirá o País. Repetiu o diagnóstico da profunda crise e da falta de crescimento sem apresentar qualquer ideia inovadora.  Pôs em causa o Governo mas é incapaz de o demitir. Contenta-se em deixar recados: "eu bem avisei dos perigos" (se tudo correr mal); "eu tinha razão para ter esperança" (se houver algum sucesso). Entretanto, "senhores juízes: Por favor decidam e não me comprometam". Como se ainda fosse possível melhorar a sua imagem turva e recuperar a popularidade há muito perdida. Temos um PR que deixou de o ser e só vive obcecado com o insignificante lugar que a História lhe reserva como político. Enquanto isso, espera mais ou menos angustiado que a excitação não aumente.

PÉ-DE-VENTO

Com a decisão do Presidente da República de requerer a fiscalização preventiva, logo se questionou a fragilidade da sua escolha e a possibilidade de ser desautorizado, caso não seja reconhecida qualquer inconstitucionalidade. Seguiram-se pedidos do mesmo tipo de fiscalização apresentados pelo PS, pelo PCP e BE. Virão a seguir o do Provedor de Justiça e do Procurador Geral da República. Tanta gente junta bastou para deixar de haver lugar para qualquer desautorização. Contudo, voltaram os destaques da imprensa sobre as práticas consideradas inadmissíveis de alguns membros do Governo e de outros agentes próximos, empenhados em difundir ameaças veladas da ingovernabilidade ou da queda do executivo. 

Mas afinal quem pressiona quem? É o governo que tenta influenciar o TC com ameaças de caos governativo, se as normas a fiscalizar forem declaradas inconstitucionais, ou é a avalanche de pedidos de fiscalização que estão a chegar às mãos dos juízes, por ninguém querer ficar de fora da contestação? Com todos a solicitar o mesmo, e se o que está em causa não são os seus particulares interesses dos envolvidos, não estaremos perante um tácito "lavar de mãos" dos principais órgãos de soberania acerca do Orçamento do Estado? E se depois de tudo ponderado o TC não encontrar razões suficientes para declarar a inconstitucionalidade? (algo que a quase todos parecerá impossível). Mas nem tudo se repete como no orçamento anterior e as circunstâncias também não são as mesmas.

E a interferenciazinha que faltava:   

"É claro que depois do Presidente Cavaco Silva ter enviado o Orçamento de 2013 para a avaliação do Tribunal Constitucional, apontando para algumas anticonstitucionalidades, aliás de acordo com a maioria dos constitucionalistas portugueses, o Tribunal Constitucional dificilmente deixará passar o Orçamento. Também o não fará como no ano passado, com um subterfúgio como então sucedeu. O ambiente é outro - não o esqueçamos - e a esmagadora maioria dos portugueses, de todas as condições sociais, está indignada. Ora o Tribunal Constitucional não pode deixar de ter isso em consideração. A menos que queira, ele próprio, desprestigiar-se." (Mário Soares)


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Quando a necessidade aguça o engenho



Calendário erótico para pagar autocarro

Em Espanha, numa pequena localidade de Valencia, um grupo de mãezinhas aflitas pelo desaparecimento do transporte escolar municipal, encontrou maneira de manter um autocarro na terra, pago com o rendimento das vendas de um calendário erótico, ilustrado  por "mães de família".  
Estamos perante mais "uma boa causa", com o objectivo único em que todos acreditam: custear o transporte escolar dos filhos. O que bastou para motivar este grupo de mamãs "todo-terreno" recorrendo ao expedito método de tirar a roupa para serem fotografadas "en pelotas". Esta curiosa iniciativa está dar bons resultados e já assegurou o pagamento de parte dos encargos. A campanha continua até conseguirem verba suficiente para pagar o transporte de todo o ano. Como fizeram questão de destacar, "por um filho, faz-se qualquer coisa" . É mesmo? Parece que sim.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Há dias para tudo




Emoção suficiente.

