terça-feira, 19 de março de 2013

Manicómios sobrelotados



BRINCADEIRAS  DA RAPAZIADA  Alberto Gonçalves

Ao mesmo tempo que em Portugal se questionava, mais uma vez, o que tem levado o Governo ou o ministro das Finanças a falhar todas as previsões antecipadas sobre resultados e sobre os objectivos da governação, surge agora a necessidade urgente de avançar com mais um resgate para outro aflito da União Europeia. Se em Portugal deixou de haver quem acredite na competência dos principais membros do governo e na escolha das estratégias políticas adequadas para ultrapassar a crise, chegou a hora de também ser posta em causa a solução encontrada para resgatar o sistema financeiro de Chipre. O que agora se discute, para lá de cada Estado e olhando para a Europa comunitária, é a preparação política de todas estas criaturas apelidadas de tecnocratas, que se dedicam a conduzir os destinos dos países da União desprezando a perspectiva política, isto é, a congeminar desastrosas soluções centradas na austeridade e na asfixia monetária, para que cada membro moribundo não contribua  para fazer ruir a União. 

O que o Eurogrupo quer impor a Chipre e que o seu Parlamento já recusou, demonstra que os líderes europeus estão à beira da loucura ou do suicídio colectivo. Com medidas como o confiscar de depósitos, a Europa não salva o Chipre. Pelo contrário, coloca o futuro do Euro em causa. Mais uma vez, o cansaço de suportar a debilidade dos países periféricos está conduzir a uma maior intransigência financeira da Alemanha e das economias do norte. O que pode deitar tudo a perder.  A Alemanha - a seis meses de eleições - mostra assim que não está disposta a facilitar a vida aos que prevaricaram. E desta vez Merkel tem o apoio da maioria dos partidos opositores, para uma punição a Chipre e para obrigar a corrigir a sua descontrolada política financeira. É isto que deve preocupar os resgatados portugueses. Não são os nossos depósitos que estão em causa. São as ideias de que vamos ter um caminho mais fácil para o ajustamento. Pura ilusão. Até às eleições alemãs não haverá sinais disso, como a sétima avaliação da troika mostrou. Depois logo se vê. A hora é ainda de punição. Não vale a pena ir a correr ao banco. Mas vale a pena perceber que quem tomou a decisão sobre Chipre são os mesmos que avaliam o nosso desempenho. 

Ontem um blog do Financial Times contava a seguinte anedota que ajuda a explicar o esquema do ‘bailout' ao Chipre: um abastado e afidalgado turista alemão chega a um hotel numa pequena aldeia cipriota. Quando chega à recepção pede para inspeccionar os quartos para ver se são bons. O dono do hotel dá-lhe as chaves e o turista alemão, antes de subir as escadas para ir ver os quatros, deixa-lhe em cima do balcão uma nota de 100 euros. Enquanto espera, o dono do hotel agarra nos 100 euros e vai ao talho pagar a sua dívida. O dono do talho agarra nos 100 euros e vai a correr para o senhor que cria porcos para lhe pagar o que lhe devia. Este pega nos 100 euros e vai à bomba de gasolina saldar as suas dívidas. O senhor da bomba vai à tasca pagar os copos que ontem bebeu e não pagou. O dono da tasca agarra nos 100 euros e entrega a uma prostituta que ontem lhe tinha "oferecido" os seus serviços a crédito. A prostituta pega no dinheiro e vai ao hotel para dar ao dono os 100 euros pelo quarto que ela usou no dia anterior e não pagou. E entretanto, o turista alemão desce as escadas e encontra a sua mesma nota de 100 euros no balcão da recepção. Diz que não gostou dos quartos e agarra na sua nota de 100 euros, mete-a no bolso, e vai-se embora. Enquanto isso, toda a aldeia ficou feliz já que todos ficaram livres das suas dívidas. 

O resgate ao Chipre não é um resgate. É uma operação de cosmética. Os credores dão com uma mão e tiram com a outra. E os depositantes são os únicos que têm alguma coisa a perder. Os eurocratas que tiveram esta ideia para salvar o Chipre acharam que uma contabilidade criativa era capaz de substituir um resgate tradicional e a solidariedade que deveria existir entre os países europeus. A felicidade era tanta que os cipriotas não se contiveram e até fizeram fila nas caixas multibanco e à frente das sedes dos principais bancos. Se é injusto pôr os contribuintes a pagar o ‘bailout' dos bancos, através de medidas de austeridade, ainda mais injusto é obrigar os depositantes a dar parte do seu dinheiro à banca. Os impostos e a austeridade são injustos, mas ainda assim têm alguma moralidade implícita. Obrigar as pessoas a ficar sem parte do dinheiro é um assalto imoral. E abre um precedente na Europa. Até aqui os depósitos tinham um único risco: a de falência do banco. Agora têm mais um: a incompetência e a loucura dos políticos que governam esta Europa.

Como a coisa não está para brincadeiras, "Ay/ abrázame esta noche/ aunque no tengas ganas/ prefiero que me mientas". Helena Matos.


segunda-feira, 18 de março de 2013

A crise com mais um dia em alta


O IMPACTO DO RESGATE AO CHIPRE 
Nervosismo e receio por toda a Europa. Em Portugal, mais preocupação, mais medo, menos exaltação, menos aventura. Cresce a pobreza e a resignação.


"Por mal que isto ande, haveria forma de ficar pior, muito pior. Os portugueses suspeitam disso. Por isso lamentam os apertos em curso sem exigir a desgraça eterna. Quantos mais sejam os que se empenharem na desgraça mais crescerá a quantidade de resignados à penúria presente, talvez futura e certamente preferível ao caos. " Alberto Gonçalves.

domingo, 17 de março de 2013

Papa ainda é assunto



O papável que teria sido a minha escolha, o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, num ensaio recente alude ao "paradoxo" de um cristianismo que se tornou "estranho" na Europa onde nasceu. "A situação do cristianismo na Europa é estimulante e plena de oportunidades. É, em certa medida, um corpo estranho mas evoca um sentimento familiar." A cultura europeia só terá algo a oferecer e a propor à sociedade globalizada a partir do legado dos valores cristãos, sempre presente - a dignidade da pessoa, a unicidade da Humanidade, a visão da liberdade do cidadão perante o Estado. Por razões destas é que ao Papa importa e fascina uma Europa que se crê "descristianizada".
Terminado o Conclave, o mesmo cardeal austríaco afirmou que Bergoglio sempre foi favorito e que rapidamente emergiu como um candidato forte, ganhando o título de papa após cinco votações. Desde então, o Papa Francisco passou a ser definido como um "Papa de gestos", gestos simples que anunciam "mudanças revolucionárias". 
E não se cansa de repetir que "quer uma Igreja pobre para os pobres", se há austeridade "dispensa ornamentos dourados e sapatos vermelhos", como os que não confiam nos serviçais "vai pagar as contas domésticas pessoalmente", por achar que lhe fica bem "insiste em viajar de autocarro", não prepara discursos com a formalidade da praxe porque "gosta de falar de improviso com piadolas"... para depois rematar com o "buona sera" à Chico. 


Com tanto entusiasmo e tanta expectativa, envolvendo uma figura já considerada "o grande gerador de esperança destes tempos" não há muito mais acrescentar. Resta dizer viva o Papa Francisco. Adeus "pompa e circunstância" e "estética pontifícia". Resistirá a Capela Sistina?... Difícil estar preparado para um Papa assim. Quem sabe o que vai pela cabeça do Chico?



sábado, 16 de março de 2013

Atrás da culpa



Por que falham as previsões de Gaspar e do Governo?
(Henrique Monteiro - Expresso)

"As pessoas revoltam-se com razão. Não foi isto o que lhes prometeram. Pelos mapas de previsão e pelas folhas de excel feitas no programa da troika, por esta hora já estávamos a crescer e a olhar para a crise por cima das costas." Ler mais.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Confundir desejos com realidade



"Afinal parece que estamos todos de acordo. Com crescimento económico resolvem-se os nossos problemas. Diminui o desemprego, diminui o défice e paga-se a dívida. Perfeito. Só é estranho porque não se lembraram disso mais cedo. Ou talvez não. Há no debate público em Portugal uma tendência para o pensamento mágico: diz-se o que era bom que acontecesse e espera-se que aconteça mesmo. Mesmo que se faça exactamente o oposto do necessário. A redescoberta do crescimento como mezinha para todos os males é apenas a mais recente manifestação desta doença cognitiva que confunde desejos com realidade. Ora a realidade é muito mais dura e intratável do que os desejos. Até porque o crescimento não é apenas uma quimera portuguesa, está a tornar-se num problema em todo o mundo desenvolvido". Ler mais. José Manuel Fernandes - Público 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Papa Francisco



HABEMUS  PAPAM  FRANCISCUM

Nunca tanto se especulou, como desta vez, na escolha de um novo Papa. E como muitas outras vezes, também agora o "fumo branco" surgiu acompanhado da surpresa com o Cardeal escolhido. Um argentino, Arcebispo de Buenos Aires, foi elegido Papa e adoptou o nome de Francisco para o 266º Sumo Pontífice. 
Homem simples de perfil e trajecto pouco habituais nos responsáveis da Igreja, este engenheiro de formação académica, personifica aquilo que permite considerá-lo um Papa diferente. Com vocação tardia, chega a sacerdote depois dos trinta anos e como padre jesuíta exerce em paróquias pobres da Argentina. Quando se tornou Bispo de Buenos Aires também passou a exercer funções na Cúria Romana. Sem ter a fortaleza carismática e a robustez intelectual dos seus predecessores, cultiva um estilo de vida austera e despojada de tudo o que sejam extravagâncias. O que bastou para reavivar algumas perplexidades acerca de qual o melhor perfil de um Papa, para essa enorme tarefa de reformar a Igreja dos nossos dias.    
O sulamericano Cardeal Bergoglio, agora Papa Francisco, o primeiro não europeu da era moderna a chegar ao papado, certamente um jesuíta bem apetrechado da espiritualidade missionária com que se desenvolveu e evangelizou como padre, aparece como um experiente líder para os católicos do mundo, com qualidades pouco comuns e com possibilidades de transformar, desde que sejam criadas condições para solucionar problemas já identificados. Mesmo sendo uma figura que se enquadre numa orientação tão ortodoxa como a dos últimos papas, o clérigo argentino possui atributos que poderão fazer deste homem com origem na Igreja dos pobres, um autêntico renovador daquilo que mais necessite ser reformado na Igreja Católica. Se do Conclave acabam de nos surpreender elegendo para Papa este inesperado nome, que a escolha reflicta a opção por quem possa ter as melhores condições para enfrentar os principais obstáculos que levaram o Papa Emérito a renunciar.      
A vida simples e humilde deste idoso Pastor da Igreja (76 anos) sempre se caracterizou pelo acompanhamento dos problemas dos carenciados e pela exemplar vida austera de que se fazia o seu quotidiano. Residia e cozinhava numa modesta habitação, viajava nos transportes públicos de qualquer cidade, passeava e interpelava com simpatia e afecto aqueles com quem se encontrasse pelas ruas. Era esta a sua vida na sua diocese argentina, tal como acontecia quando se deslocava para Roma. Foi com  esta naturalidade e empatia que se apresentou como novo Papa-Bispo, primeiro rezando pelo sua Igreja e depois pedindo que rezassem pela sua missão. E no primeiro dia como Sumo Pontífice, dispensou a limusine papal e viajou numa viatura comum do Vaticano. Também passou pela pensão onde esteve instalado até ao início do Conclave, para recolher as suas coisas e pagar a conta da sua estadia. Gestos que podem ser indícios de "uma progressiva revolução na Igreja". Ou não.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Compassos de espera