sábado, 5 de janeiro de 2013

As suspeitas dos suspeitos do costume




Quando Ana Drago se indigna com a ameaça de um "Lobo", transformado em "Raposa" e metido num "Galinheiro", ou está fazer graçola, ou faz alarde daquilo que de pior a esquerda exibe: a superioridade moral. 
Afinal o que é necessário para nos podermos mexer, dizer ou fazer, sem que a suspeição nos persiga?
Com um serviço público infestado de parasitas, que pouco produzem e muito cobram, aparecer alguém que se disponibilize para servir, é logo um suspeito? Ou será que somos um covil de manhosos, sempre prontos para o saque, quando a ocasião surge? Vamos lá ver a coisa...
António Lobo Xavier vai presidir à comissão encarregada de rever o código de IRC, que apresentará conclusões do trabalho brevemente, que serão objecto de análise para futura aplicação, por quem fiscaliza e legisla: a AR. Certamente foi escolhido porque é um especialista em Direito Fiscal, para além de administrador em empresas do sector privado. Mas, mas, é o mesmo que preside a um grupo de pessoas não remuneradas pelo que vão fazer... Será isso que falta para serem independentes, insuspeitos, impolutos, na óptica de bloquistas e similares?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Assunto: "Engraçadinhos"

Não tem graça quem quer

Nós, os indígenas, somos assim: temos a sorte de nos faltar graça e o azar de nos sobrar desgraça. Perdemos a honra, a reputação, a vergonha, o jeito, mas não perdemos a manha. Somos dos desgraçados que ainda tentam ser engraçados. Quase tudo perdemos mas não perdemos a graça; nunca a tivemos... tal como  riqueza. E ainda não descobrimos porque caímos em desgraça. 
Miséria quanto baste, pobrezinhos de espírito, humor pobrezinho, alegremente. 


Tempos de vida difícil, até para rir. Eduardo Cintra Torres 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O titular da pasta sem ministro



Marques Mendes deseja... O conselheiro que palpita a partir da TVI no momento solene  de formular votos para 2013

"Este será o ano que marcará o princípio do fim... Há quem esteja pior, mas o mal dos outros não resolve os nossos problemas... Só que faz bem à nossa auto-estima sabermos que somos diferentes..." (não há nada como começar em estilo profético)

"Espero e desejo que em 2013 o Governo não se limite a fazer cortes... Também é necessário começar a construir... A construir um novo modelo de fortes incentivos à atracção de investimentos, para criar riqueza e gerar emprego..." (como insiste nas sentenças óbvias para ver se pega) 

"Desejo e espero que tenhamos em 2013 um pensamento mais positivo para apelar à confiança nas nossas capacidades e à esperança nas nossas potencialidades... Há sempre um lado positivo das coisas que importa valorizar... Para vencer é preciso acreditar e nós vamos mesmo vencer..." (é pedir muita transpiração e nem com ajudas dos santinhos mais fortes)

Marques Mendes (Só pode estar tocado. Ou não parou de beber desde o reveillon ou alguém lhe tem posto pozinhos no leitinho)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hoje é sobre Cultura sem dinheiro


"A crise talvez nos traga um resquício de bom senso para varrer a parasitagem e a gritaria do dúbio mundo das actividades culturais"

"Nunca pensei que viesse o dia em que os míseros dinheiros da Cultura acabariam por pesar no Orçamento do Estado. Com os 'cortes' previstos e a 'derrapagem' que se adivinha, a Cultura será reduzida a uma tabuleta sem nada por trás. A gente que vivia dos vinténs daquele triste estaminé precisa agora de procurar outro emprego (...) 
As despesas da Cultura serviam na essência dois fins: primeiro, o 'património' e, segundo, o que por aí se chama, ou chamava, quase sempre com claríssimo abuso, 'actividades culturais' (cinema, teatro, bailado, congressos, viagens, mais as 'instalações'). Durante 30 anos de absoluta liberdade, não apareceram 'actividades culturais' de qualidade e hoje continua a não haver cinema, teatro e tudo o resto. Quanto ao 'património cultural' (escasso e pouco interessante), o Estado não se deu ao trabalho, politicamente inútil, de conservar e de explorar o legado que a República herdou (...)
Os sucessivos Governos a que sem um murmúrio nos submetemos, preferiram o estrondo das 'Capitais da Cultura' e de obras sumptuárias para comemorar a sua irremediável mediocridade. O Dr. Cavaco é responsável pelo C. C. Belém e pela Expo 98; a necessidade de angariar votos no Porto pela Casa da Música, agora falida e sem cabeça. Estes símbolos reflectem o desinteresse ou repugnância dos portugueses pela presença ou só o cheiro da Cultura. E os produtores da dita desesperam com a ausência de público, que eles mais do que merecem.” (Vasco Pulido Valente - Público) 

Entretanto o norte protesta de mãos dadas, envolvendo num abraço sentido o "meteorito" da Boavista. Ainda corriam as lágrimas pela "Praça da Alegria" e mais um desgosto. É a vidinha andar para trás de tantos inconformados pela falta de verbas. Num pranto sem fim prosseguem as exéquias das "forças vivas do carágo". E não se esqueçam de fornecer o NIB para as ajudas dos "amigos da coisa".  