O fumo negro após as votações da manhã
Los diez principales papables
Marc Ouellet (Canadá)

Conclave mais um dia para escolher novo Papa. O principal favorito, o italiano Scola, já não contará? Ainda haverá outro(s) europeu(s) bem colocado(s)? Ou a surpresa virá de Nova Iorque ou de São Paulo? De fora da Europa é melhor que venha do Canadá... Como do Vaticano apenas sai fumo negro e ainda não "habemus Papam" por cá "habemus troika"




Tarde demais para alguns, sempre a tempo para tantos. Então o objectivo é democratizar? Com quem e por onde? Ou apenas se trata de mais uma via para conduzir disponíveis ao sítio do costume? Não faltam duvidosas intenções e criaturas ansiosas por "corporizar a coisa" ou "dar o corpo ao manifesto".    

terça-feira, 12 de março de 2013

O peso do fardo





A consciência do contribuinte, no País das nulidades e das práticas inúteis. Falta o dinheiro, falta o vigor, todos aos papéis





MUITA CARGA

Dom Juan Carlos, rei de Espanha, esteve "com mais de 1500 mulheres", garante Andrew Morton no livro que escreveu, ‘Ladies of Spain’. O autor de biografias polémicas vai lançar um livro sobre a família real espanhola. Um rei derreado. 




MUITO TRABALHO

Acaba de começar o Conclave e há já quem esteja exausto só dos preparativos. Quanto ao nome de José, apesar de nunca ter sido assumido por um Papa, é o que reúne mais consenso entre os especialistas. O nosso Policarpo, não está para maçadas, mas pode sair Zézinho. 



segunda-feira, 11 de março de 2013

"Cada dia os seus trabalhos"



O TEMPO PERDIDO

"A tristeza do que pode acontecer torna-se não só parte da nossa vida como indissociável da vida, fazendo companhia à felicidade e ao medo de saber o que poderia ter acontecido. Não é preciso conhecer muitas culturas diferentes da nossa para perceber que a nossa perde tempo - não apenas tempo de mais, como tempo em si e ser como tal, à maneira das ruidosas e persuasivas sugestões de Heidegger - a pensar mais nas possibilidades do que na sorte da actual presença. Somos enfraquecidos por medos que não nos aconteceram e que nunca nos acontecerão - mas imaginamos e tememos.
Sempre me chocou a diferença entre o worry inglês e o preocupar português. A preocupação é uma ocupação anterior; prévia. Dá a ideia de um destino. O worry pode aplicar-se apenas às (outras) ovelhas.
O medo e o amor estão para sempre, inevitavelmente, ligados. A morte de quem se ama - ou de quem ama quem se ama - é inteligente e emocionalmente vista como uma morte do amor em si.
O amor nunca morre: só pode nascer. Existe para além das vidas de quem ama, como a humanidade. Amar é a certeza que nem todas as possibilidades, por muito más que sejam, derrota.
Existe um momento, diante da pessoa amada, em que se percebe que a sorte, de pouca dura, é tê-la encontrado e estar ao pé dela. E, no mais loucamente afortunado dos sonhos, ser aceite, apaixonado, por ela.
A alegria do amor está no que já aconteceu e continua a acontecer: o futuro é como a morte. Resta a nossa vida."