       Casa da Música - Músico da Casa

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O órgão de soberania de 2012


Começo do ano possível


O Supremo Magistrado da Nação, dos desígnios da República, dos despachos essenciais, das excitações frívolas, das insignificâncias do dia-a-dia, vai falar a seguir...



...para cagar sentenças transcendentes, do cada um olha por si e do todos olham pelo mesmo. O quase-inútil vai falar para nada dizer sobre coisa nenhuma.


“Não vale a pena esperar muito das revisões da Constituição. Na actualidade como nos primórdios da República, as clientelas de vária espécie e pêlo tomaram conta dos partidos com uma única ideia: usar o Estado para se fortalecer e se instalar no governo. Por isso, não serão os arranjos do texto constitucional que impedirão a desordem dos poderes públicos existentes. Hoje, um ministro das Finanças e os seus técnicos de contas mandam no primeiro-ministro; um ministro metediço trata da reforma administrativa nas costas do titular da pasta e decide sobre o futuro da RTP; Pedro Passos Coelho ignora o parceiro da coligação na discussão do orçamento. Basta abrir um jornal ou uma TV para encontrar um escândalo sem explicação e sem desculpa. Não vivemos, com certeza, num Estado de direito. Mas, no assento etéreo onde subiu, Cavaco Silva contempla o arraial com serenidade e deleite.” (Vasco Pulido Valente)     

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ainda "Artur Baptista da Silva"


Para que se saiba o que fez no verão passado... "falou de outro rumo político... disse o que todos queriam ouvir..." E por tudo isto é o eleito para liderar a "Alternativa de Esquerda". Sempre em frente e nada de voltar à direita. A vidinha é do lado contrário. Ânimo camarada! 


"Os pontos do vigário" Alberto Gonçalves - DN
"O fabuloso Sr. Artur" André Macedo - DN
"Lição de aviso" João Pereira Coutinho - CM
"Academia do Bacalhau" Luciano Amaral - CM
"Condecoração para A. B. Silva" João Miguel Tavares - CM 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ninguém arrisca mais



"2012 foi um ano de previsões apocalípticas, sobre o Euro, sobre Portugal ou a Grécia, sobre quase tudo. Sobre Portugal, ainda não mergulhou no caos político e social, como foi dito, previsto ou desejado, por todos quantos se abeiraram dum microfone, no ano que agora acaba. De Torgal Ferreira a Pacheco Pereira, passando pelo estridente Mário Soares, não têm faltado os profetas de um Portugal mergulhado em convulsões e outras desgraças. E nada. Tudo esbarrou numa mesma realidade: o que se pode perder com rupturas precipitadas é muito mais do que se pode ganhar. Antes a austeridade que a revolução." (José Manuel Fernandes - Público)  

Por que podemos estar surpreendidos? por não vermos as explosões sociais tão anunciadas? uma coisa é a incomodidade de quase todos, outra coisa é o desespero de alguns. Há as expectativas frustradas das vidinhas estáveis e as experiências dramáticas de tantos desempregados. Isto não deve ser entendido como uma tragédia assim tão generalizada. Está difícil para a maior parte e insuportável para a parte restante. O quotidiano das pessoas na rua e os números que vão traduzindo a realidade são disso prova. Para além de tudo, somos moderados, "de brandos costumes", porque observando com cuidado, ainda há muito que se pode perder. 
A verdade é que, Portugal não é a Grécia, mas os portugueses são bastante parecidos com os gregos, esses mesmos que ainda tentam conservar o impossível. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"Figura do Ano"


Alegado burlão da ONU diz que está a ser alvo de linchamento de caráter

Como isto é Portugal, Artur Baptista da Silva deve ser reconhecido "a figura nacional de 2012". A escolha  do  inconsciente colectivo está feita. No fundamental, o figurão representa o que cada português anseia, ir à televisão dar nas vistas e afrontar os sabichões, para se transformar em entendido figurante público.