Miguel Esteves Cardoso - PÚBLICO

domingo, 10 de março de 2013

Ainda sobre o Papa



ENQUANTO O NOVO PAPA NÃO CHEGA

"Quando fui surpreendido pelo gesto que fará de Bento XVI outra vez Joseph Ratzinger, a minha primeira reacção foi a de que era um gesto profundamente moderno. Mais: que a decisão do Papa era coerente com um pontificado que, se lhe quisermos encontrar uma lógica profunda, fica marcado pela luta pela modernidade - e contra essa sua inimiga que é a pós-modernidade. 
Fazia todo o sentido para um João Paulo II, um Papa místico e que se salvara miraculosamente de um atentado, manter-se no seu lugar mesmo em grande sofrimento, mesmo cumprindo penosamente os seus deveres, dando com isso mais uma prova de coragem física mesmo na velhice. Da mesma forma faz todo o sentido que Bento XVI, um Papa que fez do casamento entre a Fé e a Razão a motivação do seu mandato, renuncie ao perceber, racionalmente, que daqui por diante a Medicina lhe iria prolongar a vida sem lhe devolver a energia que sentia necessária à missão. Teve por isso a coragem moral de renunciar.
Está a fazê-lo reafirmando, nas suas últimas homílias e orações, algumas das linhas de força do seu papado - nomeadamente ao denunciar, na última oração do Angelus, as tentações que atraem o homem para a ilusão de um falso bem -, mas fê-lo sobretudo ao ter fincado bem as raízes da Igreja na sua Doutrina, e esta na mensagem e no exemplo de um homem, Jesus Cristo. Ele reforçou um discurso da Igreja que, como notava D. Manuel Clemente, bispo do Porto, numa entrevista a propósito da sua eleição, tinha vindo a evoluir para se tornar mais "cristocêntrico", ou seja, um discurso que "aquilo que propõe não provém de uma ideologia abstracta, mas do exemplo de um homem".
João Paulo II, com a encíclica Veritatis Splendor, já apelara à racionalidade como elemento indispensável da Fé, mas Bento XVI incorporou essa racionalidade de forma plena, fazendo do diálogo entre Fé e Razão uma questão central da sua mensagem - tão ou mais central quanto o Papa sente que a batalha mais importante da Igreja se trava numa Europa descristianizada. Fez da racionalidade o terreno comum onde podia dialogar com os não crentes - fizera-o em polémicas com Habemas e Flores d"Arcais ainda bispo, fê-lo como Papa em intervenções tão importantes como a que preparou para ser lida na Universidade La Sapienza - e, também, onde podia conversar com os crentes de outras religiões - como no famoso discurso em Ratisbona. A racionalidade foi também o seu ponto de partida contra o relativismo: "O relativo não é moderno, é pós-moderno, é a factura que se está a pagar às grandes desilusões do século XX", como antecipou D. Manuel Clemente. Aos cardeais, antes da eleição, o ainda Joseph Ratzinger tinha notado que "o relativismo, isto é, o deixar-se levar "para aqui ou para ali por qualquer vento ou doutrina" parece a única atitude aceitável nos tempos que correm", pelo que "toma corpo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa tudo ao critério do próprio ego e dos seus desejos".
Com Bento XVI a Igreja mostrou que se pode ser moderna sem ir atrás do que apresenta como moderno mas, muitas vezes, não passa de uma moda. A sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, é nesse domínio um documento notável quer ao abordar a plenitude do amor erótico, afirmando que "se o homem aspira a ser somente espírito e quer rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, então espírito e corpo perdem a sua dignidade", quer ao defender a ideia da caridade cristã sem renegar o papel social dos Estados modernos.
O Papa prosseguiu sempre este caminho com a determinação de "não se vergar perante a ditadura das opiniões, mas antes agir a partir do conhecimento interior, ainda que isso traga aborrecimentos", como ele próprio disse. Mas como homem da Doutrina, que também era, provavelmente o melhor e o mais culto de todos, Bento XVI era capaz de distinguir o essencial do acessório e, por isso, deu alguns passos seguros. A sua resignação, que é também uma demonstração de humildade e uma chamada de atenção para a condição humana de um Papa - e para a "condição humana" da Igreja -, tem mesmo força suficiente para um dia nos fazer recordar o velho teólogo a quem todos prognosticaram um papado que não ficaria na História.
Não sendo crente, aquilo que me interessa e me interpela em Bento XVI é precisamente a sua capacidade de olhar para a sociedade contemporânea de uma forma que é moderna sem ter perdido as referências da tradição e os ensinamentos da experiência.
Em contrapartida não me interessaria, e estou certo que não interessaria aos crentes, uma Igreja mimética e submetida às novas regras das opiniões dominantes nos espaços públicos. Aprecio critérios diferentes, não estou disponível para aceitar a ideia de que os únicos critérios válidos são os definidos pelas maiorias, uma ideia que Bento XVI também combateu com energia. Não me interessam as verdades únicas, mas interessa-me a ideia de que "o homem tem de procurar a verdade", pois "ele é capaz da verdade". Tal como me interessa a ideia de que praticar a tolerância não é contraditório com promover "valores constantes que fizeram grande a humanidade".
Num terreno mais concreto, mais próximo da nossa realidade, interessam-me as reflexões de Bento XVI sobre os limites do progresso e a ideia de que, para conseguirmos ter um planeta sustentável, devemos estar preparados para a renúncia a alguns bens materiais, o mesmo é dizer bens de consumo. Ou ainda a sua preocupação, ambiental e económica, mas fundada em motivações éticas, com este nosso "viver à custa das gerações vindouras", algo que é tanto verdade para o esgotamento de recursos naturais como para a acumulação de dívidas pelos Estados. 
Não espero da Igreja, deste Papa ou do próximo, soluções concretas para os nossos problemas concretos, não espero que façam coro com os nossos credores ou com as nossas dores, mas espero muito daquilo que encontrei sempre que li Bento XVI: um olhar moderno ancorado numa Tradição e numa Doutrina, um olhar corajosamente avesso à facilidade e à tentação da popularidade."