Destas singularidades, bem poderíamos dizer que quase tudo nos acontece. Também não é certo que haja muitos especialistas da nossa praça que não o merecessem. Um certo deslumbramento pacóvio, muita pressa de informar sem investigar, dose bastante de facilitismo jornalístico, não podiam acabar melhor. E nesta balbúrdia, não falta quem por aí ande a dizer disparates convenientes e muitos mais que os queiram ouvir. Isto basta para não ser fácil distinguir um discurso coerente duma argumentação falaciosa, quando a cultura caseira é a trapalhada ou a aldrabice. Com jornalistas tão ansiosos por colocar aquilo que pensam na boca de um qualquer especialista, acabaram por ser eles a tornarem credível um burlão. 

Tal como noutros países da nossa igualha, os vigaristas encartados também fazem parte dos produtos genuinamente nacionais. É fácil tropeçar num potencial "Baptista da Silva" à esquina de qualquer rua, pronto a ser reconhecido e acarinhado, para acabar transformado num herói. Gente de currículo especializado e cartão de visita aparatoso, sempre cativou os nativos. Não se esqueça que já elegemos  um sujeito assim para primeiro-ministro. Agora (diz que) estuda filosofia afrancesada para concluir a ilustração.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Falta saber como vai isto acabar




Acabou há pouco na SIC-Notícias uma entrevista a Efromovich, cidadão brasileiro/polaco interessado na compra da TAP. Depois do governo português ter recusado a proposta de compra, por alegada falta das garantias bancárias, apenas se ouviram em repetição as pretensas justificações do interessado, em mais uma passagem pelos canais de televisão nacionais. Segundo o empresário, nada está para concluir e nada está encerrado; tudo está para negociar se o governo assim quiser e disso lhe derem conta. Considerou que houve precipitação e/ou equívoco das autoridades portuguesas, porque seria apenas hoje o dia de conclusão do negócio. Nada mais clarificou da rejeição da proposta e menos ainda do que pretende fazer a seguir. Apenas que o negócio poderia prosseguir já amanhã. Não se percebe por isso porque concedeu a entrevista. Contudo, não descuidou nada daquilo que todos os cariocas tão bem fazem: soltar muito charme frente às câmaras; enaltecer bastante o trabalho negocial dos portugueses; procurar dar a volta ao jornalista que o entrevistava; dizer-lhe tu-cá tu-lá, não perguntes isto, pergunta aquilo, tudo cheio de galhofa e risota com o Mário Crespo. Em suma: não parece que se possa esperar muito mais deste cavalheiro. João Marcelino      

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ver cinema


"VERTIGO" - Um regresso aos cinemas portugueses


Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes

O cinema da idade de ouro de Hitchcock


Filme premiado de Hitchcock vai ser regravado

“Vertigo – A mulher que viveu duas vezes”, realizado em 1958 e um dos mais conhecidos filmes de Hitchcock, está de volta aos ecrãs nacionais por ocasião da sua entrada para número um do top dos “melhores filmes de sempre”. A reposição digital do que é agora considerado o melhor filme da história do cinema pela “Sight & Sound”, revista do Instituto do Cinema Britânico, é uma das importantes notícias cinematográficas do ano.



A votação de 2012 da revista “Sight & Sound”, uma escolha de especialistas feita a cada dez anos, desta vez elegeu “Vertigo” como “o melhor filme de sempre”. A película de Hitchcock destronou assim “Citizen Kane – O Mundo a seus pés” de Orson Welles (1941), há cinco décadas no topo da lista.

domingo, 23 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Preparados para o fim do mundo?





Não vai ser fácil acabar com a coisa.
A não ser do Cosmos.


Tantas incertezas, tantos sacrifícios... E já não falta muito tempo.


Mas não digam que não há quem esteja preocupado com o futuro.  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Corrupção e Decadência da Catalunha