José Manuel Fernandes - PÚBLICO



MAIS SOBRE CARDEAIS-PAPAS

Adoptar um Cardeal para ser atribuído com escolha aleatória?
Assim e com o pré-requisito de rezar antecipadamente?


sábado, 9 de março de 2013

Dois livros e dois violinos


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"Henrique Raposo, com a bravura conhecida, arregaça as mangas e mete as mãos no baixo mundo da política. Para tentar desmontar cinco mitos sobre a nossa história recente: Salazar como lacaio da Igreja; Soares como precursor do europeísmo português; o Estado Novo como "longa noite" de pobreza económica; a esquerda como ferozmente anticolonialista; e a presuntiva derrota de Álvaro Cunhal no PREC.
Subscrevo cada um dos capítulos do Henrique. E para quem pensa que a sua "história alternativa" é um "branqueamento" da ditadura, sobretudo ao mostrar o espantoso crescimento económico entre 1950 e1973, de duas, uma: ou não leu o livro; ou leu e não percebeu (ou não quis perceber). A ditadura não tem defesa possível porque, como o autor refere, um regime que usa a censura, a polícia política, a tortura e a fraude eleitoral é geneticamente ilegítimo." (João Pereira Coutinho)





sexta-feira, 8 de março de 2013

O vai e vem

AINDA EM PRÉ-CAMPANHA

Finalmente chegaram ao Vaticano todos os Cardeais que escolherão o novo Papa. Só que os 115 ainda não resolveram em que data começa o trabalho eleitoral. Todos os dias a imprensa mundial vai palpitando nomes diferentes e noticiando movimentações de alguns grupos de pressão. O mais activo tem sido o lóbi americano.    




MÁRIO SOARES: "Hugo Chávez nunca foi um ditador (...) Era um homem bom, inteligente, com as suas posições sobre a Venezuela, mas que sempre funcionou pela via das eleições (...) Sempre gostei muito dele, estou muito triste pela morte de um amigo (...) Fui eu que o fez vir pela primeira vez a Portugal (...) Vai deixar uma grande saudade em toda a América Latina." 

O velho "animal político" sempre se insurgiu contra todos os que denunciassem os abusos cometidos por Chávez, contra a liberdade e a democracia. Das suas declarações, o que mais choca é a indiferença com que observa todos os atropelos constitucionais preticados pelo comandante bolivariano, quer para preparar a continuidade do seu poder, quer para perpetuar o modelo político do Chavismo. Não houvesse algum respeito pelas fragilidades da avançada idade e tudo se cassificaria de insensatos disparates. Haja paciência!        


quinta-feira, 7 de março de 2013

A treta do Daniel Oliveira


Daniel Oliveira na Convenção do BE (LUSA)

O BLOQUEIO NO BLOCO

Conforme foi anunciado, Daniel Oliveira, o militante histórico do Bloco de Esquerda, abandonou o partido. Numa carta enviada à Comissão Política, este membro fundador diz que o Bloco é actualmente «um factor de bloqueio, alimentando-se e alimentando o sectarismo». Também afirma que Francisco Louçã, «o coordenador anterior, não desistiu de continuar a coordenar o Bloco, mesmo sem ocupar o cargo». Na última Convenção, não apoiou a direcção escolhida, quando foi eleita a liderança bicéfala de João Semedo e Catarina Martins, nem aprovou a a moção política vencedora. Agora, decidiu sair do partido por não terem sido dados «sinais no combate ao sectarismo que, nos últimos anos, foi tomando conta do Bloco». Depois da Convenção, os sinais dados foram «exactamente os opostos» e critica a criação da nova corrente, que junta, entre outros, Loucã, Semedo e José Manuel Pureza. Segundo Daniel Oliveira, esta corrente pode transformar-se num «partido dentro do partido, que terá capacidade de definir sozinho as principais opções políticas e a 'distribuição de cargos' na estrutura» e impedirá a «democratização da vida interna do Bloco de Esquerda». Seja como for, a passagem seguinte pode ser o que de mais significativo consta da carta de despedida:

"Se a oposição continuar a não conseguir corporizar uma alternativa credível e o principal partido da direita portuguesa entrar em desagregação, os primeiros a aproveitar este momento, sejam sérios ou populistas, comediantes ou estadistas, poderão causar um terramoto político. Porque o terramoto social, esse, já está a acontecer. Sem que, aparentemente, as instituições e os partidos reajam a isso." (Daniel Oliveira)

Este abandono de Daniel Oliveira podia apenas ser o resultado da sua oposição ao funcionamento interno ou de discordâncias na orientação política. É verdade que muitos dos activistas do Bloco procurarão continuar num alinhamento de “esquerda fracturante” menos ortodoxa, que pouco tem a ver com a escola que formou os elementos que acusa de controlarem o partido. Mas não passou despercebida a referência ao momento político e a eventualidade de novas forças ou organizações políticas à esquerda. Logo as más línguas foram dizendo que o Daniel Oliveira adoraria “corporizar” uma alternativa qualquer. Companheiros da “luta moderna” não faltariam: Tem o Rui Tavares no parlamento europeu, a Isabel Moreira e o João Galamba, no parlamento nacional, outros disponíveis como a Joana Amaral Dias, fora os descontentes que se recrutariam no Bloco e no PS. Se tudo continuar apenas a “grandolar”, se o Coelho não for vítima de emboscada nem houver eleições em breve, se não der e a coisa estiver demorada, resta sempre a alternativa da quota dos dissidentes que habitalmente têm abrigo na tenda do PS.   

quarta-feira, 6 de março de 2013

Hoje é da vida amarga que se trata



NA VENEZUELA A TRAGÉDIA SAIU À RUA

Morto o Comandante Hugo Chávez (há horas ou há dias, em Havana ou em Caracas, depois se saberá, do que já se sabe é que houve intervenção dos americanos) enquanto decorrem as exéquias fúnebres do Caudillo bolivariano, prosseguem os atropelos à Constituição do País. O Presidente eleito não chegou a tomar posse por incapacidade, devia ter assumido o Presidente da Assembleia Nacional, tal como agora devia acontecer confirmada a sua morte. Só que o abençoado líder parece ter ordenado que o substituto fosse o Vice-Presidente em funções... A seguir, haverá mesmo eleições dentro de trinta dias? e quem se apresentará como candidato do Chavismo? Maduro ou Cabello? Por agora aparecem abraçados no drama nacional para o mundo observar. A luta pelo poder prossegue mais tarde.



José Sócrates lembra "presidente carismático"

O NOSSO “DELEGADO DE PROPAGANDA MÉDICA” ELOGIA CHÁVEZ

O ex-primeiro ministro José Sócrates já se pronunciou sobre as virtudes do camarada e amigo. Hoje recordou o excepcional Hugo Chávez como um "presidente carismático no seu país" e que "deixou sempre as provas mais evidentes de grande amizade por Portugal e pelos portugueses". E de que nos serviu essa amizade? Há um barco ancorado para cruzar o Atlântico à espera da guia de marcha, faltando saber se já foi cobrada a factura dos “Magalhães”.
Em declaração escrita enviada à LUSA, José Sócrates lembra a "vida plena, enérgica e generosa" do líder venezuelano. "Uma vida de vontade, consagrada à acção e ao que esta tem de início, de surpreendente, de inatendido” o que tanto entusiasmava o comandante. “Uma vida com os outros, ao lado dos outros, com a ambição da justiça própria de quem sempre teve uma visão optimista da natureza humana". O antigo chefe do governo português referiu-se também a "uma vida cheia de incertezas, de desafios e de riscos, própria de quem nunca temeu a responsabilidade da sua liberdade e da sua vontade". Parece não lhe faltar qualquer virtude. 
Para Sócrates, Hugo Chávez assumiu-se como “autor da sua própria biografia, levando uma vida intensa, sempre confiante”. É ao recordar esta forma de viver, que o socialista português acredita que o povo venezuelano encontrará aí "alívio e conforto para o seu sofrimento". Um Socrates incansável, desta vez na pesquisa e escolha dos adjectivos que melhor definem o populista-ditador. Como se conheceram e entenderam tão bem. Compreende-se a saudade. 





CAVACO DIZ QUE TRABALHA 10 OU 12 HORAS POR DIA

Senhor Presidente, não tem de que se queixar. Sempre nos exigiu que o deixássemos trabalhar. E mesmo assim, é duvidoso que o povo ache que merece o que ganha. Habitue-se sem gemer muito ou terá direito ao "momento grândola". Este país  está na fase de protestar por qualquer coisa. Como se encontra de bolsos vazios, não aceita que se gaste dinheiro para pagar aos políticos com decência. Pior, até critica quando vão ganhar a vida para longe do Estado. Senão repare no que está acontecer ao seu bem conhecido Zé de Paris. Ganhava pouco, não lhe permitiam receber gratificações e agora ainda se queixam por andar a ganhar muito a vender comprimidos e supositórios. Esta gente repara em tudo e nada tolera. Muito esquisitos e pouco reconhecidos, não acha?
O País devia perceber o quanto trabalha em Belém, porque é a partir da Presidência da República que se influenciam mais as decisões políticas. Para os mais modestos, o "mediatismo público" nada ajuda e é uma maçada. Para além de se estar sujeito no meio da confusão à chuva de coisas estranhas mais próprias para gemadas e saladas. Por isso, não está bem que o critiquem por ter falado pouco em público sobre a crise no País. Sempre esquecem que esteve dez anos como primeiro-ministro e os sete que já leva em Belém, o bastante para saber mais do que qualquer outro e não fazer mais porque a idade não permite.
Se quem mais protesta reparasse, notava que o Senhor Presidente até fala como aquele rapaz que agora manda na casa do PS. Quando insiste que Portugal vive uma "espiral recessiva", com quebra da produção, do investimento, do consumo e uma "subida acentuada" do desemprego, diz o mesmo que o moço socialista. Se ambos estão aborrecidos com a "rapazada do governo" e afirmam que só é possível inverter a tendência negativa dando prioridade ao crescimento económico, que mais faltará dizer? A única coisa que agradou aos mais descontentes foi saber que vão distribuir incentivos à economia em forma de dinheiro barato para investir.
Por falar em gostar, do que todos gostaram mesmo foi de ouvir o Professor Cavaco Silva dizer que é preciso respeitar as manifestações que decorram dentro da ordem constitucional. Não se sabia muito bem o que isso era mas ninguém ficou muito preocupado. É que o nosso Presidente, mesmo depois de mais um dia de intenso trabalho, após a manifestação do passado 2 de Março, não deixou de fazer uma comunicação ao País para nos demonstrar que estava descansado. 


terça-feira, 5 de março de 2013

Democracia acossada


Cristiano, ovacionado en su vuelta a Old Trafford

Ronaldo recebido com grande ovação no regresso a Old Trafford. Mais uma prova de fogo para Mourinho e para o Real Madrid. 