Há alguns dias atrás foi publicado mais um relatório anual do organismo que acompanha a corrupção mundial, avaliando o crescimento e/ou diminuição do fenómeno, nos diferentes países da comunidade internacional. Nenhuma alteração significativa se registou, com os países da Europa do sul como Portugal e Espanha mais uma vez colocados lado a lado nos últimos lugares do conjunto da comunidade europeia. 
Como invariavelmente acontece nos momentos de maior aperto das finanças públicas dos Estados mais débeis, ressurge o desgastado imperativo de combater a corrupção com propostas novas que nunca  são para ir além das intenções. Acabar com a corrupção parece ser coisa que a ninguém interessa, já que ninguém se consciencializa da necessidade de eliminar a praga e ninguém acredita ser possível a erradicação da moléstia. Enquanto isso, todos vamos andando, a fazer pela vida e a fazer de conta, por aí, como potenciais criminosos, misturados com os aspirantes e os diplomados trafulhas, porque mais ninguém frequenta o sítio.
Na Catalunha, desde as eleições locais do passado mês não param os desenvolvimentos sobre casos de corrupção envolvendo políticos catalães. É por isso oportuno reflectir sobre a facilidade e a frequência com que se multiplicam actos corruptos e ainda sobre a passividade e a complacência dos cidadãos eleitores, sejam catalães ou de qualquer outra zona da península ibérica, sempre que  estas situações são conhecidas. 
Como as mudanças têm significado apenas retrocessos, bem distante vai o tempo duma Catalunha cosmopolita e moderna, liderada por uma burguesia dinâmica e culta, acolhedora de tantos espanhóis das zonas mais pobres, modelo invejado por qualquer região da Espanha mais pobre. Produto do que de pior vai tendo a política, a actual realidade catalã não se recomenda.
Quando no início dos anos 80 tomava posse Jordi Pujol para um longo trajecto de mais de 20 anos à frente do governo autonómico catalão, começava uma paulatina caminhada nacionalista de enfrentamento com o Estado central espanhol e de propagação do sentimento independentista. Tivesse sido este o único propósito que manteve no poder esta figura do catalanismo nas sucessivas eleições e apenas se discutiriam os procedimentos desenvolvidos ou a legitimidade duma Catalunha independente. 
Até agora, primeiro com Pujol e a seguir com o seu delfim Artur Mas, os governos da Catalunha chantagearam o governo central quanto puderam, desobedeceram às decisões dos tribunais centrais para contornar leis, enquanto a economia catalã afrouxava e o poder autonómico esbanjava recursos. Desde o ano passado, o monstrozinho da Generalitat apenas se sustenta com o dinheiro de Madrid e não corta um chavo em tudo o que seja gasto com a treta independentista. 
O mais preocupante é a corrupção instalada onde haja que chafurdar. Em plena campanha eleitoral do passado Novembro, enquanto os independentistas agitavam a bandeira da opressão sem discutirem o que fosse sobre a iminente bancarrota da autonomia a que presidiam, alguns jornais espanhóis publicavam dados relevantes sobre corrupção e fuga de capitais para a Suíça, tanto do clã Pujol como da família Mas. Nas eleições que se seguiram o eleitorado vota em força e apenas retira a hipótese de maioria à CIU, votando noutros partidos independentistas que em aliança governarão e repartirão influência. Daí para cá, continuam as revelações comprometendo Pujol com os filhos atrelados pelas benesses, bem como outros dirigentes partidários actualmente no poder. Toda esta gente com ligações a casos de corrupção, em conluio com políticos doutras regiões e que transitam pelos tribunais do território espanhol, da Galiza à Andaluzia.
E nisto se transformou a Catalunha destes tempos: numa região decadente, onde apenas os dissimulados prosperam com manhosa vitimização; num depauperado território onde os iludidos se limitam a agitar bandeiras de libertação; num dos piores exemplos de legitimação do poder autónomo ou independente ao serviço de demagogos populistas.
Pela Catalunha ou por qualquer canto de Espanha, por Portugal ou por qualquer das nossas ilhas, que sentido fará dar a oportunidade ao povo de se pronunciar sobre questões desta importância? Que se pode esperar de quem tanto se indigna com corruptos e em sequer é capaz de lhe negar o seu voto? Não passamos duma cambada de "chorizos", como se diz pelo reino vizinho.  

   

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais uma vez o "Estado Social"



Há alguns dias, o Hospital de São João no Porto foi classificado, pelo terceiro ano consecutivo, como o melhor hospital público do País, pela Escola Nacional de Saúde Pública. Uma ordenação que nunca foi reconhecida pela classe dos médicos, a mais poderosa dos agentes avaliados. Vá lá saber-se porquê.   
Dias depois, em entrevista televisiva, o presidente do conselho de administração esclareceu algumas das situações que mais sobrecarregam o colossal orçamento do Serviço Nacional de Saúde, enunciando os pontos mais sensíveis do funcionamento deste hospital nortenho, o que deveria ser tido em boa conta.
Segundo declarações do Dr. António Ferreira, “cada cirurgião faz em média uma cirurgia por semana e há no Hospital de São João uns trinta cirurgiões que nunca foram ao bloco operatório”.
Isto bastou para despertar a reacção corporativa do presidente da Ordem dos Médicos que se manifestou “perplexo e indignado com as declarações de quem é o  principal responsável por tal inoperância”. E acrescentou em tom de desafio que “em vez de estigmatizar a classe médica devia explicar as razões de tais ocorrências e despedir os médicos que não trabalham”.  
Como se não soubéssemos de sobra o enorme contributo dos médicos, para tanta promiscuidade entre os serviços públicos e privados, para o escandaloso absentismo dos clínicos e técnicos afins nas instituições públicas, para os nefastos efeitos causados no funcionamento e nos encargos que suportam o SNS… Nenhum outro sector do chamado “Estado Social” estará mais necessitado de "refundação" como o sector da saúde.  Paulo Pinto Mascarenhas

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Portugueses em Espanha



Ser português com êxitos nos países que tradicionalmente acolhem bem os estrangeiros representa ser reconhecido pelo talento ou competência  com sucesso quase garantido. Mas não é o que se passa em Espanha com os que em português se distinguem pelo mérito. Que mais não seja, por serem portugueses. Que o digam J. Mourinho e C. Ronaldo.
Tal como a história o demonstra com casos exemplares de tantos lusos ibéricos, a vida destes ilustres consagrados pelo mundo do futebol, não tem sido nada fácil no reino dos espanhóis. Com Ronaldo, a situação muda conforme variam as suas prestações e também ao sabor das suas impertinências. Com Mourinho, a coisa atinge outros níveis de crispação e controvérsia, tão do gosto do "Special One".
Quem acompanhou a carreira do treinador português no estrangeiro, sabe da maneira como geriu o seu trabalho e dos resultados que obteve com os seus métodos. Da mesma forma se sabe, desde a sua chegada a Espanha, das dificuldades que o esperavam por Madrid. E nada disto tem a ver com exigências competitivas ou místicas desportivas de que tanto presumem "nuestros hermanos". Apenas reflecte o carácter do indígena espanhol, bastante primário e grosseiro, impetuoso e arrebatado, sem meios termos. Tudo isto, para além da questão de fundo.
E o fundamental não é porque Mourinho careça de profissionalismo e competência, é por ser português. Podem dizer que é vaidoso, arrogante, agitador, excessivo... que noutras fases de melhores resultados nunca lhe faltou carinho, que só depois do desgaste que provocou é que o madridismo reagiu... Só que não é isso o essencial. Se a qualquer jogador ou treinador se acrescenta português ou francês, é adequado porque qualifica; quando o epíteto do "português" é referido isoladamente, nomeia intencionalmente, como se nomeia o marreco ou o maneta. E é desta forma depreciativa que tantas vezes se referem a Mourinho e algumas vezes a Cristiano Ronaldo, nas muitas ocasiões em que descobrem motivos para fazer reparos.
O que há dias surpreendeu foi a conclusão do director do programa televisivo "Punto Pelota" sobre a perseguição da imprensa desportiva de Madrid feita a Mourinho e por tabela a Ronaldo. O jornalista desportivo foi categórico: "há uma discriminação xenófoba por serem portugueses".      
           


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Do manicómio nacional


Neste Portugal de brincalhões e trapalhões, a classe mais ou menos dirigente e mais para menos responsável, vai-se entretendo enquanto espera com excitação de sobra a chegada da última colecção de brinquedos natalícios. Entrementes, a populaça vai vagueando por aí aos emboléus de intempéries sortidas com variados tons de alerta. 
Para que não se note muito a confusão e tudo continue na mesma, tanto a administração do território como o grémio sportinguista, na tentativa de melhor reformar as entranhas da coisa, criaram novos órgãos: para as autarquias surgiram os híbridos organismos intermunicipais com o fim de pôr ordem na barafunda atalhando a meio do caminho; para o Sporting foi resgatado Jesualdo Ferreira para superintendente do futebol leonino ainda sem funções atribuídas mas com a promessa de que agora é que vai ser. Que País e que Sporting...
Quanto ao grande problema filosófico do momento, o da distinção entre caridade e solidariedade, multiplicam-se as cabeças bem-pensantes em afincado esforço reflexivo procurando destrinçar o busílis de tal questão. Nem na época em que se separou a Fé da Razão se trabalhou tanto. E tudo pela "côdea à Jonet".  
Com posturas de autênticos estadistas, apesar de tremeliques e sonolentos, Cavaco Silva deambula pelos salões de Belém procurando decidir sobre o orçamento de Estado da forma em que menos se comprometa, não importa qual seja a saída, basta que em coro lhe digam: muito bem; Mário Soares não se conforma e insiste no ridículo do disparate vociferando que nem no tempo de Salazar havia tantos pobres com tanta fome (sic). Alberto Gonçalves