Em 5 de Março de 1953 - Há 60 anos morria Estaline - E as desgraças eram outras





O PERIGO ESPREITA. O CANCRO DE CHÁVEZ PODE TER SIDO UMA MALDADE.

O vice-presidente da Venezuela acusa "inimigos" da revolução de terem provocado cancro de Chávez. Numa intervenção em directo na televisão pública, Nicolás Maduro anunciou a expulsão de um diplomata dos Estados Unidos da América acusado de conspiração para propagar rumores sobre a morte do Presidente Hugo Chávez e de ter tentado contactar antigos militares, afectos ao regime anterior à revolução chavista. Num discurso longo, falou em intriga internacional contra a revolução venezuelana e atribuiu-a aos "inimigos históricos da pátria". Mas o que todos querem ouvir é como está Hugo Chávez e essa parte do discurso não chegou - falou, sim, de envenenamento, comparando Chávez ao antigo líder palestiniano Yasser Arafat, cujo corpo foi recentemente exumado por suspeita de ter sido envenenado com o elemento radioactivo polónio. Maduro disse que o Governo tem pistas sobre a origem do cancro de Hugo Chávez que estas serão "analisadas cientificamente". Ou seja, deixou no ar que o cancro lhe foi provocado pelos seus inimigos. O Governo venezuelano esteve reunido de emergência com o Alto Comando Militar Revolucionário e com os 20 governadores para acertar formas de lidar com o futuro. Este encontro realizou-se na manhã seguinte ao anúncio, oficial, de que o estado de saúde do Presidente Hugo Chávez se agravara, sofrendo agora de uma nova infecção respiratória "difícil de controlar".





O POVO QUE MAIS ORDENHA

Manifestantes bloqueiam comboios. Algumas centenas de pessoas estão a ocupar desde as 16,00 h. as principais linhas ferroviárias na estação do Entroncamento, num protesto que já fez imobilizar quatro comboios de passageiros. A CGTP-Intersindical e a comissão central dos trabalhadores ferroviários são as responsáveis por esta acção de protesto que visa a defesa do passe para os trabalhadores ferroviários e para as suas famílias. O protesto realiza-se ainda "contra a perda dos direitos e a destruição da componente social dos caminhos-de-ferro", segundo o coordenador da União de Sindicatos de Santarém.





NA DESPEDIDA DA TROIKA

Da próxima visita, venham já lixados (para evitar a maçada do pagode se reunir para ordenar) Até outra avaliação, se ainda tivermos que avaliar e se ainda estiver aqui alguém para abrir a porta. Os agradecimentos do "Orfeão Grandolense"

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sobre o Papa

papa - ilustração

«Nos seus últimos dias de Papa, Bento XVI apresentou-se diante de audiências globais como algo de muito diferente do comum, como uma "estranheza", ou um "mistério" que nos interpela. Desse ponto de vista, foi um sucesso "mediático".
O "espectáculo" papal dos dias de hoje não converte os incréus, porque a sua incredulidade é mais forte e mais funda, por boas e más razões, mas abre-os a uma certa perplexidade, nalguns casos mesmo sedução, da e pela fé. Ver alguém que acredita, como o Papa Bento XVI, agora Papa Emérito, de uma forma tão gentil, sem aí ser frágil e "sem forças", faz muito para restaurar um respeito pela espiritualidade, uma atenção ao "mistério" ao sentimento do outro, mesmo que não restaure a fé, que é um "dom" e não depende dele.
É por isso que este Papa fez muito mais pela Igreja do que muitos cristãos pensam que fez, resultado de terem ficado órfãos em Bento XVI da religiosidade afectiva de João Paulo II, daquela bondade de pater que beijava a terra e peregrinava pelo mundo todo. Bento XVI é uma outra espécie diferente de "peregrino", autoclassificação que deu a si próprio na sua última declaração ainda Papa no seu belo italiano de adopção: "Voi sapete che io non sono più Pontefice, sono semplicemente un pellegrino che inizia l"ultima tappa del suo pellegrinaggio in questa terra."
Usou o "espectáculo" para sair dele para uma dimensão muito alheia ao nosso quotidiano vulgar, retomando o sentido do seu nome de Papa, como o disse na sua última audiência do dia 27 de Fevereiro: "O "sempre" é também um "para sempre": não haverá mais um regresso à vida privada. E a minha decisão de renunciar ao exercício activo do ministério não revoga isto; não volto à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de forma nova junto do Senhor Crucificado. Deixo de trazer a potestade do ofício em prol do governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro. Nisto, ser-me-á de grande exemplo São Bento, cujo nome adoptei como Papa. Ele mostrou-nos o caminho para uma vida, que, activa ou passiva, está votada totalmente à obra de Deus." Boa viagem, peregrinoJosé Pacheco Pereira - PÚBLICO


domingo, 3 de março de 2013

E depois das indignações


março

Muita resiliência dos que por aí grandolaram pela "renda estatal". E o silêncio dos outros




O grau zero do delírio num manicómio onde tudo se manda lixar... menos uma santinha. Não me lixem.      




MÁRIO SOARES DE VOLTA PELO LADO DA TRAPAÇA

O ex-Presidente da República Mário Soares pede contenção: “O PGR de Angola deve merecer acrescido respeito. O investimento angolano, para Portugal, é útil e bem-vindo. Os nossos povos, português e angolano, são povos irmãos, pelo que é nossa obrigação tudo fazermos para aprofundar as relações entre ambos.” Soares relembra a sua história pessoal relativamente à independência de Angola e dos outros países africanos. “Como é público, fui e sou anticolonialista. Dei a minha solidária contribuição ao povo angolano e aos demais povos em defesa da independência. Nunca fui anti-MPLA ou anti-Savimbi. Limitei-me a querer a paz entre ambos.” 
Tarde demais, senhor descolonizador. É melhor renunciar a mais essa missão, por falta de forças e não valer a pena. Onde todos o aguardam é na "Viela da Indignação" a exigir a demissão dos governantes e o domínio dos governados, a defender e a contestar alternadamente as mesmas coisas, a bolçar disparates. Já se sentia a falta de vossa senhoria. 



?

ONDE PORTUGAL AINDA GANHA QUALQUER COISA

A atleta portuguesa Sara Moreira venceu a medalha de ouro nos 3000 metros e sagrou-se campeã europeia na prova em pista coberta. Em frente e depressa, rapariga.

sábado, 2 de março de 2013

O sábado das alternativas



O POVO QUE PERSISTE EM "GRANDOLAR"

"Que se lixe a troika", é o que se canta, por esse(s) sítio(s) resgatado(s)... 
E com o dinheiro de que malfeitores?




O MOURINHO QUE NÃO DESISTE DE GANHAR

Mudou a tendência e mudaram os medos. O Real Madrid de C. Ronaldo vai repetindo vitórias sobre o Barcelona de L. Messi, com a omnisciência de Mourinho. Como a competência lhe permitirá sair vingado...



Mais de sete mil socialistas apoiam moção de Seguro

DO SEGURO SOCIALISTA

               Parar com a austeridade
               Rejeitar corte de 4.000.000.000 €
               Consolidar as contas públicas
               Apostar no crescimento económico
               Captar investimento estrangeiro

Quem souber como se faz, apareça e diga.




Imagem

DO CONTRA-MILITANTE

“Passos Coelho tinha dito que anunciava as medidas para a reforma do Estado durante o mês de Fevereiro. Já acabou (…) Está a pensar na manifestação de sábado, com medo de anunciar medidas antes dela (…) E por isso quando dizem que as manifestações não contam para nada, é mentira. Contam e este é um exemplo.” (Pacheco Pereira)




Lili Caneças vai viver para os EUA

DO ADEUS TRISTEZA

 Lili Caneças vai viver para os EUA. Diz-se "farta" da crise e decidiu sair do país para viver uma aventura além-fronteiras. "Propuseram-me ficar à frente de galerias de arte", revela a socialite que vai morar em Los Angeles. Mostra assim que nunca é tarde para mudar de vida. Por isso, está prestes a concretizar um sonho de adolescência e emigrar para os Estados Unidos. "Estou um bocadinho farta desta pobreza, desta desgraça, de tanta miséria. Vou durante um tempo. Sempre gostei muito de Los Angeles, o ambiente é maravilhoso, tem um vida saudável e um óptimo clima. Sei lá… A idade não tem problema nenhum; desde que eu esteja com saúde, nunca é tarde para começar de novo." (está mesmo entusiasmada a madame). "Porque é que uma pessoa há-de estar com saúde maravilhosa e fantástica num país onde tudo lhe é vedado; pessoas sem trabalho, um horror. Sei lá..." A um passo de realizar o seu sonho americano, acescenta: "Acho que a Europa está decadente e Portugal nos próximos dez anos vai estar muito pouco interessante. As pessoas mais inteligentes, mais cultas, mais preparadas vão-se embora, só ficam cá... não sei." (Se me der licença, quem saberá?… e se alguém souber que levante o… braço).

sexta-feira, 1 de março de 2013

Especialidades portuguesas



E ESTA:  "PORTUGAL NÃO É DE CONFIANÇA"

Portugal conhece bem o que constitui a realidade angolana do presente: uma minoria que se apoderou da riqueza do país - a elite dos negócios e da impunidade - uma nação depauperada e um povo que sobrevive carregando a sua indigência. O que não tem impedido nem devia ser obstáculo ao relacionamento alargado entre os dois países.   Tal como tem decorrido as coisas, não é isso que tem acontecido. 
Com a chegada de investimentos angolanos ao universo empresarial português, surgiram dificuldades com que muito mal lidamos. Definitivamente, o indigenato não convive bem com o seu passado de colonizador, sempre às voltas com a nostalgia de tantas aventuras que lhe deixaram demasiados complexos. Talvez mais uma marca da incurável mediocridade e insignificância que tantas vezes coloca este país de cócoras. Mas o indígena é assim, ora manhoso e subserviente, ora gabarola e paternalista, despeja lições de moral como se não fosse igual aos piores. Afinal quem somos nós e que autoridade teremos para questionar a seriedade dos outros, se não combatemos as nossas fraudes nem prendemos os nossos trafulhas? O bom senso, pelo menos, aconselharia a calar a boca ou falar mais baixo... e a deixar Angola ao cuidado de quem tiver outra autoridade moral para os acusar. 
Ou toda esta celeuma é apenas um sinal bem pior. Ou seja: daquilo que ainda temos para vender, já nada interessa aos angolanos 




INUTILIDADES

Agora se percebe melhor a agitação dos "comentadores-tudólogos" a saltitarem de televisão, da TVI para a SIC e vice-versa. Quando pouco mais haverá para dizer sobre "economês" a coisa vira conversa de "totós"-"especialistas".