Certamente por se tratar dum “território de pasmados” é que Passos Coelho quer que lhe falem a cantar.        



domingo, 16 de dezembro de 2012

Som músicas


"Dois em um"

'D' de Diana...


...'E' de Elvis



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Estado do País

Como (não) se fazem as reformas do Estado


Portugal atravessa um momento único para empreender reformas há muito tempo adiadas. Só que, o maior problema do País é a maneira como esta oportunidade para reformar está ser desperdiçada. 
Para além da pouca vontade reformadora, o governo actual manifesta muita incapacidade política para introduzir as mudanças exigidas. Temos um Estado monstruoso e moribundo que está a ser destruído por uma turba de insaciáveis egoístas, dispostos a absorver todos os recursos que se encontrem ao alcance da cobiça de tantos instalados.       
O exemplo do projecto reformador da administração territorial é elucidativo. Esta suposta reforma autárquica, tal como  muitas outras pretendidas reformas da antiquada "máquina estatal", não passam de famigerados embustes. 
É uma lástima termos um Estado incapaz de pensar o País, como bem salienta João Marcelino 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Num dia como hoje



Foi há 25 anos que na madrugada deste dia, um grupo de amigos de sempre, mas adeptos diferenciados, se reuniu para assistir pela TV à final da Taça Intercontinental em Tóquio, disputada sob neve intensa. Porque se tratava duma ocasião especial, os preparativos para a tardia transmissão do jogo decorreram com cerimonial adequado. Contamos com a disponibilidade de um amigo comum para nos receber no seu restaurante. Como habitualmente, fomos acolhidos de forma familiar, para demorada e abundantemente nos dedicarmos à ceia, pela noite dentro. Com o saber e a simpatia das grandes cozinheiras, a dedicada esposa do proprietário deliciou-nos com um magnífico “arroz de cabidela”, acompanhado do melhor vinho, seguido da melhor sobremesa e melhores digestivos, para todos acabarem bem comidos e bem bebidos… e o F. C. Porto com uma extraordinária vitória.  


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Portugal - sítio perigoso ou manhoso?



Nesta espécie de país, em que cada um desconfia do outro, em que todos são suspeitos de qualquer coisa, em que tudo se promete investigar sem nada se concluir, não há dia em que não se noticie nova fraude a fazer esquecer a anterior. De resultados, continuamos à espera. 
Com a excitação habitual e na ânsia de tudo investigar, não faltam excessos e atropelos da lei, levando a frequentes precipitações dos diversos agentes envolvidos. Foi o que aconteceu com o suposto envolvimento do nome de Medina Carreira num caso de corrupção, para depois se reconhecer ter sido uma lamentável falha dos órgãos judiciários.
Da justiça portuguesa, nem uma palavra pelo enxovalho do antigo ministro... E se Medina Carreira resolvesse processar o Estado?    

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

"Sentimento que se baila"


Hoje 11 de Dezembro é o "Dia Internacional do Tango". 

A escolha deste dia é justificada por ser a data comemorativa do nascimento dos dois mais importantes criadores do Tango, ambos nascidos a 11 de Dezembro: Carlos Gardel, a voz mais representativa e idolatrada; Julio de Caro, o músico e compositor mais célebre. Estas grandes figuras da expressão musical de Buenos Aires foram os maiores responsáveis pela divulgação da cultura do Tango pelo mundo artístico.  


"Al tango hay que sentirlo, descubrir su pasión, e abrir el corazón para poder vivir su espíritu." (Carlos Gardel 1890-1935)


"El tango te espera. El tango siempre espera a los que aún no se animaron , a explorarlo, a sentirlo, a abrazarlo." (Julio de Caro 1899-1980)